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Grupos LGBT lutam por espaço seguro nas arquibancadas dos jogos de futebol

06/11/2017 16h12

Para combater a homofobia e o machismo nos estádios foram criados coletivos que celebram a diversidade. Em São Paulo, os mais famosos são “Democracia Corinthiana”, “Bambi Tricolor” e o “Palmeiras livre” que buscam, além de uma maior segurança para os públicos LGBT e feminino nas arquibancadas, uma maior representatividade para esses grupos.

Integrante do Palmeiras Livre, Érick Misayato enfatiza a importância da diversidade. "Acredito que o futebol precisa ser um espaço democrático. Por ser algo tão gostoso para gente, não faz sentido segmentar em homens, mulheres, gays. Deve ser um espaço aberto para todos", conta. O coletivo alviverde hoje conta com mais de 7 mil curtidas em sua página do Facebook.

Thaís Nozue, organizadora do coletivo alviverde, diz que os torcedores homossexuais encontram dificuldades em assistir aos jogos com seus parceiros. “Se vier (para o estádio)com namorada ou namorado, acaba tendo que tratar como amigo. Na hora de um gol não pode dar um beijo, por exemplo. A gente sabe dos cânticos homofóbicos, da LGBTfobia que acontece nos estádios”.

Opressão histórica

A ideia de que futebol é esporte “para homem” é antiga e resiste até os dias de hoje. Coletivos de resistência, apesar de terem ganhado força com as redes sociais, não são novidade: o grupo “coligay”, do Grêmio, nasceu em plena Ditadura Militar, em 1977, e foi a primeira torcida organizada LGBT do Brasil. Dois anos depois surgiu a “Fla-Gay”, do Flamengo, que chegou a ter mais de 40 mil participantes. Apesar de nenhuma das duas ter durado mais de uma década, elas serviram de inspiração para as próximas gerações.

Dentro dos campos

Para além da torcida, surgiram times que celebram a diversidade dentro dos campos. Um deles é o “Unicorns FC”, formado por membros da comunidade lgbt. “O Unicorns surgiu há dois anos com a vontade de dois jogadores de praticar futebol. Eles chamavam os amigos para jogar bola, mas diziam que gay não joga futebol, falavam ‘vamos jogar queimada, vamos jogar vôlei’”, afirma o coordenador do time. “Não satisfeitos com essas respostas, juntaram mais 10 pessoas, formaram o time e começaram a alugar um espaço aos sábados”, completa. Pedro também se diz animado com o futuro do time. “Somos um grupo multiesportivo em prol da diversidade. Vamos além do futebol: temos grupo de corrida, funcional e meta até o fim do ano é estabelecer essas modalidades em número de pessoas para nos próximos anos abrir mais modalidades para mais pessoas que querem praticar esporte”, conclui.

*A reportagem em vídeo foi produzida por alunos de jornalismo da Universidade Metodista de SP e apresentada também em versão resumida em texto pelo BOL.

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