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Entenda a reviravolta na fusão Disney-Fox no Brasil

Programa "Fox Sports Rádio" - Fox Sports
Programa "Fox Sports Rádio" Imagem: Fox Sports
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

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Colunista do UOL

13/11/2019 18h18

O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) decidiu hoje que vai revisar o processo de compra da Fox no Brasil pela Disney Company. A compra foi anunciada no início do ano.

Uma das condições do Cade para a efetivação do negócio no país (o acordo é internacional) foi que a Disney teria de se desfazer dos canais Fox Sports no Brasil.

Como ela já é dona da ESPN, o órgão de controle econômico entendeu que haveria concentração de conteúdo e determinou a venda especificamente dos canais Fox Sports.

Foi dado um prazo para a venda, jamais revelado. Sabe-se agora pela decisão pública do Cade de hoje que o prazo de venda chegou a ser adiado uma vez. Agora, porém, venceu de novo.

O que tudo isso significa?

Em primeiro lugar que a fusão Disney-Fox fica por ora suspensa no Brasil (no México ela também não foi aprovada).

Em segundo que o caso só volta à estaca zero no Brasil. Essa decisão não vai interferir na compra da Fox pela Disney nos EUA e no resto do mundo.

Há vários cenários que só serão definidos no próximo ano. A saber:

O governo federal tem acenado com a possibilidade de permitir o cruzamento de "propriedades" na mídia.

Por exemplo: uma operadora como a Claro Net poderia comprar os direitos de uma Copa do Mundo. Ou que a Simba (joint-venture entre Record, SBT e RedeTV) possa no futuro criar sua própria operadora.

Ou ainda que a Disney possa comprar os direitos do campeonato Brasileiro e assim por diante.

São cenários, porém eles mostram que há mais possibilidades que a Disney seja beneficiada com a decisão do Cade do que prejudicada.

O Cade havia determinado que a Disney tinha de vender a Fox, mas o órgão talvez possa entender no futuro que os canais tenham direito a se fundir, por exemplo.

Nesse caso todo o conteúdo e propriedades licenciadas (campeonatos e eventos esportivos) já adquiridos pela Fox possam ser transferidos para os canais ESPN.

Na verdade, segundo fontes ouvidas pela coluna nesta quarta-feira (13) hoje essa seria é a hipótese mais provável de ser aprovada pelo Cade: a fusão ESPN-Fox.

A única quase certeza que se tem é que os nomes Fox e Fox Sports não poderão ser usados pela Disney por muito mais tempo --não só no Brasil mas no resto do mundo também.

Isso porque a marca aparentemente continuará de propriedade de Rupert Murdoch no exterior.

A Globo, a Simba, a Warner e a Sky foram algumas das empresas que no ano passado pediram ao Cade a obrigatoriedade de venda da Fox Sports pela Disney.

De fato elas também podem ser beneficiadas caso o governo decida de fato alterar a regulamentação de propriedades de conteúdo e midiáticas no país.

Ricardo Feltrin no Twitter, Facebook e site Ooops

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