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Já pensou em um rodízio de vinho? Agora tem e com direito a repeteco

do UOL

Brunella Nunes

Colaboração para o Urban Taste, em São Paulo

17/08/2019 04h00

"Aqui todo mundo sai feliz", disse o garçom enquanto servia a décima taça da rodada. Foram necessárias mais cinco para entender que felicidade era essa. O Bocca Nera Bar inova ao trazer para São Paulo algo, até então, inusitado e pioneiro no país: um rodízio de vinhos com 15 variações, direito a avaliar cada uma e repetir à vontade os favoritos ao longo da noite.

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O descolado wine bar na Vila Madalena pertence a Rafael Ilan, um dos sócios do Bardega, que trouxe à capital um "self-service" de vinhos anos atrás. A proposta da vez é, segundo ele, descomplicar o consumo, apelando para rótulos mais democráticos e sem a preocupação de entender do assunto, mas sim de ter uma experiência divertida. "O hábito de beber vinho ainda é visto como uma coisa elitista e sempre associado a um momento mais formal. Meu objetivo é transformá-lo em algo normal, do dia a dia, sem toda formalização do serviço envolvido, que é abrir o vinho, ver a coloração, identificar aromas, descobrir de onde é?", explica.

Dos 60 rótulos da carta de vinhos, a seleção para o rodízio vai passando por alterações ao longo do tempo, se adaptando ao clima, por exemplo. "Não há uma data pré definida para fazer as trocas. Se está frio buscamos usar tintos mais encorpados. No calor, tiramos um tinto e incluímos um rosé por exemplo."

Segundo o proprietário, a ideia do rodízio é abordar variedades de países e uvas que deixem a experiência mais completa. "Sempre servimos espumantes, brancos, rosés, tintos e vinhos de sobremesa, unindo o novo e o velho mundo", diz.

Ao longo de toda a experiência, o que prevalece é o clima descontraído, sem espaço para a intimidação associada ao universo da enologia. A equipe, que faz um atendimento gentil e solícito, vai dando informações sobre cada rótulo servido, além de sugerir harmonizações com a comida. A taça é trocada apenas de um estilo para o outro, o que não é um problema dentro da proposta despojada.

No início é oferecido água -- que não é cortesia, mas indispensável para salvar da ressaca --, e um papel para que o cliente vá avaliando cada taça colocada à prova. A proposta é que se comece com espumante, mas nada é engessado. Cada pessoa pode customizar a ordem do que chega à mesa ou já optar pelos estilos mais agradáveis ao paladar.

Um dos pontos interessantes é a inclusão de bons rótulos nacionais, felizmente cada vez mais presentes nas prateleiras, dentro do sistema rotativo. Exemplo disso é o Selo Rosé, da Lidio Carraro, produzido na Serra do Sudeste, Rio Grande do Sul. O misto de uvas Pinot Noir, Merlot e Touriga resulta em uma bebida suave, frutada e fácil de beber.

Na sequência veio outro rosé, do Chile, porém mais encorpado e propício ao paladar dos enófilos. Nota-se que existe uma pequena evolução na cronologia de sabores e, quem sabe, o cliente sinta a diferença.

O bar oferece também uma boa oportunidade de se provar vinhos mais caros e renomados antes de investir, de fato, na compra. É o caso do Aussiéres, um Chardonnay da região de Languedoc, grande produtora de vinhos na França. A garrafa chega a custar em torno de R$ 90, mas na ocasião é possível se aventurar nas pequenas doses de degustação.

Tal característica foi apreciada pela sommelier Antonia Cruz, que visitou o bar por pura curiosidade em descobrir novos vinhos de uvas e regiões distintas, um ponto favorável para a profissão. "Para quem não gosta de um determinado estilo de vinho, lá é possível degustar todos pagando o valor de uma garrafa. Isso é sensacional! O fato de ter o vinho disponível para a venda no local também me fez dar alguns pontinhos extras", argumenta.

Entre apreciadores e curiosos, o bar tem dado muito certo, chegando a receber aproximadamente 800 pessoas por mês. Rafael conta que em média são consumidos 1 litro de vinho por pessoa a cada rodízio, com a maioria delas completando a missão de passar pelos 15 rótulos.

Para a designer Fabricia Ribeiro, que esteve no bar recentemente, com mais duas pessoas, a experiência fica mais divertida se for em grupo. "É legal por causa das diferentes percepções de cada um", contou. Ela aprovou a experiência e o custo-benefício. "Boa parte dos vinhos são medianos, mas faz sentido num rodízio. Eles não vão colocar 15 rótulos excelentes, senão a conta não fecha."

E fora isso rolam bons petiscos, pratos e sobremesas para forrar o estômago e não sair de lá em completa bebedeira. Um dos carros-chefes é a burrata caprese (R$ 58), acompanhada de rúcula, tomates, molho pesto e pães. Há também três tipos de risoto e gnocchi de abóbora (R$ 34) recheado com ricota e ervas ao molho de açafrão. Se o nível alcoólico continuar elevado, é hora de atacar os doces. A torta Banoffee (R$ 19), de banana com doce de leite e uma crosta de coco coberta com chantilly e canela, pode dar conta do recado. Pelo menos até a carona chegar na porta.

Vai lá:

Rua Mourato Coelho, 1160, Vila Madalena, São Paulo.
Terça a sábado, das 18h30 à 1h. Faça reserva se estiver em grupo.
R$ 79,90 (terça a quinta) e R$ 89,90 (sexta e sábado)
Mais informações pelo Instagram do Boca Nera Bar.

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