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Hamilton quer ser mais do que um atleta: "Como Jordan, Ali, LeBron e Senna"

CARL DE SOUZA/AFP
Imagem: CARL DE SOUZA/AFP
do UOL

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

17/11/2019 11h30

Resumo da notícia

  • Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, Lewis Hamilton falou que não quer ficar conhecido só como um piloto.
  • O britânico deu exemplos de personalidades que o inspiram a ser "mais que um atleta". Na lista, nomes como Senna, Jordan, Ali e LeBron.
  • O hexacampeão levanta a bandeira da educação e da necessidade de uma atenção para as crianças: "Elas são o futuro"
  • Hamilton também falou sobre o próprio futuro na categoria. O britânico não trata o sétimo título, que o igualaria a Schumacher, como uma obsessão.
  • "Tenho muito o que fazer em muitas áreas", disse Hamilton, ainda em busca de uma evolução como atleta e pessoa.

Os seis títulos mundiais não param Lewis Hamilton. A fome para melhorar como atleta segue a mesma de quando começou ainda no kart, na Inglaterra. Entretanto, ser o maior de todos os tempos, ultrapassando Michael Schumacher em campeonatos e vitórias, não é suficiente. Como legado, o britânico quer ser lembrado como "mais do que atleta", como deixou claro em conversa exclusiva com o UOL Esporte nesta semana de GP Brasil.

Quem segue Hamilton nas redes sociais testemunha a mudança de comportamento. O inglês, hoje um homem maduro, acima dos 30, tomou a verdadeira ciência do tamanho que tem. A mídia e os mais de 30 milhões de seguidores no Instagram servem como plataforma para a defesa de causas, como a denúncia contra mal tratamento de animais, e a luta contra o racismo.

"Não quero ser apenas um atleta. Quero quem sabe um dia ter um impacto de um Michael Jordan, um LeBron James, um Muhammad Ali ou de um Senna. Senna era muito mais do que um piloto, é um símbolo de esperança para o Brasil. Eu amo isso. Quero ser isso para alguém, sabe?"

"Ainda estou trabalhando a minha história e o meu legado, mas não quero ser só um piloto (...) .É poderosa a mensagem que podemos dar para as pessoas. Você nesta posição pode criar esperança nas pessoas. O fato é que todo mundo pode lugar por algo e dar uma mensagem. Pelas pessoas que estão comigo nesta jornada, vou continuar", prometeu.

Lewis Hamilton quer deixar um legado acima das vitórias e conquistar como piloto de F1 - RICARDO MORAES/REUTERS
Lewis Hamilton quer deixar um legado acima das vitórias e conquistar como piloto de F1
Imagem: RICARDO MORAES/REUTERS

O lado solidário de Hamilton agora também é explorado de forma simbólica. Mal chegou ao Brasil na última quarta-feira, e o britânico entregou um presente da parceira da Mercedes ao tetracampeão Raí, que participou do evento de boas vindas ao britânico na cidade de São Paulo.

O ex-jogador do São Paulo subiu ao palco com crianças e adolescentes atendidos pelo instituto Gol de Letra, e Hamilton conheceu um pouco do projeto. Assim como Raí, Hamilton também tem nos jovens o principal alvo das mensagens que quer passar.

"Ainda tenho muito a fazer. Ter as pessoas por perto, me inspira. Quero ter um impacto que façam as crianças acreditarem em educação. Crianças são o futuro da sociedade, nós precisamos delas", declarou.

E na pista? Até onde pode ir?

Britânico brincou na chegada ao Brasil sobre pilotar aos 38, 39, 40 anos - NELSON ALMEIDA/AFP
Britânico brincou na chegada ao Brasil sobre pilotar aos 38, 39, 40 anos
Imagem: NELSON ALMEIDA/AFP

São seis títulos e 83 vitórias na categoria máxima do automobilismo. Um título e oito vitórias bastam para Lewis Hamilton igualar Michael Schumacher em campeonatos mundiais e vitórias. A proximidade do número absoluto de "maior da história" não é uma obsessão; ser melhor a cada dia na reta final da carreira, sim.

"Ser o piloto com maior sucesso e o maior vencedor? Nunca pensei. Cresci vendo Senna, e ele foi campeão três vezes. Quero fazer a minha própria jornada e não sei até onde posso ir", disse Hamilton, que brincou sobre pilotar até os 39, 40 anos.

"Me inspiro em muitas pessoas e continuo estudando em como ser melhor todo dia e a cada novo dia. Surge um novo dia, ainda bem, para corrigirmos os erros. Se você vencer e estiver feliz, ok. Talvez funcione para você, mas para mim não", discursou o britânico, agora cada vez mais ligado à preparação física e mental para carregar a pressão de ser o principal nome da categoria.

"Tento ver como posso fazer para me preservar melhor, fazer o meu trabalho melhor, ter uma relação melhor com os meus companheiros de equipe, também em como posso me conectar mais com os meus fãs. Tenho muito o que fazer em muitas áreas", encerrou.

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