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Baleia atrapalha brasileiros que buscam recorde em volta ao mundo

Brasileiros Neto e Lucas querem seguir o sonho de dar a volta pelo mundo - Arquivo Pessoal
Brasileiros Neto e Lucas querem seguir o sonho de dar a volta pelo mundo Imagem: Arquivo Pessoal
do UOL

Beatriz Cesarini

Do UOL, em São Paulo

17/09/2019 04h00

Os irmãos Celso Pereira Neto, de 27 anos, e Lucas Faraco Pereira, de 23, querem se tornar os mais jovens brasileiros a dar a volta ao mundo em um veleiro. Há mais de um ano, a dupla partiu de Ubatuba, no litoral de São Paulo, e embarcou na aventura, mas ainda não conseguiu concretizar o sonho. O motivo? Uma baleia.

Quando estavam na Polinésia Francesa, Neto e Lucas sentiram um forte tranco na parte inferior do veleiro "Katoosh", que perdeu o rumo e acabou descontrolado. Um dos irmãos mergulhou no mar para verificar o que tinha acontecido e ficou sem chão ao ver que o barco estava sem leme. Segundo análise da dupla, uma baleia se chocou com a embarcação e causou o grande estrago.

Dupla brasileira vem de família de velejadores  - Reprodução/Instagram
Dupla brasileira vem de família de velejadores
Imagem: Reprodução/Instagram

"Eu voltei da água, falei com meu irmão. Ficamos um tempo sem entender. E a partir daí foram quase quatro horas à deriva. A parte pior é que coincidiu de estarmos sem o leme e entrar a pior tempestade dos últimos anos na Polinésia. Nos vimos no meio de uma tempestade muito forte, sem nem conseguir controlar o barco. E como estávamos no meio de muitas ilhas, tivemos que fazer de tudo para não chocarmos", explicou Lucas.

Para evitar o choque, os dois chegaram a prender travesseiros, almofadas e mochilas em um cabo de 100 metros de comprimento jogado ao mar. A estratégia deu certo e a velocidade do barco caiu para 2,6km/h.

Neto e Lucas tiveram que deixar o Katoosh na Polinésia e retornar ao Brasil para resolver o problema com o leme. Os irmãos conseguiram comprar uma nova peça, mas agora enfrentam uma nova adversidade: levar o aparato responsável pela direção do veleiro até a Polinésia. Enquanto isso, uma pessoa visita a embarcação semanalmente para verificar se está tudo certo.

"A gente já comprou um novo leme aqui no Brasil. Custou R$ 4 mil, mas não mandamos lá para a Polinésia ainda. A gente só conseguiu uma empresa para levar, e o orçamento saiu 6 mil dólares. Mas fica inviável. Nosso plano B é fazer lá, mas temos dificuldade de mão de obra e material. É mais fácil levar o leme aqui do Brasil", falou Lucas.

A dupla já passou por 18 países e dezenas de cidades e ilhas antes do acidente. No fim de outubro, Lucas e Neto planejam retornar para a Polinésia para reencontrar o Katoosh e reiniciar a missão.

Dupla quer dar continuidade a sonho dos pais

Neto e Lucas viveram os primeiros anos de vida com os pais no veleiro Katoosh  - Arquivo Pessoal
Neto e Lucas viveram os primeiros anos de vida com os pais no veleiro Katoosh
Imagem: Arquivo Pessoal

O amor pelo mar começou graças aos pais de Neto e Lucas, Celso e Cláudia. Em 1987, o casal abandonou a vida na cidade grande, vendeu a empresa e começou a construção do Katoosh. Após dois anos em alto mar, a tripulação do veleiro aumentou com a chegada do primogênito Neto e, em seguida, do mais novo Lucas.

"Quando meu irmão fez seis anos de idade, meus pais sentiram a necessidade de colocarem ele numa escola, para ele ter contato com outras crianças... Aí eles decidiram parar em Ubatuba, mas continuamos com o barco lá, ele sempre foi usado. Nos formamos, acabamos a escola, seguimos o fluxo, ritmo comum da coisa, ingressamos na faculdade e foi a primeira vez que ficamos longe do mar, longe do barco. Entramos na faculdade no sul de Minas Gerais, em Lavras, eu em engenharia mecânica e o Neto em engenharia mecatrônica", explicou Lucas.

O amor pelo mar fez Lucas e Neto abandonarem os respectivos cursos na faculdade. Eles não se sentiam confortáveis com a 'vida em terra firme'. Juntos, os irmãos, então, decidiram dar continuidade ao sonho dos pais e resolveram se tornar a tripulação mais jovem brasileira a dar a volta ao mundo em um veleiro.

"A gente estava nadando contra a corrente. Abandonamos a faculdade, voltamos para Ubatuba, trabalhamos com o barco, levantamos dinheiro, reformamos o barco todo e decidimos sair pra nossa viagem", contou Lucas.

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