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Polícia detém repórter e apreende celular durante jogo da Série B em SC

do UOL

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL, em São Paulo

19/11/2019 23h30

O repórter Jairo Silva Junior, da Rádio Transamérica de Curitiba, foi detido pela Polícia Militar de Santa Catarina na noite de hoje (19), durante a transmissão que fazia do empate por 1 a 1 entre Criciúma e Paraná, no estádio Heriberto Hulse. Os policiais decidiram retirá-lo do campo e conduzi-lo a uma sala fechada após ver o jornalista registrar agressões dos militares a funcionários do time paranaense.

Jairo ainda teve o celular apreendido pela Polícia durante a confusão em meio ao jogo da 37ª rodada da Série B do Brasileiro. Confira abaixo o áudio da transmissão da rádio Transamérica no momento da confusão.

O profissional foi liberado após mais de uma hora de detenção. De acordo com a família, a PM catarinense justificou que há uma lei estadual que proíbe filmagem de ações policiais. A justificativa entra em choque com o artigo 220 da Constituição Federal, já que o repórter estava identificado e se apresentou como jornalista.

Em relato à esposa, Jairo procurou tranquilizar os familiares: "A gente foi trazido aqui pela PMSC para assinar um termo circunstanciado. O maior problema é que eles vão ter de ficar com o celular. Vai para o fórum, analisam as fotos e os dois celulares vão ter de ficar aqui. Tenta não passar isso para nossa filha", disse em mensagem encaminhada à reportagem do UOL Esporte.

No momento da detenção, jogadores, comissão técnica e funcionários do Paraná reclamavam com a arbitragem por conta do gol de empate do Criciúma, aos 41 minutos do segundo tempo. Jairo presenciou uma agressão ao assessor de imprensa do Paraná, Irapitan Costa, e registrou o momento.

"Estamos tentando entender todo este episódio. Uma ação drástica com um profissional que estava trabalhando. Credenciado para o exercício da sua profissão. Iremos buscar nossos direitos! Pelas informações, o próprio fiscal da CBF tentou pegar o celular do Juninho. Pergunto, por quê? O que havia de errado? Se estivessem agindo corretamente, por que não filmar? Iremos conversar com o nosso departamento jurídico amanhã. É lamentável", manifestou-se em nota o diretor da Rádio Transamérica em Curitiba, Rogério Afonso.

A PM de Santa Catarina divulgou uma nota para dar sua versão sobre o ocorrido. "Durante a noite do dia 19.11.2019, no Estádio Heriberto Hülse, durante partida entre Criciúma X Paraná, um supervisor da CFB solicitou apoio da Policia Militar para auxiliar na retirada de um membro da comissão técnica do Paraná Clube que estaria em local proibido. Realizada a intervenção, o membro da comissão técnica negou-se a sair do local, mesmo após pedidos do supervisor CBF, tumultuando os trabalhos no local. Assim, contra ele foi confeccionado um Termo Circunstanciado. Ainda na mesma ocorrência, um jornalista, mesmo ciente de que não poderia realizar filmagens no interior do Estádio, passou a realizar imagens, sendo este fato também apontado pelo supervisor da CBF como irregular. Os celulares dos envolvidos foram apreendidos no Termo Circunstanciado, os quais servirão futuramente como meio de prova, por conta das imagens neles arquivadas. Após lavrado o Termo Circunstanciado, os envolvidos foram liberados no local", disse o comunicado com base em informações de policiais da 6ª Região da Polícia Militar (RPM) / 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM) do Estado.

Durante a madrugada, o Coronel Araujo Gomes procurou a reportagem, que conversou com ele pela manhã. A autoridade reforçou a nota divulgada pela PMSC, afirmando que "se há nota da Corporação, há a minha voz". A Secretário de Segurança Publica de Santa Catarina não respondeu às indagações enviadas por mensagens.

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