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Por que "resultado analítico adverso" de Bruno Henrique não é doping

Bruno Henrique em ação durante partida entre Flamengo e Ceará, no último dia 27 - Thiago Ribeiro/AGIF
Bruno Henrique em ação durante partida entre Flamengo e Ceará, no último dia 27 Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
do UOL

Demétrio Vecchioli e Pedro Ivo Almeida

Do UOL, em São Paulo

13/12/2019 22h18

Um exame realizado por Bruno Henrique, atacante do Flamengo, em meados de agosto apontou "resultado analítico adverso". A comissão de dopagem da CBF, porém, informou ao Flamengo que a Agência Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) deu o caso como encerrado no dia 14 de novembro, quase três meses depois. Dessa forma, o jogador está liberado para jogar o Mundial de Clubes a partir de terça-feira (17).

O resultado não foi considerado uma violação de regra antidopagem porque a substância Brinzolamida é permitida para fins oftalmológicos. Bruno Henrique sofreu uma grave lesão no olho quando ainda atuava pelo Santos, no começo da temporada 2018, e faz uso do medicamento regularmente.

O exame antidoping foi realizado depois do clássico entre Flamengo e Vasco, em Brasília, pela 15ª rodada do Brasileirão, no dia 17 de agosto. O time rubro-negro venceu por 4 a 1. Bruno Henrique abriu o placar.

O UOL Esporte ouviu membros do departamento médico do clube carioca, da comissão de dopagem da CBF e da Agência Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) para esclarecer o caso.

A reportagem obteve na íntegra da mensagem da Comissão de Dopagem enviado ao Flamengo. O e-mail informou sobre a decisão da ABCD de encerramento do caso, sem questionamentos da Fifa e da Wada (Agência Mundial Antidoping).

Casos parecidos

O blog "Olhar Olímpico" chegou a escrever sobre isso na quarta (11), quando noticiou que a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) encontrou 57 resultados analíticos adversos (os casos "positivos) em 2019, com 26 suspensões aplicadas, 27 casos em revisão inicial e quatro casos em houve entendimento de que não houve violação nas regras.

O de Bruno Henrique é um desses quatro. No futebol brasileiro, os exames pós-jogo são sempre colhidos por uma empresa contratada pela CBF. De tempos em tempos a confederação manda uma pessoa até Los Angeles, onde os exames são entregues no laboratório antidoping local. O resultado do exame é enviado pelo laboratório à Fifa, à Agência Mundial Antidoping (Wada) e à ABCD.

Como o exame foi realizado no Brasil, por uma entidade brasileira, coube à ABCD fazer a gestão de resultados. Isso é: checar informações para averiguar se o resultado positivo é passível de punição. No caso de Bruno Henrique, não era, porque a utilização da substância brinzolamida não foi ilegal.

A ABCD tem também uma comissão médica, independente, que avalia pedidos de Autorização de Uso Terapêutico (AUT). Quando um atleta tem uma doença ou lesão que precisa ser tratada com uma substância proibida no código antidoping, um médico apresenta o diagnóstico e faz o pedido da exceção, que pode ou não ser concedida.

O Brasil tem um caso notório. O nadador Pedro Spajari descobriu ser portador da síndrome de Klinefelter, uma rara condição genética que o faz nascer com mais cromossomos X do que o normal. O tratamento passa por aplicações de testosterona, listado como substância dopante. As injeções, porém, são essenciais no tratamento da síndrome e, por isso, a federação internacional de natação concedeu a ele e AUT.

O caso de Bruno Henrique é mais corriqueiro. É sabido que, em 2018, ainda no Santos, ele sofreu cinco lesões de retina. O tratamento exigia, no entender dos médicos, o consumo de remédios que contêm a brinzolamida. Por isso foi solicitada, e concedida, a AUT. Além disso, no caso do jogador do Flamengo, existe o fato de o uso da brinzolamida para fins oftalmológicos não ser proibida, somente por ingestão.

O flamenguista, porém, não é o primeiro atleta prejudicado por noticiário negativo por resultados analíticos adversos. Em 2016, em meio ao escândalo de doping da Rússia, hackers aparentemente russos publicaram resultados analíticos adversos de atletas norte-americanos de destaque, como Simone Biles e Venus Williams, e parte da imprensa os tratou como doping. Todos, porém, tinham autorização para o uso daquelas substâncias.

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