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Novo coronavírus ofusca Ronaldinho na imprensa paraguaia

25/03/2020 22h06

Assunção, 25 mar (EFE).- O caso de Ronaldinho Gaúcho, o presidiário mais famoso do Paraguai, deixou de ser a primeira página do país sul-americano para ser ofuscada pela COVID-19, que deixou três mortos e a população confinada em suas casas, seguindo as medidas de isolamento social decretadas pelo governo.

Ronaldinho e o irmão, Roberto de Assis Moreira, estão completando nesta quarta-feira 19 dias de prisão em Assunção, onde entraram depois de terem sido acusados de usar documentos com conteúdo falso.

Com o Paraguai concentrado na luta contra a Covid-19, com o sistema de saúde pública em colapso com a disseminação em grande escala dos casos, os dias em que o ex-jogador monopolizava o espaço jornalístico na maior parte da imprensa, em um país onde o futebol faz parte da realidade cotidiana, ficaram para trás.

O melhor jogador do mundo em 2004 e 2005 virou notícia logo na chegada ao aeroporto internacional de Assunção, onde desembarcou no dia 4 de março junto com o irmão e empresário e foi recebido por uma multidão de fãs e as principais emissoras de rádio e televisão para cobrir esse evento.

Alguns dias depois, os holofotes estavam sobre a sua prisão, quando foi descoberto que ele havia entrado no país com um passaporte paraguaio genuíno, mas com conteúdo manipulado. E depois, com toda a imprensa em seu encalço para cobrir as duas vezes em que prestou depoimento no Palácio da Justiça, foi ratificada a prisão preventiva.

O ex-jogador completou 40 anos no último sábado na Associação Especializada, onde um dos principais nomes do futebol paraguaio, Ramón González Daher, ex-presidente da Associação Paraguaia de Futebol (APF) e acusado de usura e lavagem de dinheiro, também cumpre sentença.

Nesse dia, Ronaldinho comeu com alguns dos detentos, mas logo foi levado de volta à cela sem muita celebração, de acordo com testemunhas da mídia local.

O aparecimento do coronavírus no Paraguai também se traduziu em novas medidas para toda a população carcerária, à qual as visitas foram restritas. Ronaldinho, por exemplo, pode receber apenas os advogados.

Os movimentos de defesa do ex-atleta passariam agora a solicitar uma nova revisão das medidas para contornar a prisão preventiva e conseguir uma prisão domiciliar, já rejeitada anteriormente pelo juiz e que também tem a oposição do Ministério Público. A perspectiva de pena para os dois irmãos é de até cinco anos de prisão.

A INCERTEZA CHAMADA DALIA LÓPEZ.

Uma das incertezas da causa está no estado de revelia de Dalia López, a empresária paraguaia que recebeu Ronaldinho no aeroporto e o contactou para que o craque emprestasse sua imagem a uma campanha de saúde gratuita para as crianças no Paraguai através de uma ONG.

Dalia tem paradeiro desconhecido e está sob um mandato de captura internacional por não ter comparecido às audiências a que foi convocada. Pela sua última ausência, alegou justamente o risco de contrair o coronavírus, já que, segundo os seus advogados, sofre de hipertensão e diabetes.

Os advogados apresentaram um recurso nesta terça-feira para revogar a declaração de inadimplência, que foi rejeitada por um juiz hoje, segundo reportagens da imprensa local.

A empresária é identificada pelo Ministério Público como a suposta chefe de uma rede dedicada a facilitar a produção e utilização de documentos de identidade e passaportes com conteúdo falso.

Dalia era praticamente desconhecida do grande público paraguaio até receber pessoalmente Ronaldinho no dia em que o ex-jogador chegou ao aeroporto. Os advogados alegam que ela se limitou a confiar a alguns gerentes particulares o procedimento para obter documentos paraguaios legais para os dois irmãos, tendo em vista a possibilidade de que eles estabelecessem negócios no país vizinho.

A investigação chegou a mais de 12 investigados e tem também como alvo o Departamento de Identificações, que emite passaportes e cédulas de identidade nacionais, por suposta corrupção interna.

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