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Foco de críticas, laterais veteranos se reinventam com Tite na seleção

 Pedro Martins / MoWA Press
Daniel Alves, durante partida entre Brasil e Bolívia na Copa América Imagem: Pedro Martins / MoWA Press
do UOL

Danilo Lavieri, Marcel Rizzo e Pedro Lopes

Do UOL, em Salvador

2019-06-17T04:00:00

17/06/2019 04h00

Veteranos, Filipe Luís (33) e Daniel Alves (36) geraram algumas críticas a Tite na convocação da seleção brasileira para a Copa América. Os questionamentos, entretanto, não foram pela qualidade técnica, mas sim pela idade que ambos terão em 2022, no encerramento do ciclo para o Qatar. Pressionado para renovar o elenco, o treinador brasileiro tem nos laterais uma função fundamental em seu esquema de jogo.

Na entrevista coletiva de ontem, Dani Alves utilizou diversas vezes o termo reinvenção. Defendendo seu rendimento, o lateral do PSG explicou em termos táticos o que considera um novo papel dentro de campo: auxiliar na construção das jogadas se deslocando mais para o meio, fugindo do papel tradicional de chegada à linha de fundo.

Isso adquire mais importância agora que, sem Neymar, Tite utiliza David Neres, canhoto, na esquerda, e Richarlison, destro, na direita, criando a tendência que ambos conduzam a bola para os pés mais fortes e acabem atuando como pontas mais tradicionais.

"Na nossa profissão, quando bate uma certa idade, começa a ser desacreditado. Nós temos que fazer, mostrar. Tive que me reinventar porque o futebol mudou, já não joga mais com laterais apoiando todo o tempo por fora, clubes e seleções jogam com pontas. Eu consegui entender isso rapidamente, hoje eu jogo de uma maneira que sempre pensei, na criação, no serviço dos companheiros. A posição não deveria chamar lateral, deveria chamar amigo de todos né. Acho que consegui captar essa mensagem", explicou.

Não foi a primeira vez que o assunto surgiu. Desde o início da preparação para a Copa América, em Teresópolis, Tite e seu auxiliar Cleber Xavier têm procurado explicar a função dos laterais em seu modelo de jogo. Além da comissão técnica, Filipe Luís também falou sobre o tema.

"O Tite quer que a gente ajude na construção, jogue mais por dentro, para ajudar a organizar, não permita contra-ataques e eu adoro jogar assim. No meu início no juvenil e nos primeiros anos de profissional eu era meia, então me sinto cômodo assim. Prefiro jogar até mais por dentro do que por fora. Jogar assim dá mais estabilidade, podemos achar as linhas de passe, porque no meio tem o passe entre linhas e o passe para jogadores por fora", disse o lateral esquerdo, na semana passada.

A amostra da Copa América, até agora, é pequena, mas corrobora a função explicada pelos laterais brasileiros. Na vitória diante da Bolívia por 3 a 0 na última sexta-feira, Filipe Luís deu 72 passes, mais do que qualquer jogador do meio campo ou do setor ofensivo. Dani Alves, com 65, ficou perto, mas atrás de Casemiro, que teve 70 passes.

Filipe também foi o jogador que mais tocou na bola na partida, com 100 toques. Dani teve 89 toques, atrás apenas de Filipe, Casemiro (91) e dos zagueiros Thiago Silva (93) e Marquinhos (94). Todos os números são do site Whoscored.

"Como temos jogadores taticamente agudos dos lados, às vezes eles vão para dentro conforme o desenho. Os laterais são mais passadores, e os dois têm a virtude de jogar assim. Eles podem dar o passe aos jogadores mais avançados", disse Tite, depois da goleada sobre Honduras por 7 a 0 no último dia 9.

A liberação dos laterais para criar pelo meio foi um dos motivos da opção de Tite por Fernandinho na vaga do lesionado Arthur na estreia diante da Bolivia. Arthur treinou normalmente ontem, trabalhando entre os titulares, e pode voltar ao time diante da Venezuela, na terça-feira.

Com o volante do Barcelona, a seleção perde em marcação, mas ganha justamente na construção de jogadas. A tendência, caso a troca se confirme, é que o ex-gremista divida a tarefa de iniciar as jogadas pelo meio com os laterais.

O confronto diante da Venezuela será às 21h30, na Fonte Nova. Pela primeira fase da Copa América, a seleção ainda encara o Peru, no dia 22, na Arena Corinthians, em São Paulo.

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