Topo

Tri nacional pelo Flu, Berna lamenta lesão de Muriel: "Apoio é fundamental"

Ricardo Berna foi tricampeão nacional pelo Fluminense - Bruno Haddad/Fluminense FC
Ricardo Berna foi tricampeão nacional pelo Fluminense Imagem: Bruno Haddad/Fluminense FC
do UOL

Caio Blois

Do UOL, no Rio de Janeiro

14/11/2019 04h00

O Fluminense vive um momento delicado no Campeonato Brasileiro e terá que superar mais um obstáculo para se livrar do rebaixamento: o desfalque do goleiro Muriel, que fraturou um osso da mão esquerda e está fora da competição. A incerteza no gol do Tricolor não é novidade, e já acabou até sendo decisiva em títulos conquistados pelo clube. Em 2010, apesar da boa campanha, o time sofria com falhas embaixo das traves. Terceiro goleiro no início daquele ano, Ricardo Berna virou titular e foi um dos destaques do tricampeonato brasileiro. Hoje aposentado, o ex-goleiro segue na torcida pelo Flu, e pediu apoio para o próximo a defender a equipe embaixo das traves.

O Muriel é um líder da equipe e com certeza deixa uma lacuna a ser preenchida, dentro e fora de campo. Na preparação, o André [Carvalho, treinador de goleiros] e o Marcão, tem que conversar com o Agenor, o Marquinhos [Marcos Felipe] e passar confiança. O próprio Muriel, por se tratar de um momento assim, precisa estar junto do grupo e dar essa força. Quem quer que esteja em campo, é importante passar confiança. O apoio, tanto da torcida como do estafe, para quem vai entrar, será fundamental", declarou Berna.

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Um dos destaques em 2010, Berna também estava nos elencos que levantaram as taças da Copa do Brasil, em 2007, e do Brasileirão de 2012, o que lhe tornou o único jogador da história do clube com três títulos nacionais conquistados. Em sua época de goleiro, ele viveu situações das mais distintas. O momento do Flu, hoje, é bem difícil, mas o ex-camisa 1 acredita na recuperação do seu time de coração.

"Estou sofrendo junto com o torcedor (risos). Acompanho mesmo que esteja longe. Recebi diversos convites para assistir ao jogo na torcida, mas tenho desenvolvido projetos pessoais, na área de gestão. Tenho um carinho muito grande pelo clube, nunca neguei as raízes e sou muito grato por tudo o que vivi. A situação não é simples, vai exigir muito empenho de todos para a uma permanência na Série A, que é fundamental pro futuro do clube. Tenho muitos amigos no clube e torço para que a gente volte a mostrar nossa força e saia dessa", disse.

Ricardo Berna também creditou à lesão na mão - sofrida em disputa de bola com o atacante Guerrero, que estava impedido - as falhas que Muriel cometeu no jogo contra o Internacional. Ele lembrou passagens de sua carreira onde as contusões o atrapalharam, até por não saber, em campo, a gravidade do que havia sofrido.

"As falhas na minha opinião com certeza foram por causa da lesão. É instinto, natural. Pensamento dele era proteger o gol, fazer a defesa, mas o corpo reage a essas situações. Em 2011, mudou o treinador [Abel Braga assumiu o Flu], e no primeiro jogo, contra o Atlético-GO, sofri uma pancada e fraturei a costela. Naquele momento estava muito bem fisicamente, vivia grande fase, senti a dor, continuei jogando e só descobri depois. Superei a dor, fui para o jogo contra o Corinthians no Pacaembu e falhei. O Muriel não sabia, sentiu, continuou porque uma substituição poderia atrapalhar o trabalho. No sangue quente, você não sente. O atleta convive com dores, supera limites para alcançar a alta performance", analisou.

Companheiro de posição de Marcos Felipe desde que o jovem subiu aos profissionais do Flu, Berna elogiou o jovem criado em Xerém, dando uma "força" para que ele dê o passo à frente para ajudar o Tricolor na situação difícil. O ex-goleiro sabe bem do que está falando. Em 2010, ele era reserva até assumir a posição e se tornar um dos pilares do time tricampeão brasileiro.

"O Marquinhos tem um potencial tremendo. É técnico, veloz, forte, bom de grupo. Está na hora de entrar, e ele tem que estar muito bem fisicamente e tecnicamente para ajudar. É importante ter a consciência que a base é diferente do profissional. Ele tem que buscar essa perspectiva, trazer essa bagagem da carreira vencedora na base, sem se apoiar nisso. Saber o papel que ocupa no elenco. Quem entrar tem que mostrar no momento decisivo. Não basta só ser um bom goleiro, tem que mostrar essa confiança para todos acreditarem nele", opinou.

BRUNO HADDAD/FLUMINENSE F.C.
Imagem: BRUNO HADDAD/FLUMINENSE F.C.


Formado em educação física, o tricampeão nacional hoje é coach, analista comportamental e estuda a área de gestão esportiva. Por isso, destacou o fator mental para que os jogadores tirem o Tricolor da situação difícil no Brasileirão.

"Você tem que se preparar para jogar sempre. Eu fazia isso. Me preparava para estar em campo e ser o número 1. Muitas vezes não aconteceu, e era frustrante. Isso fortaleceu minha parte mental. É um trabalho diário. O futebol é dinâmico, a oportunidade de ouro pode vir a qualquer momento e o jogador tem que acreditar. O desenvolvimento da competência emocional é o que determina os campeões, vencedores dos que apenas se seguram na profissão. Os atletas precisam trabalhar para ter essa consciência, isso será fundamental para que saiam dessa situação".

Com 34 pontos, o Fluminense é o 17º colocado do Campeonato Brasileiro. Com Ricardo Berna na torcida, o Tricolor recebe o Atlético-MG, no sábado (16), às 19h, no Maracanã, precisando vencer para deixar a zona do rebaixamento.

Esporte