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Balé da morte e poucas balas: Como "John Wick" revolucionou o cinema de ação?

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Cena de "John Wick 3: Parabellum" Imagem: Reprodução
do UOL

Rodolfo Vicentini

Do UOL, em São Paulo

2019-05-19T04:00:00

19/05/2019 04h00

"John Wick 3: Parabellum" chegou aos cinemas nesta semana carregando a marca da saga: combates brutais, perseguições desenfreadas, coreografias precisas de luta, clima sombrio e uma pitada de humor. Porém, a franquia comandada pelo diretor Chad Stahelski -- que foi dublê de Keanu Reeves em "Matrix" (1999) -- revolucionou o cinema. E às vezes você nem percebeu. Descubra a seguir como "John Wick" passou de um filme de orçamento modesto para uma força no gênero ação.

Pouca munição

É desesperador ver John Wick lutando com três ou quatro pessoas e sendo obrigado a lembrar quantos pentes de bala faltam. Isso mostra que os filmes carregam um realismo pouco visto no cinema. Os grande projetos de ação são calcados em 1) efeitos visuais exagerados; 2) cenas clichês impossíveis e 3) munição infinita.

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Keanu Reeves e Halle Berry em "John Wick 3: Parabellum" Imagem: Divulgação

Keanu Reeves, no papel do protagonista, se vira com o que tem ao seu alcance. Ficou sem balas? Sem problema, temos aqui uma faca. A faca quebrou? Sem problema, pegamos um abajur de vidro ou um pedaço de madeira. A intenção aqui é mostrar como seria uma luta na vida real, e não um momento épico em que o herói pula de um helicóptero em câmera lenta ou distribui mais de 30 tiros com uma pistola.

Artes marciais

Keanu Reeves teve aulas específicas de Jiu-Jitsu, judô, aikidô e kung fu para o filme. Ele já tinha uma noção das artes marciais quando fez "Matrix", mas foi obrigado a aprimorá-las para viver o assassino. O ator foi aluno do brasileiro Jean Jacques Machado, considerado um especialista no Jiu-Jitsu e que já treinou inúmeras estrelas de Hollywood.

É curioso ver na trilogia como Wick tem alguns golpes característicos que sempre são utilizados, uma espécie de ataque de segurança. Isso deixa o combate mais real (como falamos anteriormente) porque coloca o Baba Yaga (o "Bicho-Papão", como os adversários o chamam) como um ser humano de carne e osso com recursos limitados. Junte-se a tudo isso muitas armas, uma homenagem a um estilo de "artes mistas" que o diretor John Woo popularizou nos anos 80 e 90.

O balé da morte

No primeiro filme, Chad Stahelski contou com a ajuda de David Leitch na direção. A dupla usou os 20 anos de experiência como dublê para salientar como uma cena de ação pode ser filmada de maneira diferente. Toda a coreografia dos atores nos combates era acompanhada pela câmera, que também fazia uma espécie de dança para casar com o roteiro.

A autenticidade das cenas fica completa com o trabalho de Keanu, que faz a maior parte dos movimentos e deixa os dublês apenas para acidentes de automóveis ou quedas bruscas. Os takes são longos e eliminam as edições constantes que vemos em outros filmes, dando a ideia de uma sequência de ação.

Reprodução/Twitter
Pôster de "John Wick 3" Imagem: Reprodução/Twitter

Detalhes do enredo

"John Wick" pode não ter um dos enredos mais crativos do cinema -- uma vingança desenfreada após a morte da mulher e de seu cachorro --, mas traz o mundo e energético do submundo do crime. O Hotel Continental, uma franquia espalhada pelo mundo que serve como refúgio para assassinos, tem a sede em Nova York comandada pelo charmoso Winston (Ian McShane).

É proibido terminar seus "negócios" dentro de cada estabelecimento, caso contrário você é morto. E não pense que há poucos assassinos por aí. Eles estão camuflados nas grandes cidades, ou até fazem pactos com famílias do crime para garantir sua segurança. Esse organismo vivo escondido nas grandes metrópoles deixa "John Wick" ainda mais estiloso e romântico, praticamente um mundo sombrio de sonhos em que tramas se desenrolam sobre nossos pés e nem imaginamos. Falta esses detalhes nos filmes de ação, que recorrem a clichês fáceis e não desenvolvem o contexto em que os enredos estão inseridos.

Trailer de "John Wick 3: Parabellum"

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