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UOL recebe 3 troféus na principal premiação do jornalismo esportivo de SP

Equipe do UOL Esporte com os troféus de Furo do Ano e Melhor Matéria de 2019 no prêmio Aceesp 2019 - Gaspar Nóbrega/Aceesp
Equipe do UOL Esporte com os troféus de Furo do Ano e Melhor Matéria de 2019 no prêmio Aceesp 2019 Imagem: Gaspar Nóbrega/Aceesp
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Do UOL, em São Paulo

06/12/2019 22h12

O UOL Esporte recebeu três prêmios no Troféu Aceesp 2019, a principal premiação do jornalismo esportivo em São Paulo. Os vencedores foram premiados nesta sexta-feira (6), em evento que aconteceu no Museu do Futebol, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo.

A matéria "Neymar é acusado de estupro em Paris, mulher registrou BO em SP" recebeu o prêmio de Furo de Reportagem. O relato "Filho do goleiro Bruno quer mudar o nome e tem medo do pai" foi eleito como a Melhor Matéria de 2019. Em Opinião, o jornalista Luís Augusto Símon, autor do Blog do Menon, foi o vencedor pelo terceiro ano seguido.

Luis Augusto Símon, do Blog do Menon (direita), recebe troféu de Opinião - Blogueiro ao lado de Caio Ribeiro (Opinião - Ex-Atleta) e Vinicios Oliveira (assessor do Santos, premiado na categoria) - Gáspar Nóbrega/Aceesp
Luis Augusto Símon, do Blog do Menon (direita), recebe troféu de Opinião - Blogueiro ao lado de Caio Ribeiro (Opinião - Ex-Atleta) e Vinicios Oliveira (assessor do Santos, premiado na categoria)
Imagem: Gáspar Nóbrega/Aceesp

"Eu sabia que a notícia era grande, mas só tive ideia do quão grande era quando vi a história circulando o mundo, outros veículos dando crédito para a gente", conta o repórter Danilo Lavieri, um dos responsáveis pelo furo de reportagem sobre a acusação de estupro feita contra Neymar. Ele explica os bastidores da notícia:

"Estávamos no treino da seleção durante a preparação para a Copa América pela manhã. Voltamos ao hotel para preparar materiais para o dia seguinte e, assim que chegamos, recebemos o boletim de ocorrência do Luís Adorno [repórter do UOL]. Quando vi, tive certeza de que era fake", explica o jornalista.

"Começamos a apurar, checar dados, tentar ver se as informações batiam com a realidade. Depois de muito trabalho, tivemos a certeza de que era verdade. Era muito complexo: estávamos falando do principal jogador do país, camisa 10 da seleção, acusado de algo extremamente grave. Era preciso apurar muito bem para não cometer qualquer equívoco", diz.

O boletim de ocorrência emitido por Nájila Trindade, em maio, chegou às mãos do repórter Luís Adorno por meio de uma fonte. "Eu tinha contato com uma policial civil que trabalha em uma Delegacia da Mulher. Ela me escreveu durante as minhas férias e disse que uma mulher havia acabado de prestar uma queixa contra Neymar. Minutos depois, me mandou o boletim de ocorrência. Enviei o arquivo para os colegas do UOL Esporte e mantive contato com os policiais que, diretamente, estavam envolvidos na investigação", conta Adorno.

O blogueiro e jornalista Marcel Rizzo, que também assina o texto, relembra a delicadeza da apuração que envolveu a checagem da notícia. "Tudo explodiu naquela tarde. Era preciso confirmar a autenticidade do documento. Na era das fake news, o cuidado com a autenticidade tem que ser gigantesco. Acionamos contatos na polícia e advogados. [O repórter] Felipe [Pereira] foi à delegacia em São Paulo. Foi uma força-tarefa", diz.

"Enquanto tudo acontecia, comecei a escrever o texto. Conseguimos a confirmação ao mesmo tempo em que o documento começou a viralizar em grupos de WhatsApp. Publicamos com tranquilidade, já que tínhamos mais de uma fonte garantindo a autenticidade", afirma.

Felipe relembra a missão até confirmar a informação: "Passei por várias delegacias de São Paulo e não consegui nada. O Luís Adorno me passou o telefone da delegada e eu liguei algumas vezes. No momento em que ela atendeu, levei um susto. 'Doutora Juliana?', gritei, assustando-a", conta.

"Perguntei a respeito do BO e ela disse que não podia falar sobre. Argumentei, então, que se ela não podia falar sobre o assunto é porque o assunto existia. Depois de muito insistir, ela confirmou a existência da denúncia, mas me cortou assim que pedi mais detalhes. Não importava, eu tinha o que precisava: a confirmação de que o caso era real", relembra Felipe.

O UOL preza pela veracidade da informação. Por isso, o jornalista Pedro Lopes ficou responsável por conseguir o outro lado com o estafe de Neymar. "Foi uma das coisas mais difíceis que já fiz, ter de ligar para alguém, explicar o que tínhamos e questionar sobre uma acusação de estupro contra o jogador mais importante dessa década aqui no Brasil", diz.

"Acho que, naquela hora, ninguém —nem eu— tinha muita noção do que essa reportagem causaria. Isso foi ficando claro com o passar dos dias, com o caso dominando completamente o noticiário pelo mês inteiro", afirma.

Sobre a conquista do troféu Aceesp 2019 na categoria "furo de reportagem", Lopes afirma que, mesmo com a urgência de noticiar um caso, a ética vem em primeiro lugar. "Dar o 'furo' envolve um investimento gigante, inclusive emocional, uma responsabilidade enorme, zero margem de erro. Acho que o prêmio é por isso, sinto que os colegas que escolheram a gente entendem e reconhecem isso".

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Vencedor da categoria "Melhor Matéria de 2019" com a reportagem "Filho do goleiro Bruno quer mudar de nome e tem medo do pai", o repórter José Edgar de Matos relembra o nascimento da pauta:

"O retorno do Bruno aos gramados me chocou. Ele foi ovacionado por um monte de gente, por crianças e adultos, mesmo sendo o mandante de um crime de feminicídio bárbaro. Na hora, pensei: 'Como será que a mãe da Eliza Samudio recebeu essa notícia?'", conta.

O mesmo passou pela cabeça da repórter Talyta Vespa. Em uma tentativa de contato com Sônia, os jornalistas descobriram que ela e o neto, Bruninho, filho do goleiro, estariam em São Paulo na semana seguinte. "A ideia inicial era falar sobre a Sônia, mas eu tenho certeza de que o fato de a Talyta, por ser mulher, ter ido ao encontro dela fez com que ela se sentisse à vontade para falar do neto. Sônia se abriu. Foi nesse momento que a pauta mudou", explica o jornalista.

Talyta relembra a discussão entre a dupla e o editor responsável pelo texto, Giancarlo Giampietro, em relação à data de publicação da reportagem. "Era uma história pesada para o Dia das Crianças, então cogitamos esperar a semana seguinte. Mas, depois de muita conversa, chegamos à conclusão de que o Bruninho é uma criança que leva uma vida normal, apesar do grande trauma que molda sua vida. Por que esconder isso? É preciso falar disso", diz.

"Quando a matéria foi publicada, senti o impacto do que tínhamos feito. As pessoas começaram a debater sobre ela, houve uma repercussão social. O prêmio é um reconhecimento para toda a equipe do UOL Esporte. Uma coisa é fato: aqui, temos liberdade para cutucar feridas. Essa matéria é um pedaço de tudo o que a gente fez no ano. Foi para o UOL que o Diego Hypólito decidiu falar, pela primeira vez, sobre sua homossexualidade. Foi para a gente, ainda, que Kyle Fuller falou abertamente sobre racismo. Isso diz muito sobre a nossa equipe e é esse jornalismo que queremos continuar fazendo", conclui Matos.

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