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Ary Fontoura reflete sobre pandemia: 'É um freio que esquecemos de acionar'

Ary Fontoura toma sol na janela de seu apartamento durante a quarentena - Reprodução/Instagram
Ary Fontoura toma sol na janela de seu apartamento durante a quarentena Imagem: Reprodução/Instagram
do UOL

Renata Nogueira

Do UOL, em São Paulo

26/05/2020 04h00

Ary Fontoura está bem. Muito bem. Aos 87 anos e, portanto, parte do grupo de risco do coronavírus, o ator está isolado há 70 dias em seu apartamento em São Paulo. A pandemia fez o ator deixar o Rio de Janeiro, onde ainda trabalhava ativamente nos estúdios da Globo. Seu último trabalho foi "A Dona do Pedaço". Contratado da emissora há 55 anos, ele não vê a hora de voltar à ativa. Mas, enquanto isso não é possível, a estrela da TV brilha em outras telinhas: as dos smartphones.

Como assim?

No Instagram, Ary Fontoura mais uma vez virou estrela. A conta do ator no Instagram deu um salto de 175 mil seguidores só no último mês. São quase 6 mil pessoas dando "follow" todos os dias interessadas em acompanhar a rotina dele na quarentena. Com hábitos simples como passar pano na casa, fazer palavras-cruzadas ou tomar um sol na janela, ele é seguido por 675 mil pessoas com as quais faz o possível para interagir.

Alô, é o Ary?

O UOL conversou com o ator para entender um pouco mais sobre essa nova fase. De maneira mais tradicional, por telefone, Ary relembrou seu passado como anônimo, quando ainda ia de ônibus para a Globo, a independência que conquistou na Cidade Maravilhosa e que hoje o ajuda a enfrentar sozinho as tarefas domésticas na quarentena (ele afastou todos os funcionários). Durante o papo, ele refletiu sobre os ensinamentos que tiraremos desse período inédito para a sociedade.

Espero o mundo mude radicalmente. Eu tenho 87 anos e vai ser difícil ver essa mudança. Mas tomara que aconteça.

Lições de um quarentener...

Que não nega as vontades, mas respeita as regras:

"Se eu lhe dissesse que é agradável ficar 70 dias dentro de casa tomando todas as precauções não estarei sendo sincero. É claro que incomoda não poder fazer todas as coisas incríveis que fazíamos antes, ter que lavar a mão toda hora, passar álcool nas maçanetas e tomar tantos cuidados que anteriormente a gente não tinha. Às vezes olho pela janela e dá uma vontade de sair, pegar o elevador e andar um pouco. Claro que dá. Mas eu não vou."

Que tem bom senso:

Sou uma pessoa que optou pelo bom senso.

"E o bom senso na epidemia é evitar o máximo de contato possível. Isso favorece a você e o próximo. Sou absolutamente obediente a isso. É muito fácil você se queixar. Mas olhe para o lado e veja as pessoas que estão trabalhando por você. Que estão em funções essenciais, que te entregam uma comida, que estão fazendo trabalho social, enfermeiros, médicos, pessoal da saúde, aqueles que estão colocando a própria vida em risco. E você não vai fazer um sacrifício? Você se cuidando, está cuidando do próximo."

Que se força a pensar positivo:

Quando não há epidemia, você não pensa na morte todos os dias.

"Nós, ocidentais, lidamos muito mal com isso. Se você ficar pensando nisso enquanto estiver isolando você está ajudando a apressar o fim. A hora da gente chega em locais e momentos que não sabemos. Não temos noção do final da gente porque a vida seria insuportável. Vamos conviver com esse mistério mesmo nessa fase negativa da vida, mas trazendo uma positividade que é importante. Pensando no próximo. Aproveitando para resgatar valores abandonados."

Que quer a mudança:

Essa mudança que estamos passando é um freio que nós mesmos esquecemos de acionar.

"A natureza já está nos mostrando isso. Não há momento melhor para pensar nessas coisas do que quando você está sozinho e pode raciocinar. Olhar para o melhor de você. Pegar o celular e ligar para as pessoas que há muito tempo não liga. Vivemos cercado de amigos, mas muitas pessoas estão sós. Então é hora de melhorar."

Que aprende com as adversidades:

A vida o mais importante agora. Fica em casa, pois é a única alternativa que você tem.

"Você tem que viver pensando que uma vacina e uma medicação surgirá. E quando isso tudo passar, não esquecer das reflexões do confinamento e aplicá-las. Não é algo complicado nem um privilégio meu pensar dessa maneira. Todos os seres humanos podem pensar assim. Largar o egocentrismo e pensar no próximo. É aí que estarão as soluções maravilhosas."

#FicaEmCasa

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