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Análise: Após 3 meses, Gugu Liberato segue insepulto nos tribunais

Gugu Liberato, morto em novembro, aos 60 anos, após um acidente doméstico nos EUA  - Reprodução
Gugu Liberato, morto em novembro, aos 60 anos, após um acidente doméstico nos EUA Imagem: Reprodução
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

do UOL

Colunista do UOL

18/02/2020 08h01

Resumo da notícia

  • Morte de Gugu em novembro desencadeia batalha jurídica
  • Familiares, a viúva e um suposto ex reivindicam parte da herança
  • 90% da fortuna deixada por Gugu estão em imóveis e negócios
  • Situação sucessória é complexa pois ele morreu e tinha bens fora do Brasil

A morte de Gugu Liberato está prestes a completar três meses, mas ainda está longe de qualquer desfecho judicial.

Como já disse aqui na coluna, Gugu nunca foi meu amigo próximo, embora tivesse e demonstrasse muito carinho e generosidade por mim desde que troquei a cobertura de política e administração pública pela de TV e famosos, em 1997.

Gugu (e sua assessora Esther Rocha) foi uma das primeiras celebridades da TV a me acolher e ajudar naquele ano em meu novo ofício de colunista de TV, na extinta "Folha da Tarde" (hoje jornal "Agora SP").

Dito isso, não tenho como analisar as atitudes e escolhas privadas e íntimas de Gugu, e estou certo que isso também não é da minha conta.

Mas, posso e pude, como jornalista, analisar seus erros públicos e as atitudes de quem o cercava e/ou convivia com ele.

Não porque eu queira, mas porque ele próprio, inconscientemente, e muitos dos vivos sobre a Terra já transformaram a tragédia de sua morte num circo de interesses e demandas.

Aparentemente Gugu deixou para trás frestas e brechas jurídicas em relação ao seu patrimônio e herança, apesar de toda experiência que tinha como empresário.

Para mim isso revela não só um certo despreparo, mas também seu lado humano.

Morte? Bate na madeira 3 vezes!

Como 99,9% da humanidade do passado, presente e futuro, creio que Gugu foi ingênuo e nunca se preparou de fato para a morte.

Ele obviamente não a esperava e não fazia a menor ideia de que ela o apanharia já aos 60 anos num acidente doméstico comezinho nos EUA.

Sim, ele poderia ter imaginado (ou sido aconselhado por alguém) que, com o patrimônio bilionário que tinha dentro e fora do país, sua morte poderia desencadear uma guerra nos tribunais. Fosse essa guerra entre familiares, interessados ou interesseiros.

Como disse, não fui íntimo dele e sei que há a possibilidade de Gugu nunca ter dado abertura a ninguém, nem mesmo a seus melhores amigos e assessores, a tocar no assunto da morte. Isso é provável e seria compreensível.

Deixou 90% do patrimônio em imóveis e negócios

Além disso, sejamos francos: mesmo se Gugu tivesse sido 100% precavido e deixado documentado tudo da forma juridicamente mais perfeita, ainda assim haveria a possibilidade de surgirem questionamentos de terceiros nos tribunais. De gente ao seu redor ou até mesmo fora dele.

Sim, ele deixou um documento registrado, a herança na qual declara a distribuição do patrimônio entre filhos, mãe e sobrinhos.

Mas, esse documento não é um instrumento perfeito e totalmente seguro no Brasil, e ainda há o agravante dele ter morrido fora do país e de também ter bens fora do país. A complexidade processual é muito grande.

Nem vou entrar nessa questão, que pode ser melhor estudada em obras de Haroldo Valadão, Zeno Veloso e Rolf Madaleno, entre outros mestres do direito sucessório e das heranças.

Segundo esta coluna apurou, Gugu deixou bem mais que o R$ 1 bilhão de patrimônio especulado na imprensa, e 90% desse patrimônio não está em espécie (dinheiro, aplicações, jóias etc), e sim em imóveis e negócios bem estáveis.

Os filhos, a meu ver, nessa história, são vítimas nesse processo.

Afinal, quem 100% isento poderia aconselhá-los? Em quem eles podem confiar?

Isso sem falar nos recém-chegados à notoriedade post-mortem, como o chef que agora reivindica união estável com Gugu —e consequentemente mais um naco da herança.

E ainda há outras pessoas que, segundo esta coluna também apurou, se preparam judicialmente para cobrar e brigar por um quinhão do que o apresentador deixou.

Podem apostar, vão aparecer mais pessoas cobrando direitos (existentes ou não) sobre o espólio.

Gugu foi enterrado, mas sua memória, legado e patrimônio continuam insepultos.

Ainda vão levar anos para que ele possa descansar em paz.

Se os vivos deixarem.

Ricardo Feltrin no Twitter, e site Ooops

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