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Bateria da União da Ilha vestirá uniformes escolares e pedirá paz

Bateria da Ilha vestirá uniformes escolares ?perfurados? por balas - Arquivo pessoal
Bateria da Ilha vestirá uniformes escolares ?perfurados? por balas Imagem: Arquivo pessoal
Leo Dias

Leo Dias é jornalista e diretor-executivo do "TV Fama", da Rede TV!. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas. Assinou uma coluna de celebridades no jornal "O Dia" e também esteve nos jornais "Extra" e nas revistas "Contigo", "Chiques e Famosos", "Amiga" e "Manchete". Apesar dessa experiência, sempre se definiu como repórter, tamanha paixão pela apuração da notícia e pela vontade em produzir conteúdos exclusivos. Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: "A fama tem um preço estou aqui para cobrar".

do UOL

20/02/2020 20h37

Cantando a luta diária do brasileiro para uma vida melhor, a União da Ilha escalou os ritmistas de sua bateria para uma homenagem às crianças de colégios do Rio de Janeiro. Os músicos, comandados por Keko Araújo e Marcelo Santos vão desfilar vestidos com uniformes que lembram as da rede de ensino público. Eles virão com um pedido de paz para as crianças.

À frente da ala, desfilará a rainha Gracyanne Barbosa. Conforme a Coluna do Leo Dias já havia noticiado no início da semana, ela representará um pedido por paz nas instituições de ensino, o oposto do que estará colocado em evidência na fantasia de sua bateria.

O enredo da Ilha, desenvolvido pelos carnavalescos Fran Sérgio e Cahê Rodrigues, tem espaço para outra crítica às políticas de Segurança Pública do Rio. Acima de uma alegoria que ambienta uma favela, será possível ver um helicóptero — ações policiais em morros têm feito cada vez mais uso da aeronave diante da ordem do governador Wilson Witzel para vigiar comunidades e "atirar na cabecinha" de bandidos armados com fuzis.

União da Ilha: Acima de uma alegoria que ambienta uma favela, será possível ver um helicóptero - Arquivo pessoal
União da Ilha: Acima de uma alegoria que ambienta uma favela, será possível ver um helicóptero
Imagem: Arquivo pessoal

Ainda há críticas à classe política como um todo: no alto de uma alegoria, assentos de vasos sanitários serão ocupados por componentes que representarão autoridades públicas na atuação de seus cargos. Embaixo deles, aparecerão as pessoas comuns.

Antes de tudo isso, a história contada pela Ilha começa com uma mulher negra em trabalho de parto esperando atendimento médico: cena nada incomum nos hospitais brasileiros, principalmente nos do Rio.

Com essa pegada realista, Laíla, o diretor de carnaval da tricolor da Ilha do Governador, na zona norte carioca, tenta repetir o sucesso que a Beija-Flor de Nilópolis conquistou em 2018, no último desfile sob seu comando. Naquele ano, a azul e branco mostrou na Avenida cenas fortes: de tiroteios a componentes interpretando policias militares mortos em ação, deitados em caixão e acompanhados por suas famílias. O apelo emocional deu certo e garantiu o título.

Laíla, que no ano passado não obteve êxito ao tentar mostrar que poderia levar a Unidos da Tijuca para as cabeças, mudou-se para a Ilha e agora tenta mais uma vez mexer com o público das arquibancadas e o júri ao colocar a vida real dentro do Sambódromo. Se a estratégia vai funcionar, saberemos apenas na apuração da Quarta-feira de Cinzas. A conferir.

Errata: o texto foi atualizado
A Coluna do Leo Dias informou, numa primeira versão desta nota, que a fantasia dos ritmistas da União da Ilha seria de uniformes escolares perfurados por balas. Essa informação foi corrigida após um pedido de errata da assessoria de imprensa da escola, que revelou que não existem furos de bala na fantasia. "Nossa bateria não virá com camisas perfumadas por balas perdidas e não retrataremos nenhuma ação policial em qualquer alegoria. A União da Ilha fará uma crônica social muito realista, mas não quer levar para a avenida qualquer tipo de agressividade visual."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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