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Cinco transtornos psicológicos que podem levar ao suicídio

No Brasil, o mês de setembro é dedicado à campanha de prevenção ao suicídio - Getty Images
No Brasil, o mês de setembro é dedicado à campanha de prevenção ao suicídio Imagem: Getty Images

Giulia Marini e Natália Rossi*

Da Metodista, em São Bernardo (SP)

10/09/2018 10h45

O setembro amarelo é uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio. A conscientização sobre o assunto começou em 2015 por iniciativa do Centro de Valorização da Vida, do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Psiquiatria. 

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Uma pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde aponta que mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida, número que representa 1,4% de todas as mortes do mundo. Na maioria das vezes, o suicídio é decorrente de doenças mentais que não são tratadas. Muitas pessoas não cuidam dos transtornos psicológicos porque não sabem que precisam de tratamento, mas 90% dos casos de suicídio poderiam ser evitados com ajuda psicológica. 

A reportagem conversou com a psiquiatra Jéssica Barbosa, formada em medicina pela Universidade Federal de Grande Dourados e pós-graduada em psiquiatria pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, que listou alguns transtornos psicológicos que podem levar ao suicídio.

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    Transtorno de personalidade

    Esta doença pode levar a um excesso de dependência emocional e dificuldades em estabelecer relações profundas. Além disso, causa um padrão disfuncional de lidar consigo mesmo, com os outros e com o meio. O tratamento é feito por meio de acompanhamento psicoterapêutico e medicação controlada. "Dependendo da gravidade, são necessários anos de tratamento, já que se trata de um padrão disfuncional da personalidade e que pode causar sofrimento para quem tem o transtorno e para os demais", diz a psiquiatra Jéssica Barbosa.

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    Depressão

    A depressão pode ser leve ou grave e, por isso, os tratamentos variam. Porém, em sua forma mais séria, é altamente incapacitante. Os sintomas se estendem por pelo menos duas semanas, apresentando quadros de tristeza, indisposição, perda de energia e de interesse ou prazer, sensação de inutilidade, fadiga, pensamentos de morte, além de alterações no sono e no apetite. "É uma doença que pode ter remissão completa dos sintomas se tratada adequadamente. Caso contrário, podem ocorrer reincidências ao longo da vida", explica a psiquiatra. O tratamento da depressão leve é feito por meio de psicoterapia, mas medicamentos são a melhor forma para tratar a depressão grave.

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    Transtorno afetivo bipolar

    Ao contrário do que comumente se pensa, o transtorno afetivo bipolar não consiste apenas em alterações de humor ao longo do mesmo dia. Esta doença causa, além das oscilações diárias, pelo menos uma crise com duração mínima de 4 dias em que sintomas como exaltação humoral, euforia, autoestima inflada, redução da necessidade de sono, pensamentos acelerados, aumento da energia, excesso de vontade de compras ou maior ativação sexual podem ser observados. Às vezes, o paciente pode experienciar alguns delírios, como acreditar que possui poderes especiais ou que é um "enviado sagrado". O tratamento é feito com o uso de medicamentos estabilizadores de humor, antipsicóticos e/ou anticonvulsivantes, que podem ser consumidos pelo resto da vida, para evitar novas crises.

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    Esquizofrenia

    É um transtorno grave e altamente incapacitante, causando prejuízos laborais, sociais e escolares, com presença de crises de alucinações, delírios, comportamentos desorganizados e alterações na fala. Após uma crise, é comum que o paciente fique sem energia e sinta dificuldades na afetividade, com duração de pelo menos um mês. Esta doença pode se apresentar de forma abrupta, com crises, ou gradual. Nesse caso, o paciente demonstra certa "estranheza" em relação ao mundo, isolamento social, dificuldade em se concentrar e mudanças de comportamento. "O tratamento geralmente é para toda a vida, já que a doença não tem cura e, com uso correto das medicações, se previnem as crises", explica a psiquiatra Jéssica Barbosa. Os medicamentos utilizados para controlar a doença são antipsicóticos.

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    Ansiedade

    Este transtorno é caracterizado por uma preocupação excessiva com eventos futuros, autocobrança e dificuldade de relaxamento e de percepção do tempo presente, que dura pelo menos seis meses. Os principais sintomas são irritabilidade, dificuldades de concentração, tensão muscular, alterações no sono e, em alguns casos, a ansiedade pode causar sintomas físicos, como taquicardia, sudorese, tremores, gastrite, dores de cabeça, assim como alterações intestinais e do ciclo menstrual. É dividida entre leve e grave e causa diversos prejuízos na vida da pessoa. O tratamento dura em média um ano, com o uso de medicações a fim de aliviar o sofrimento, e psicoterapia.

    Nota da reportagem: apesar de esta lista ter como base a opinião de um profissional, não é de forma alguma um diagnóstico. Caso haja suspeita de qualquer problema psicológico, é indispensável a procura de um médico para a realização de um diagnóstico adequado.

    * Conteúdo produzido por estudantes de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo sob orientação das professoras Camila Escudero e Eloiza Frederico

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