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Marcelo Gallardo leva River ao topo e fica entre seleção argentina e Europa

Marcelo Endelli/Getty Images
Imagem: Marcelo Endelli/Getty Images

21/11/2019 11h22

Um técnico visionário que construiu um estilo e conduziu o River Plate ao topo, um ex-jogador elegante que levou seu talento à França: ninguém na Argentina é indiferente quando o assunto é Marcelo Gallardo, que poderá no futuro assumir a seleção de seu país ou engrandecer seu nome na Europa.

Aos 43 anos, Gallardo é o técnico mais vencedor da história do River Plate.

Desde que assumiu o comando da equipe em junho de 2014, Gallardo, um ídolo da torcida 'milionária' como jogador nas décadas de 1990 e 2000, conquistou 10 títulos (sete internacionais e três domésticos) em 13 finais disputadas.

E, neste sábado em Lima diante do Flamengo, disputará sua terceira final de Copa Libertadores como treinador, após ganhar as edições de 2015, contra o Tigres mexicano, e 2018, diante do arquirrival Boca Juniors.

"Eu esperava ir bem. Me preparei para que ir bem. Mas viver o que vivemos nesse período, não esperava. Muitos acontecimentos se sucederam que irão marcar época na história do clube", confessou Gallardo.

"Quando nos reunimos pela primeira vez com Enzo (Francescoli, diretor do River e responsável por contratar Gallardo), além da vontade de montar uma boa equipe, queríamos marcar uma linha de trabalho e de conduta que nos mobilizasse", lembra.

"Queríamos gerir algo sólido, a partir do trabalho, da seriedade e do compromisso, que fosse colocado em prática e alcançasse objetivos. Às vezes é possível, às vezes não", completou Gallardo, comandante de um River que três anos antes de sua chegada vivia a pior fase de sua história após ser rebaixado.

O abraço de Guardiola

A era Gallardo no River Plate tem sido tão "monumental" quanto o nome do estádio do clube.

Gallardo é o autor intelectual do sucesso futebolístico do clube ao impor um estilo de jogo que não depende tanto da individualidade dos jogadores, uma filosofia validada por uma sucessão de títulos.

"Não entendo como Gallardo não foi nomeado entre os melhores técnicos do mundo, não só por um ano, mas por tanto tempo. O que ele fez no River é incrível, a nível de resultado, de consistência ano após ano", questionou recentemente Pep Guardiola, outro revolucionário técnico de futebol.

O River aposta em uma esquema 4-1-3-2 com um futebol ofensivo, ambicioso, com rápida circulação da bola e pressão constante na defesa adversária.

Agora, no horizonte do popular clube argentino aparece o Flamengo, melhor equipe do futebol brasileiro e que ganhou na base do bom futebol e de resultados convincentes o direito de disputar a final da Libertadores pela primeira vez desde 1981, quando Zico e companhia foram campeões do continente e do mundo.

"Duas ótimas equipes vão se enfrentar. Merecem estar na final. O Flamengo foi de menos a mais, derrotou o Grêmio (nas semifinais). Vinha mostrando coisas positivas, mas nem sempre teve a possibilidade de jogar assim. Sofreu com o Emelec (nas oitavas) e hoje está em um grande momento, líder do Campeonato Brasileiro e finalista da Copa", analisou Gallardo.

O futuro

O futuro de Gallardo parece estar alinhado com a seleção argentina.

O ex-jogador é um forte candidato para assumir o cargo de técnico da Argentina das mãos de Lionel Scaloni, que não tinha experiência por clubes quando tomou as rédeas da seleção como interino após a demissão de Jorge Sampaoli, demitido depois da Copa do Mundo da Rússia-2018.

"Eu preciso pensar em minha saúde, no meu tempo e também em ser feliz. Depois de cada ano em repenso minha situação. Não tenho opinião formada para refletir sobre o que quero fazer, e é algo que todos deveríamos fazer. Por enquanto estou feliz e isso não quer dizer nada. Não é questão de ganhar ou perder. Tenho que ver como estou", explicou Gallardo, que tem contrato com o River até 2021.

O ex-jogador e hoje técnico Diego Simeone, outro nome constantemente vinculado ao futuro da seleção Argentina, já deu seu aval para que Gallardo seja o escolhido.

"É o melhor que podemos buscar. Ele está muito bem à frente do River há muitos anos, conhece o que o futebol argentino precisa, sabe o que as pessoas sentem nas ruas. Ele está próximo. Não quero propor seu nome, mas estou falando do ponto de vista do sentimento", confessou o atual técnico do Atlético de Madrid.

A Europa também é uma possibilidade. A França é um destino conhecido para Gallardo, que defendeu como jogador as camisas do Monaco e do Paris Saint-Germain. E as palavras de Guardiola têm peso para que o nome do argentino seja considerado seriamente no bilionário mercado do velho continente.

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