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O que é COP24 e outros 12 fatos sobre a Conferência de Mudanças Climáticas

Giulia Requejo e Luchelle Furtado

Da Metodista, em São Bernardo (SP)*

23/11/2018 11h43

A COP24, conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre mudanças climáticas, acontece este ano pela primeira vez na cidade de Katowice, na Polônia, entre os dias 3 e 14 de dezembro. Estima-se que cerca de 20 mil pessoas de 190 países participem do evento, incluindo políticos, representantes de organizações não-governamentais, comunidade científica, imprensa e setor empresarial.

Para entender melhor o que é a COP24 e o que está em jogo nesse encontro, confira a seguir 12 informações históricas e curiosidades sobre a conferência, incluindo a participação do Brasil.

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  • Reprodução/UOL

    O que é a COP e como se formou

    Em 1992 aconteceu a primeira Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, a Rio 92. Na ocasião, representantes de 179 países consolidaram uma agenda global para minimizar os problemas ambientais mundiais. Naquele momento, crescia a ideia do desenvolvimento econômico sustentável, buscando um modelo de crescimento social aliado à preservação ambiental. Foi elaborada, então, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), na sigla em inglês. Desde então, as cúpulas climáticas da ONU, chamadas de COP (Conferência das Partes), realizam encontros anualmente entre países membros da UNFCCC. Ao todo, 197 Partes integram o quadro da convenção, sendo 196 Estados e uma organização regional de integração econômica, que é o Reino Unido. Em 2018, a conferência é chamada de COP24 porque esta é a 24ª edição do encontro.

  • O que é abordado

    Durante a Conferência, que dura em média dez dias, são debatidos temas sobre as aplicações, funcionalidades e execuções que estão previstas nos tratados sobre mudanças e responsabilidades climáticas estabelecidos a cada edição. O objetivo é pensar em estratégias para lidar com as alterações climáticas no mundo. Além disso, a COP lida com a comunicação e os inventários apresentados pelos países e, a partir daí, são avaliadas as medidas que devem ser tomadas para a conclusão dos objetivos e as mudanças que devem ser feitas pelos países signatários.

  • A primeira COP

    Foi realizada na cidade de Berlim, na Alemanha, em 1995, e o primeiro encontro reuniu 117 países para discutir os problemas causados pelas mudanças climáticas. A questão do efeito estufa foi o tema-chave. Foram definidos compromissos legais de redução de emissão dos gases que provocam o efeito estufa, o que, dois anos depois, levou à criação do Protocolo de Kyoto.

  • Protocolo de Kyoto

    Criado na COP3, na cidade de Kyoto, no Japão, em 1997. O principal objetivo do acordo era fazer com que países desenvolvidos assumissem o compromisso de reduzir a emissão de gases que provocam o efeito estufa para aliviar os principais impactos causados pelo aquecimento global. Em todas as COPs são realizadas discussões em cima do Protocolo de Kyoto para restabelecer novas metas e formas de desenvolvimento que não sejam prejudiciais ao planeta.

  • Crédito de carbono

    São unidades de medidas que correspondem a uma tonelada de dióxido de carbono. Essas medidas servem para calcular a redução das emissões de gases de efeito estufa. Os créditos foram criados junto ao Protocolo de Kyoto, na COP3, para que as nações reduzissem as emissões. Quando o país ultrapassa a quantidade permitida, ele pode negociar com outras nações que não utilizaram o valor completo e comprar a parte que falta. Esta foi uma das principais conquistas da Conferência em todos os tempos.

  • Acordo de Paris

    O objetivo do acordo de Paris, que aconteceu durante a COP21, na capital francesa, teve como objetivo resistir às ameaças das mudanças climáticas. Ele foi aprovado por 195 países, que se comprometeram a realizar esforços para que o aumento da temperatura média da Terra fosse menor que 2ºC, em relação aos níveis existentes no período pré-industrial. O mais recente acontecimento sobre o acordo foi a saída dos Estados Unidos, anunciada em junho de 2017, já sob o governo Trump. A saída dos americanos foi recebida com bastante preocupação, pelo fato de o país ser um dos mais poluidores do planeta.

  • Mais vezes anfitriã da COP

    A Alemanha, além de ser a sede do secretariado, é o país que mais vezes sediou o evento: durante quatro edições, em cidades diferentes. A Alemanha abriu as portas durante a COP5, a segunda parte da COP6 e a COP23. Mas, assim como a presidência, a COP gira entre as cinco regiões conhecidas da ONU: África, Ásia, América Latina e Caribe, Europa Central, Oriental e Ocidental.

  • Justiça climática

    Um dos fatos mais inusitados das conferências aconteceu durante a COP21, na França, em 2015. Pessoas se juntaram para ir a pé e de bicicleta rumo a Paris, local onde foi sediado o evento. A norte-americana Berenice Tompkins caminhou de Roma até a capital francesa durante dois meses, com um grupo chamado "Peregrinação do Povo". Eles dormiram em igrejas e conversaram com moradores sobre os impactos das mudanças climáticas em suas vidas. Outros grupos saíram pedalando da África, unidos pela causa da "justiça climática", termo usado para enquadrar o aquecimento global não apenas como uma questão ambiental, mas também ética e política.

  • Wikimedia

    Mudanças de Quito

    O prefeito Mauricio Rodas, de Quito, capital do Equador, tomou atitudes amplamente sustentáveis a partir das decisões feitas na COP23, em 2017, em Bonn, na Alemanha. O político estimulou o uso de bicicletas, a criação de táxis e ônibus elétricos, maiores corredores para pedestres, além da criação do metrô, que permite reduzir em 150 milhões de toneladas a emissão de dióxido de carbono por ano. A ideia é chegar até 2020 como a maior zona franca de transporte público poluidor da América Latina. Até o momento, já foram recuperados mais de 200 mil hectares de terra para aumentar a proteção contra inundações, reduzir a erosão e salvaguardar o fornecimento de água doce e biodiversidade da cidade.

  • Brasil na COP

    O país tem algumas metas que foram acordadas nas COPs anteriores. Entre elas, a redução das emissões de gases do efeito estufa em 37% até 2025, e 43% até 2030. A cidade de São Paulo é um dos problemas para os brasileiros que se esforçam em ficar na meta. O aumento médio anual da temperatura da metrópole é de 3ºC, enquanto o objetivo global é manter o aumento em 1,5ºC até o final do século 21. Em 2017, o Brasil atingiu a meta prevista para 2020, que era de reduzir a emissão de dióxido de carbono em 564 milhões de toneladas com a redução do desmatamento na Amazônia e 104 milhões no Cerrado. O Brasil atingiu 610 toneladas na Amazônia e 170 no Cerrado, deixando as emissões totais 37% abaixo do nível de 2005.

  • COP na Polônia

    A Polônia já sediou a COP por duas vezes, nas cidades de Poznan e Varsóvia. Este ano será sua terceira participação como representante. Em 2008, na COP14, na cidade de Poznan, os países se reuniram com o objetivo de um possível acordo climático global, já que no ano anterior chegaram à conclusão de que era preciso fazer mudanças. Naquele ano, o evento contou com uma presença ilustre: o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore (foto). Em 2013, foi a vez de a cidade de Varsóvia sediar a COP19. O evento foi marcado por polêmicas, como a definição do regime de compensação por perdas e danos e o financiamento climático, que incluía o pagamento por emissão reduzida a partir do combate ao desmatamento.

  • Wikimedia Commons

    COP24: por que Katowice

    Conhecida pela mineração de carvão e a indústria pesada, a cidade-sede de 2018 foi escolhida pelo esforço que o município vem desempenhando com o investimento em novas tecnologias sustentáveis para minimizar os impactos agressivos de sua vocação comercial. Com mais de 300 mil habitantes, Katowice tem experiência nos nivelamentos dos efeitos de degradação ambiental graças ao desempenho para a melhora do ar e do meio ambiente, ações que refletem positivamente no padrão de vida dos habitantes.

  • Novidades 2018

    A Polônia é um dos países que mais têm cumprido as metas propostas pelo evento, como, por exemplo, com o investimento em tecnologias sustentáveis e o combate à degradação ambiental. Agora, na COP24, a anfitriã tentará convencer outras nações de seguir seu exemplo. O objetivo é manter o caráter global do Acordo de Paris. Os estados das Nações Unidas devem agir juntos para deter as ações das mudanças climáticas, como também garantir um equilíbrio nos compromissos entre estados. Há também uma projeção de um acordo que prevê uma ajuda anual de US$ 100 bilhões até 2020, para auxiliar os países pobres no combate às emissões de CO2.

    * Conteúdo produzido por alunas do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, sob orientação da professora Alexandra Gonsalez de Melo Sarasa Martin

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