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Eva, a jovem abusada pelo padrasto, emociona Fátima no Encontro

Claudia Di Mauro se emociona no "Encontro" com relatos de abusos sofridos pela jovem Eva  - Reprodução/Globo
Claudia Di Mauro se emociona no "Encontro" com relatos de abusos sofridos pela jovem Eva Imagem: Reprodução/Globo

Marcela Ribeiro

Do UOL, no Rio

25/02/2019 13h35

Eva Luana, a jovem de 21 anos que viralizou na internet ao relatar as torturas e abusos sexuais sofridos pelo padrasto nos últimos anos, emocionou Fátima Bernardes e os convidados do "Encontro" de hoje. Durante todo desabafo, Eva chorou muito no programa e contou com a presença do namorado, Mateus, que a incentivou a denunciar os abusos.

"Infelizmente não posso dizer que tive força para denunciar, não fiz por coragem, fiz por medo. Estava me sentindo tão ameaçada e perseguida, eu não tinha vida. Se fosse pra sobreviver, que eu morra lutando de alguma forma. Aquilo estava guardado e precisava colocar para fora", disse Eva.

"Não estava aguentando mais a pressão das pessoas por eu ser diferente e por não poder fazer nada. A força veio da fraqueza", completou.

A atriz Claudia di Mauro se emocionou bastante. "Começo pedindo perdão para você em nome de todas nós mulheres. Só não vou pedir pedir em nome do Estado porque o Estado falhou, tem falhado muito com todas nós. A gente não quer apanhar por quatro horas, a gente não quer ser mordida, ser humilhada. A gente tem direito a proteção. A sua voz é um grito de liberdade, só você sabe o quanto te custou isso".

Eva contou que a situação chegou no limite, ela pensou em suicídio e tomou coragem de desabafar com o namorado sobre os abusos.

"Ele começou a suspeitar porque quando a gente estava falando de feminicídio, eu não conseguia disfarçar e falava com toda a minha alma sobre o crime ser inafiançável e ele percebeu".

"Foi terrível porque antes de ela me contar eu já tinha desconfiado. Tive que largar o celular porque doía cada relato que ela falava, machucava em mim. Tentava imaginar, mas a gente não consegue porque a dor é dela. Me matou ouvir ela chorando", disse Mateus.

Emocionado, o ator Mouhamed Harfouch pediu para abraçá-la. "Você é uma heroína... Essa menina gritou por socorro e o estado foi omisso. É muito triste você ter uma menina que pede socorro e passam mais 10 anos... Quando o estado falha, abre uma lacuna tão grande e ela se sente tão exposta. Parabéns, Eva. Você é uma fonte de inspiração para muitas mulheres".

{1} respira ? / a todos que me ajudaram até aqui, seja no "desaparecimento" ou agora, com os fatos verdadeiros, a minha eterna gratidão. Aos meus amigos de infância, que eu fui obrigada a abandonar um por um, preciso pedir perdão. Não vou citar nomes, mas quem está firme comigo sabe, eu vou retribuir com todo o meu amor e relembrar até a minha velhice. / Meu caos teve início quando eu tinha 12 anos, minha mãe era agredida,abusada,violada e torturada quase todos os dias. Meu padrasto era obsessivo e ciumento com ela. Resumindo de uma maneira geral, ela era agredida com chutes, joelhadas, objetos.. Era abusada sexualmente de todas as formas possíveis. Era obrigada a tomar bebidas até vomitar e quando vomitava tinha que tomar o próprio vômito como castigo. Ele começou a me abusar sexualmente. Eu tinha nojo, repulsa, ódio e não entendia porque aquilo acontecia comigo. Me sentia uma criança estranha e diferente das outras. Achava que aquilo só acontecia comigo. Eu tentei por diversas vezes ir para a casa da minha avó, mas ele sempre ligava ameaçando todos, dizendo que iria matar e fazer várias coisas assim. Então era uma prisão sem grade, literalmente. Quando eu fiz 13 anos denunciei. Nessa denúncia eu tinha certeza que seria salva por todos. Mas não foi isso que aconteceu. O Estado falhou a tal ponto que o meu caso não chegou nem ao Ministério público. Fui obrigada a retirar a queixa por ameaças do meu padrasto. Ele utilizou o poder financeiro pra comprar a liberdade e comprar a minha alma. Porque ali eu perdi a minha alma. E o que eu fui denunciar, 1 ano de sofrimento, se multiplicou em mais 8 anos. Desde então os abusos, torturas e todo tipo de agressão foram aumentando dia após dia, ano após ano. Eu não tive mais vida social. Tudo era uma farsa. Ele nos obrigava a fingir que tínhamos uma família perfeita. As agressões eram verbais, físicas e psicológicas. Entre elas comer muito, em tempo estipulado, isso aconteceu com uma pizza família, pra comer inteira em 10 minutos. Óbvio que não conseguimos.Tb tomar 2 litros de refrigerante nesses 10 minutos.. eu levei socos no rosto e ele não me deixava me proteger com a mão. Chutes até cair no chão

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