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Zagueiro brasileiro mais caro da história, Militão preferia pipa ao futebol

Éder Militão durante treino da seleção brasileira na Granja Comary, em Teresópolis - Lucas Figueiredo/CBF
Éder Militão durante treino da seleção brasileira na Granja Comary, em Teresópolis Imagem: Lucas Figueiredo/CBF
do UOL

Danilo Lavieri, Marcel Rizzo e Pedro Lopes

Do UOL, em Teresópolis (RJ)

29/05/2019 16h31

Éder Militão se tornou, em março, o zagueiro brasileiro mais caro da história ao ser comprado pelo Real Madrid do Porto por 50 milhões de euros (R$ 220 mi). Lateral no São Paulo, se firmou na zaga em Portugal, onde prefere jogar e função para qual foi convocado por Tite para disputar a Copa América com a seleção brasileira. Mas na infância sua posição não era nem uma, nem outra: pedia para jogar de goleiro nas peladas com os amigos, em uma época que admitiu não gostar nada de futebol.

" Todo mundo fica surpreso, eu não gostava de futebol. Meu negócio era pipa, andar de bicicleta, correr pela rua, futebol era a última coisa que pensava em fazer. E eu sempre pedia para jogar no gol, nunca na linha. Até meu pai falava que não acreditava que eu me tornaria jogador, às vezes quando é pra ser acontece", disse Militão.

Com 21 anos hoje, ele foi negociado pelo São Paulo ao Porto em julho de 2018 e em apenas uma temporada na Europa se transferiu para o Real Madrid. Vai trabalhar com Zidane como técnico, e jogar ao lado de estrelas que pouco pela televisão ainda adolescente antes de passar em um teste no São Paulo. Teste que foi feito à convite de um amigo do pai, que tinha uma escolinha onde ele brincava de futebol mesmo sem gostar tanto assim do esporte. Seu pai Edvaldo Militão, o Valdo, jogou no Corinthians nos anos 1990.

" Eu fui [para o teste em Cotia, onde o São Paulo tem seu centro de treinamento da base] sem qualquer expectativa. Se passasse ou não era a mesma coisa, mas passei. Fiquei até surpreso e assim foi", contou o zagueiro. Mas mesmo dentro de um dos grandes clubes do futebol brasileiro, aos 15 anos, Militão ainda não se encantava pelo esporte. Somente ao completar 16, e vendo que poderia dar certo para o negócio, ele começou a se envolver mais e hoje diz ter paixão. "Eu incentivaria meus filhos a jogar futebol hoje", disse.

A timidez do zagueiro é notória. No São Paulo deu pouquíssimas entrevistas mesmo depois de virar titular. Na seleção não teve jeito, já que quase todo o elenco falará antes da Copa América começar, em 14 de junho -- o Brasil estreia contra a Bolívia justamente no Morumbi, sua casa por vários anos. Quando perguntado se tem mais receio de ver Messi vindo para cima numa eventual final da Copa América ou das câmeras para uma entrevista, foi direto: "Ah, o monte de câmeras. Mas com o tempo acho que a vergonha vai passar".

No corpo uma tatuagem que define muito seu jeito tranquilo: no pescoço, a palavra paciência escrita em inglês (patience). " Fiz essa tatuagem em homenagem e mim mesmo, todo mundo fala que pode estar caindo o mundo que eu continuo calmo. Na zaga é importante isso, sem desespero", disse.

Militão admitiu que prefere jogar de zagueiro, mas se precisar quebrar o galho na lateral ele levanta a mão. Mas hoje quem o inspira está até a seu lado na seleção, o zagueiro Marquinhos, do PSG, que segundo ele também não dá chutão. De Zidane, o futuro técnico, Militão admitiu que não lembra muito dele em campo justamente porque, quando criança, não gostava de futebol. Mas já viu alguns vídeos do futuro treinador e gostou. "Vi, é sensacional. E o Casemiro fala muito bem dele também".

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