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Sampaoli valoriza estabilidade no cargo e questiona ambiente do Palmeiras

Sampaoli assiste a jogo-treino do Santos das arquibancadas da Vila Belmiro - Ivan Storti/Santos FC
Sampaoli assiste a jogo-treino do Santos das arquibancadas da Vila Belmiro Imagem: Ivan Storti/Santos FC
do UOL

Eder Traskini

Colaboração para o UOL, em Santos

05/12/2019 04h00

Jorge Sampaoli ainda não definiu seu futuro. Cobiçado por Palmeiras e Racing (ARG), o técnico, que tem contrato com o Santos até o fim de 2020, se preocupa com a situação financeira do Peixe, mas, por outro lado, acredita que a Vila Belmiro apresenta um fator que lhe é muito caro: estabilidade no cargo.

Em diversas oportunidades, Sampaoli deixou claro seu pensamento de que, no Brasil, quando se perde jogos consecutivos o técnico se torna "imprestável", principalmente para a torcida. Se no Santos ele já ouviu tais críticas das arquibancadas, o mesmo não pode ser dito da direção: Sampaoli nunca esteve ameaçado e o cenário deve se repetir caso ele opte por ficar em 2020.

O argentino ainda não sentou para conversar com o Palmeiras, que surge como principal interessado, mas o ambiente que cerca a equipe da capital não agrada ao treinador. A demissão de Mano Menezes, a quem já referiu como "grande líder" em coletivas passadas, chamou a atenção. Mano teve três meses para trabalhar, e o Palmeiras ainda pode terminar o ano como vice-líder do Brasileirão.

Sampaoli já fez duras críticas ao modo como as coisas funcionam no Brasil no mercado dos técnicos e chegou a defender Fábio Carille quando o campeão paulista foi demitido pelo Corinthians. O carrossel de técnicos do Palmeiras, com nove profissionais empregados nos últimos quatro anos, não é bem visto pelo argentino. Ao UOL Esporte, pessoas próximas ao treinador chegaram a usar o termo "clube violento" para definir o modus operandi do Palmeiras.

"Há muito movimento de treinadores. Tem a ver com sociedade e meios de comunicação. Isso decanta em uma só pessoa. Jogadores e dirigentes se isolam porque sabem o responsável da adversidade. É um caso mais de um colega. Isso me amarga, amanhã será eu, seguramente. Com a particularidade de que somos descartáveis", chegou a dizer Sampaoli na época da demissão de Carille.

Em contrapartida, o relacionamento complicado com o presidente José Carlos Peres, a quem Sampaoli já dirigiu várias críticas durante o ano, pesa —e muito— pela saída. Sampaoli quer montar um time para ser campeão, mas desagrada ouvir do dirigente que 2020 será o ano de conquistar taças ao mesmo tempo que as dificuldades financeiras vividas pelo clube inibem a chegada de reforços e podem resultar em desmanche.

Durante a derrota de ontem para o Athletico-PR, o treinador ouviu novamente os gritos de "Fica, Sampaoli" da torcida santista que compareceu ao estádio e respondeu sobre o tema em coletiva, aproveitando para cutucar a direção.

"Torcedores do Santos têm obrigação e direito de pedir o que querem. Mas precisam pedir que o Santos seja cuidado como merece. Ter equipe ano que vem para ser campeão. Libertadores, Brasileirão, Paulista... Processo tem que ter base para o que venha. Que se aproveite o que foi feito neste ano", afirmou

Totalmente adaptado e apaixonado pela cidade de Santos, Sampaoli já disse que, como pessoa física, gostaria de ficar no clube, mas profissionalmente não poderia garantir. O treinador só irá definir seu futuro a partir de segunda-feira. Planejamento e estabilidade devem nortear sua decisão.

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