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Empresário chega com força à Ferroviária, mas não se desliga do São Caetano

Saul Klein (em foto de 2012) é o acionista majoritário da Ferroviária - Leticia Moreira/ Folhapress
Saul Klein (em foto de 2012) é o acionista majoritário da Ferroviária Imagem: Leticia Moreira/ Folhapress
do UOL

Rodrigo Viana

Colaboração para o UOL, em Araraquara

08/12/2019 04h00

O empresário Saul Klein, que ganhou notoriedade no mundo do futebol como mecenas do São Caetano durante o auge do clube, agora também é o acionista majoritário da Ferroviária. O herdeiro das Casas Bahia, que teria dado cerca de R$ 500 milhões à agremiação do ABC paulista, desembarca amanhã (9) em Araraquara para conhecer os novos parceiros. Mas o UOL Esporte apurou que ele ainda mantém a influência sobre o Anacleto Campanella, o que pode causar problemas no futuro.

Avesso à mídia, Klein será recebido pela manhã em Araraquara com pompa e ostentação: vai aterrissar do seu avião a jato particular no Aeroporto Bartholomeu de Gusmão. Será recepcionado pelo prefeito Edinho Silva (PT) e por todos os vereadores da cidade. As três torcidas organizadas da Ferroviária também já confirmaram presença no evento.

O empresário não chega só. Traz com ele vários nomes de confiança com a meta de levar, em cinco anos, a Ferroviária à elite do Campeonato Brasileiro. Fez propostas a cinco técnicos de renome: Zé Ricardo, do Internacional, Vágner Mancini, do Atlético-MG, Enderson Moreira, ex-Ceará, Rodrigo Santana, ex-Atlético-MG, e Guto Ferreira, que subiu com o Sport nesta temporada. Nenhum aceitou. Então, Saul foi buscar uma solução familiar.

Marcelo Vilar chegou ao São Caetano no meio do ano pelas mãos do próprio empresário e levou o Azulão ao título da Copa Paulista e à vaga para a Série D do Brasileirão. O treinador já venceu duas vezes a quarta divisão nacional: em 2013, pelo Botafogo da Paraíba, e em 2018, pelo Ferroviário do Ceará. Agora, assume o comando da equipe de Araraquara.

De olho na elite brasileira, a Série D é a primeira obsessão de Klein. Vilar traz com ele do São Caetano o preparador físico Daniel de Lima e quatro jogadores: o lateral Lucas Mendes, o volante Mazinho, o meia Karl e o atacante Gleyson - os dois primeiros também estiveram no título da Série D com o Ferroviário. Último treinador do clube do interior paulista, Vinícius Munhoz não foi dispensado. Visto como um nome de futuro, foi convidado a fazer parte da comissão do novo comandante.

Nomes de impacto

Saul Klein vai chegar fazendo barulho. Um interlocutor do empresário afirmou que as prioridades de todo time montado por ele são um goleiro, um meio-campista e um centroavante de destaque. Quem vai ocupar este último posto na Ferroviária é Rodrigão, do Santos, que estava emprestado para o Coritiba. Autor de 21 gols na temporada, o jogador virá por empréstimo do Alvinegro praiano.

Para o gol, Klein fechou com outro jogador que conquistou um acesso em 2019: Marcelo Carné, um dos destaques do Juventude na promoção para a Série B. O camisa 10 tão esperado também pode vir de Caxias do Sul: Renato Cajá, que já jogou pela Ferroviária e é ídolo na cidade, é o nome mais cogitado.

Para se ter uma ideia do poderio do investimento, a Ferroviária vai montar dois elencos: um para o Campeonato Paulista e outro para a Série D do Brasileirão. Por isso, contrata de volta onze jogadores que disputaram o Estadual do ano passado pela equipe e estavam em times das Séries A e B, casos de Felipe Ferreira, do Vasco, Diogo Mateus, do Coritiba, Felipe Matheus e Tony, do Figueirense, Rayan, do Red Bull Bragantino, e Leo Arthur, ex-Fluminense e Sport.

Além disso, chegam ao clube o atacante Henan, do Botafogo de Ribeirão Preto, o zagueiro Carlão, revelado pelo Corinthians e com passagens pela Europa, e provavelmente Henrique Almeida, que jogou o Brasileirão pela Chapecoense e está se desligando do Grêmio.

Investimento milionário

Na chegada a Araraquara, Klein vai conhecer a área onde será construído um centro de treinamento completo, com academia, alojamento, refeitório e centro médico. O empresário tem a ambição de disputar a vaga na semifinal do Paulistão com Corinthians e Red Bull Bragantino, que dividem o grupo com a Ferroviária.

O local que hospedaria o CT seria um parque público que o empresário compraria da prefeitura. O negócio deve ser realizado após a câmara de vereadores da cidade aprovar o projeto. O valor a ser investido é mantido em sigilo.

Dois times: Ferroviária e São Caetano

Mesmo com todo esse aporte na Ferroviária, Klein não abandonou o São Caetano, seu xodó. O Azulão comemorou o seu 30º aniversário no último dia 4 com novidades: Nairo Ferreira pediu afastamento da presidência, e o vice, Roberto Campi, assumiu. O empresário, que pagou os salários atrasados dos jogadores na última Copa Paulista, seguirá dando apoio financeiro ao clube.

Mesmo assim, o empresário está tirando jogadores do São Caetano para levá-los à Ferroviária. O time do ABC, ao menos até o meio do ano, funcionará como uma espécie de filial da equipe de Araraquara. Assim, o investidor das Casas Bahia deixa claro que sua prioridade está no interior.

A reportagem apurou que Klein e suas empresas não têm qualquer tipo de vínculo com o São Caetano. Do ponto de vista legal, ele é apenas um doador informal. Mesmo assim, a possibilidade de a equipe disputar a mesma divisão que a Ferroviária no futuro pode ficar comprometida. A Lei Pelé prevê que um mesmo grupo econômico não pode ter dois clubes em um mesmo campeonato. Foi o que aconteceu com o Red Bull, que vai ter que disputar a segunda divisão estadual em 2020 por conta do acerto com o Bragantino, que joga a primeira.

Questionado pela reportagem sobre a participação de Klein no São Caetano, o presidente Roberto Campi afirmou: "Sobre este assunto não vou falar". A assessoria de imprensa do clube também não quis se pronunciar a respeito.

Filho de Saul, Phillip Klein já se mudou para Araraquara. O grupo parece não trabalhar com a hipótese de as duas equipes disputarem a mesma competição.

Apoio de Bertolucci e força na base

Conhecido por ter bons parceiros, Klein acertou com a empresa do empresário de jogadores Giuliano Bertolucci para gerenciar as categorias de base da Ferroviária. Para coordenar a nova engrenagem, o agente contratou Marcelo Teixeira, ex-diretor da base do Fluminense e olheiro do Manchester United, por quatro anos. Em menos de uma semana de trabalho, o dirigente tirou dois jogadores do sub-17 do Flamengo e um do sub-20 do São Paulo.

Roque Júnior perde poder

Pentacampeão mundial com a seleção brasileira, Roque Júnior segue como diretor de futebol, mas agora tem a sombra dos homens de Klein. Na última semana, o ex-zagueiro recebeu uma ordem para frear as negociações e deixar tudo com o estafe do megainvestidor.

Roque foi o responsável pela contratação de Vinícius Munhoz e era contra a chegada de um novo comandante. A avaliação de Klein é que o jovem treinador foi bem no Paulistão, mas fez campanha ruim na Série D por não ter conseguido fazer a Ferroviária passar da segunda fase. Há quem diga que o dirigente e o técnico têm dias contados no clube.

Futebol feminino forte

Além de investir com força no masculino, Klein separou orçamento próprio para o futebol feminino da Ferroviária. Atual campeã brasileira e vice da Libertadores, a Ferroviária viu jogadoras de destaque, como Aline Milene e Luciana, recusarem propostas do exterior e renovarem contrato.

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