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"Por que estamos tão lentos?" Ferrari tenta entender a péssima estreia

Josep Lago/AFP
Sebastian Vettel Ferrari Imagem: Josep Lago/AFP
do UOL

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Londres (ING)

2019-03-20T04:00:00

20/03/2019 04h00

A Ferrari chegou à primeira etapa da temporada, em Melbourne, como favorita depois do ótimo desempenho dos testes da pré-temporada. Mas o que se viu foi o primeiro carro vermelho se classificando a 0s7 da Mercedes e, na corrida, terminando a quase um minuto dos rivais. A equipe fala em dificuldades de acerto, mas já existe a especulação de que o motor, o mesmo responsável pelo crescimento ferrarista ano passado, agora é seu ponto fraco.

A suspeita vem das baixas velocidades máximas atingidas em todos os pontos do circuito de Albert Park: a diferença em relação à Mercedes ficou em 8km/h, e em comparação com a Red Bull, chegou a 12km/h. Tanto, que quando Max Verstappen ultrapassou com facilidade Sebastian Vettel e lhe tomou o terceiro lugar na prova, o alemão perguntou via rádio. "Por que somos tão lentos?" E recebeu a resposta do chefe da equipe, Mattia Binotto, de que o time não sabia.

A especulação é de que a Ferrari teve de usar uma configuração mais conservadora nos motores devido ao calor, mesmo que, em Melbourne, os termômetros não tenham passado dos 23 graus ao longo do final de semana. Binotto, por sua vez, nega que o problema seja de potência em si e, de fato, há outros fatores que podem explicar a falta de velocidade.

"Foi um final de semana difícil, sofri muito com os pneus, mas vi que outros também tiveram problemas", disse Vettel. "O resultado que conseguimos [um quarto e um quinto lugares] não é bom, mas levamos para casa pontos importantes. Não poderíamos ter feito mais que isso e agora devemos entender rapidamente o que aconteceu antes da próxima corrida."

Ao longo do final de semana, o alemão e seu companheiro Charles Leclerc tiveram dificuldades com o acerto do carro, que era muito lento e instável na dianteira nas curvas de baixa e média velocidade. São justamente elas que levam às retas, o que ajuda a explicar por que a Ferrari era tão lenta em uma corrida que contou com dobradinha da Mercedes. Para completar, a Ferrari ainda sofreu críticas por ter ordenado que Leclerc, mais veloz no final da prova, não ultrapassasse Vettel.

Além disso, na tentativa de deixar o carro mais "grudado" no chão, a equipe usou configurações que prejudicam a velocidade de reta.

Para completar, o carro instável escorregava mais na pista e superaquecia os pneus, que se desgastaram mais que os dos rivais, o que explica por que Vettel, que antecipou sua parada, perdeu tanto ritmo no final - inclusive que em relação a Leclerc, que parou mais tarde.

O cenário não é dos mais animadores para os italianos, mas Binotto fez questão de lembrar que a pista mais travada de Albert Park nunca foi das melhores para a Ferrari.

"As condições eram certamente diferentes em relação a Barcelona - o circuito é mais ondulado e ventava muito mais, a temperatura e as condições climáticas eram diversas. Então há fatores externos que podem ter influenciado na performance do nosso carro", disse o chefe.

"Não encontramos a janela correta ou o melhor acerto para o carro. Não entendemos direito por que e precisamos analisar isso. O que temos certeza é de que o que vimos na corrida não é o potencial real do nosso carro. Temos certeza de que o potencial é maior, e não conseguimos explorar isso no último final de semana."

A próxima etapa da Fórmula 1 será dia 31 de março, no Bahrein. Assim como Albert Park, a pista não tem muitas curvas de alta velocidade, mas tem retas mais longas. O asfalto é bastante nivelado e a temperatura da pista não deve estar muito mais alta do que em Melbourne, pois a prova é disputada ao entardecer. Será um bom teste, portanto, para a Ferrari entender seu carro.

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