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'Ainda vamos fazer som juntos', diz Rodolfo sobre reconciliação com Digão

Rodolfo Abrantes, ex-Raimundos, no Conversa com Bial - Reprodução/vídeo
Rodolfo Abrantes, ex-Raimundos, no Conversa com Bial Imagem: Reprodução/vídeo
do UOL

Colaboração para o UOL

09/07/2020 03h53

Após 19 anos separados, Rodolfo Abrantes, ex-vocalista dos Raimundos, e Digão, guitarrista e atual cantor da banda, se reencontraram no "Conversa com Bial" desta madrugada, na Rede Globo. Em um bate-papo emocionante, os dois falaram de mágoas, perdão e da possibilidade de tocarem juntos novamente.

"Eu não tenho dúvida alguma de que eu e o Digão ainda vamos fazer um som juntos", afirmou Rodolfo, direto de sua casa em Florianópolis. "Não estou querendo fazer promessa, mas é inevitável, porque o amor que temos um pelo outro ainda tem que deixar um legado para que todos aqueles que conheceram a nossa história possam ter a oportunidade de ver a redenção disso tudo", completou ele.

Segundo o cantor, essa união sonora vai acontecer no "no tempo certo, sem crise, sem pressa e sem forçação de barra". De sua casa, em Brasília, Digão concordou: "A gente tem coisas para fazer juntos ainda, e coisas legais".

A reconciliação

Rodolfo e Digão não se falavam desde 2001, quando o então vocalista dos Raimundos deixou a banda no auge para se dedicar ao protestantismo. De lá para cá, o grupo seguiu seu caminho sem alcançar o sucesso de antes, até que em junho desse ano os dois fizeram as pazes e divulgaram em uma live no Youtube.

Visivelmente emocionado em falar com o amigo novamente, Digão revelou: "Eu sempre me imaginava conversando com o Rodolfo enquanto tomava banho, sabe? Eu queria que ele me conhecesse como sou agora".

Embora tenha se dedicado em pregar o evangelho e em adorar a Deus durante esses anos todos, Rodolfo também contou que, de alguma forma, nunca esqueceu os integrantes e amigos da ex-banda.

"Eu sabia que isso um dia ia acontecer, só não sabia como e nem quando", disse ele. "Mas, eu percebi Deus me preparando para esse encontro através de alguns sinais. Por exemplo: desde a minha saída dos Raimundos, não passei uma semana sem sonhar com o Digão, ou com o Canisso [baixista]. E nos sonhos não estávamos 'tretados', e nem tocando; estávamos andando de bicicleta ou trocando ideia na rua".

Ruptura

No programa, tanto Digão quanto Rodolfo não tiveram problema em voltar ao passado e mexer na ferida que os machucou tanto e deixou milhares de fãs dos Raimundos desamparados: de quando Rodolfo deixou o grupo.

"Sabe, no começo, quando aconteceu, eu tinha muita mágoa. Eu acordava, ficava com raiva e vinha todo aquele negócio [da separação]", relembrou o guitarrista. "Depois de um tempo, quando comecei a me reestruturar, comecei a enxergar que o Rodolfo precisava sair naquele momento. Ele precisava daquilo, e tinha que ser daquele jeito porque eu precisava buscar o meu caminho, como cantor e buscar o meu lugar ao sol".

"O Rodolfo acabou me dando um presente que foi poder andar com os meus próprios pés, pois eu estava muito apoiado nele e nos Raimundos, só que eu não tinha me tocado disso", completou Digão.

Do outro lado, o ex-Raimundos explicou: "O que me tirou da banda não foi uma desavença, falta de amizade ou uma briga. Foi um caminho que escolhi e que estou nele há 19 anos seguindo firme porque o meu Deus não muda".

"Para mim, as músicas antigas me trazem de volta a um tempo do qual eu sai, então essa é a minha relação com o meu passado. Já não demonizo ele e sou grato por ele, mas eu abracei o futuro", disse Rodolfo, que segundo ele, aprendeu com o tempo a respeitar as diferenças dos integrantes até que essa reconciliação se tornasse possível.

A ligação

Com a chegada da pandemia do coronavírus, que potencializou o quanto a vida pode ser frágil, Digão percebeu que estava na hora de reatar a amizade com Rodolfo. Então, no dia 10 de junho, às 11h30, telefonou para o amigo.

"Foi uma surpresa para mim", contou o ex-Raimundos. "Quando ouvi a voz do Digão, foi a voz mais leve que eu já ouvi na vida. E depois da nossa conversa eu percebi o tamanho do peso que saiu de dentro de mim. Foi como se eu tirasse uma mochila de 50 quilos das costas", detalhou.

Digão também falou sobre o que o levou a procurá-lo: "Veio a pandemia, todo esse momento de reflexão, e fiz um post infeliz [em que relacionou a pandemia com uma "amostra grátis do comunismo"], e o pessoal [da internet] me atacando, então parei e pensei: o que é que vale mais nessa vida? São os amigos e as pessoas que te querem bem".

Sobre a conversa, o guitarrista relembrou: "Em nenhum momento eu tive a pretensão de que o Rodolfo voltasse a tocar com os Raimundos, pois ainda vamos levar um tempo, talvez um ano para processar tudo isso".

"Agora estamos falando sobre várias assuntos, coisas de amigos mesmo, mas também quero dizer que as portas estão abertas para o dia em que ele quiser vir tocar aqui comigo, que seja uma música, uma dos Raimundos, ou o que ele se sentir à vontade, porque o Rodolfo sempre foi o meu melhor parceiro musical", disse ele, e complementou: "Além do que, os fãs amam o Rodolfo e morrem de saudade dele".

Com lágrimas nos olhos e voz trêmula, Digão finalizou: "Eu não podia ir embora dessa vida sem estar assim, sem ter esse momento com esse meu irmão. Eu amo esse cara", enquanto Rodolfo, sempre sorridente e feliz com tudo o que está acontecendo entre eles, pontuou: "Não é justo que a gente terminasse essa vida com uma coisa mal resolvida".

O "Conversa com o Bial" vai ao ar de segunda à sexta-feira após o Jornal da Globo.

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