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Antigos israelitas fumavam maconha, aponta estudo

02/06/2020 13h33

Jerusalém, 2 Jun 2020 (AFP) - Os antigos israelitas fumavam maconha para se aproximar de Deus? Provavelmente, acreditam pesquisadores israelenses que descobriram recentemente vestígios dessa substância em um antigo local religioso no reino de Judá.

A descoberta despertou há alguns dias a atenção da mídia e o interesse nas redes sociais em Israel, onde a polícia se vangloria toda semana de confiscar plantas de maconha e prender traficantes.

No entanto, o uso terapêutico desta planta é permitido no país. De acordo com um estudo publicado em 28 de maio pela Universidade de Tel Aviv, esse amor pela maconha não é algo novo, mas vem da Idade do Bronze.

Arqueólogos escavaram o local de Tel Arad, no deserto de Negev, perto do Mar Morto e da Cisjordânia, e descobriram traços de incenso e cannabis.

Neste local, usado como ponto de peregrinação no século 8 a.C, os arqueólogos se interessaram por dois altares.

"A descoberta de maconha no menor (dos altares) foi uma surpresa. Esse Arad permite estabelecer provas do uso de maconha no antigo Oriente Médio", diz um artigo publicado na revista arqueológica da Universidade de Tel Aviv pela equipe de pesquisadores liderada pelo professor e especialista Eran Arié, do Museu de Israel, em Jerusalém.

O uso "de substâncias alucinógenas era conhecido em muitas outras culturas vizinhas, mas esta é a primeira evidência conhecida de uma substância alucinógena no reino de Judá", disseram os pesquisadores, acrescentando que precisam de mais tempo para entender melhor essa prática.

"A presença de maconha em Tel Arad demonstra o uso de substâncias que alteram as percepções da mente nos rituais de adoração" neste reino judaico, estabelecido de 931 a 586/587 aC, explicam.

"Parece provável que a maconha tenha sido usada deliberadamente em Tel Arad como um agente psicoativo para estimular o êxtase em cerimônias religiosas", continuam os pesquisadores.

Localizado ao sul do antigo reino de Israel, o reino de Judá, também conhecido como Judéia, se estendia, segundo fontes bíblicas, sobre um território que hoje se sobrepõe parcialmente à Cisjordânia, um território palestino ao qual o Estado Hebraico planeja anexar peças. Este reino foi destruído durante o reinado de Nabucodonosor II, rei da Babilônia.

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