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Jorge Jesus esteve perto de treinar o Barcelona em 2015, revela amigo próximo

21/11/2019 11h04

Carlos García e Nacho Ballesteros.

Lisboa, 21 nov (EFE).- O técnico português Jorge Jesus, que comandará o Flamengo neste sábado, na final da Taça Libertadores, poderia ter se sentado no banco de reservas do Barcelona em 2015, mas o resultado das eleições do clube espanhol mudou a história, conforme um amigo do 'Mister' revelou à Agência Efe.

Octavio Machado, que foi companheiro de vestiário de Jesus em 1983, quando ambos atuavam pelo Vitória de Setúbal, contou que o treinador, então de saída do Benfica, estava acertado com ex-presidente do clube catalão Joan Laporta, candidato no pleito realizado quatro anos atrás.

"Jorge Jesus seria o técnico, mas ele não ganhou as eleições do clube", explica Machado.

Josep María Bartomeu, ainda mandatário do Barça, acabou sendo reeleito em julho de 2015 e optou então pela manutenção do espanhol Luis Enrique no comando da equipe. O técnico português, então, rumou para o Sporting.

Outro amigo próximo e antigo companheiro, Carlos Padrão lembrou que a principal referência de Jesus sempre foi o holandês Johan Cruyff e o Barcelona, pelo estilo de jogo e a filosofia futebolística, seguida mais tarde, também pelo espanhol Josep Guardiola, atualmente, no Manchester City.

O ex-goleiro, que atuou com o técnico do Flamengo no Porto e no Vitória de Setúbal, foi ousado na previsão, diante da possibilidade dos 'Blaugranas' demitirem em breve o espanhol Ernesto Valverde, muito criticado pela torcida e pela imprensa especializada.

"Se Jorge Jesus ganhar a Libertadores, será contratado pelo Barcelona. Estou convencido disso", garantiu.

Os amigos concordam que a vinda do português para o Brasil representou atingir um objetivo na carreira, depois de êxito no país de origem.

"Ele era como um olheiro do futebol brasileiro, quando estava em Portugal", relembrou Machado, que foi diretor-esportivo do Sporting entre 2015 e 2017, durante o período da passagem de Jesus.

Machado lembra da longa lista de jogadores que o técnico indicou para atuar no Benfica, que foram bem em solo luso, como David Luiz, Ramires, Jonas, Luisão, entre outros.

"Quando ele me disse que iria o Flamengo, o respondi: você vai ficar por lá, já era o que queria", revelou o amigo.

Padrão, por sua vez, destaca a dedicação constante de Jesus pela excelência com as equipes que treina, o que acredita ser a mola para uma revolução no futebol brasileiro.

"Com ele, é glória ou morte", brinca o ex-goleiro.

Machado conta que o técnico do Flamengo costumava acompanhar jogos de outros esportes, como basquete, handebol, futsal e até hóquei, com o objetivo de identificar estratégias que poderiam ser usadas no futebol.

"Ele faz coisas que ninguém tinha feito no mundo, como a defesa por zona: havia a marcação homem a homem ou defesa mista, mas nunca defesas totalmente por zona", explicou Padrão.

Machado, que tem certeza na conquista da Libertadores pelo amigo, ainda aproveitou para contar aspectos da vida pessoal de Jesus, como a dedicação diante dos problemas de saúde da mãe, que morreu em 1994, e do pai, que faleceu há pouco mais de dois anos.

"Quando ela ficou doente, Jesus percorria 400 quilômetros diariamente para levar remédio, e quando o pai dele teve Alzheimer, já como técnico do Benfica, ia duas vezes por dia ao hospital e desligava o celular", revelou. EFE

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