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Ida de Bolsonaro à Vila Belmiro para Santos e São Paulo incomoda Sampaoli

Jorge Sampaoli observa jogo do Santos - Bruno Ulivieri/Agif
Jorge Sampaoli observa jogo do Santos Imagem: Bruno Ulivieri/Agif
do UOL

Eder Traskini

Colaboração para o UOL, em Santos

14/11/2019 21h35

Resumo da notícia

  • Sampaoli e Jair Bolsonaro são de correntes políticas diferentes
  • Presença do presidente da república causa incômodo no técnico argentino
  • Sampaoli não quer, e não deve, ter contato com o Bolsonaro

Segundo apurou o UOL Esporte, o técnico Jorge Sampaoli não ficou feliz com a notícia da visita de Jair Bolsonaro ao estádio da Vila Belmiro para acompanhar o clássico entre Santos e São Paulo, neste sábado, às 17h, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. O argentino, de posições em geral pendentes à esquerda no espectro político, já deixou claro, durante sua estadia na Baixada, que não tem muita simpatia pelo atual presidente da República.

Recentemente, o argentino foi questionado em entrevista coletiva sobre as eleições nacionais na Argentina, vencidas por Alberto Fernández, e elogiou o novo presidente, desde já um desafeto de Bolsonaro - que se recusou a parabenizar Fernández num gesto protocolar e opinou que o país vizinho teria "escolhido mal" seu novo líder.

"Estou feliz pelas mudanças que se deram na Argentina. O presidente (Bolsonaro) tem uma uma opinião diferente. Respondo o que sinto e o que senti na chegada de um governo que estará próximo ao povo. É isso que me faz acreditar que o cidadão argentino não vai sofrer como sofreu nos últimos tempos", afirmou Sampaoli após a vitória por 1 a 0 sobre o Bahia, na 29ª rodada.

Em outra oportunidade, Sampaoli rasgou em elogios ao povo chileno pelos protestos generalizados que tomaram conta do país. O treinador, que criou grande identificação com o vizinho argentino em longo período como comandante de sua seleção nacional, disse estar orgulhoso do que via à distância. Bolsonaro, por outro lado, chamou os acontecimentos no Chile de "atos terroristas".

"Valorizo muito a reação do povo chileno depois de tanto tempo de opressão. É um exemplo para todos na América do Sul. Lutar contra o neoliberalismo, que deixa o povo cada vez mais pobre. Esta rebelião contra os que estão no poder que só pensam nisso. Estou orgulhoso do povo que vivi ao lado por tanto tempo. Espero que seja um passo adiante para terminar com a opressão com esse povo", disse após o empate contra o Corinthians.

A tendência é que Sampaoli e Bolsonaro não tenham contato algum durante o clássico, e é justamente isso que o argentino espera. O presidente da República deve acompanhar o jogo do camarote da presidência e pode chegar ao estádio depois do início da partida e sair antes do apito final.

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