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Por que Tite resistiu tanto a convocar Gabigol, artilheiro do Brasileirão

Gabriel Jesus e Gabigol brincam durante treino da seleção olímpica - Lucas Figueiredo / MoWA Press
Gabriel Jesus e Gabigol brincam durante treino da seleção olímpica Imagem: Lucas Figueiredo / MoWA Press
do UOL

Danilo Lavieri

Do UOL, em São Paulo

21/09/2019 04h00

Gabriel Barbosa vive talvez a melhor fases da carreira e voltou a figurar entre os convocados de Tite. Artilheiro do Brasileirão com 16 gols, o atacante do Flamengo demorou a cair no gosto do treinador por conta de seu passado não tão distante vestindo a camisa da seleção brasileira. A falta de obediência tática e o comportamento indolente foram fundamentais para que ele não tivesse chance nas últimas listas.

A relação entre Gabriel e Tite teve um começo ruim já na época das Olimpíadas, antes mesmo de o técnico iniciar seu trabalho de campo. Embora não comandasse a equipe olímpica, Tite mantinha contato frequente com o técnico Rogério Micale e sua comissão. Na ocasião, Gabriel era apontado como jogador com muito talento, mas pouco interesse em atuar de forma tática.

Na véspera da final da Rio-2016 contra a Alemanha, inclusive, o jogador, que na época era do Santos, recebeu visitas no seu quarto na concentração. Na ocasião, os líderes do elenco alertavam o atleta para a necessidade de colaboração na marcação, fato que preocupou a todos durante toda a campanha, inclusive Micale. O alerta especial para a disputa da medalha de ouro foi feito para que ele acompanhasse os laterais europeus quando a seleção estivesse sem a bola.

A conquista do ouro se sobrepôs aos problemas, e Tite resolveu dar uma chance para Gabriel. Dois dias após a final olímpica, o atacante viu seu nome na lista para os dois primeiros jogos com Tite pelas eliminatórias para a Rússia-2018, contra Equador e Colômbia. Na época, a dúvida principal do treinador era se escalaria Gabriel ou seu xará, Gabriel Jesus. Sabemos como essa história terminou.

A revelação palmeirense venceu disputa, virou artilheiro-relâmpago da "Era Tite" e se consolidou como insubstituível até a Copa do Mundo. Naquela partida em Quito, o treinador olhou para o banco de reservas e viu Gabigol com a cara fechada. Sua atitude depois, já no vestiário, também não foi bem encarada bem pela comissão e sua passagem pela seleção se encerraria temporariamente ali.

O comportamento de não aceitar bem a reserva, aliás, persegue Gabriel desde o início de sua carreira. Já no Mundial sub-17, em 2013, o atacante não caiu nas graças de Alexandre Gallo e nunca escondeu a sua insatisfação. O técnico também usava a pouca motivação do jovem para a marcação como uma das explicações para as poucas chances que recebia. Nos mata-matas, em partida contra o México, sendo um dos mais experientes do time, Gabriel saiu do banco de reservas.

AP/Luca Bruno
Imagem: AP/Luca Bruno

Quatro anos depois do campeonato de base, já na Inter de Milão, o jogador saiu revoltado com a falta de oportunidade em jogo da Lazio e precisou até ir a público pedir desculpas. Frank de Boer, um dos treinadores do brasileiro na Itália, também já usou os microfones para criticar o que ele chamou de "atitude de estrela".

Agora, jogando mais solto Flamengo, Gabriel tem menos responsabilidade na recomposição. Constantemente titular, também não tem motivos para reclamar de falta de oportunidades. Ficou à vontade para fazer muitos gols. Demorou um pouco, mas a produção elevada enfim dobrou a resistência de Tite. Ganhou uma segunda chance.

"De 2016 para 2019 é extremamente desafiador. Estávamos vendo nas categorias de base o quanto o atleta vai crescendo, amadurecendo e se aperfeiçoando. O quanto isso é importante no aspecto maturidade. É o aspecto momento para o Gabriel agora", disse Tite sem dar mais detalhes de sua chateação com o atacante.

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