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Asprilla revela que traficantes se ofereceram para matar Chilavert

Faustino Asprilla treina com o Fluminense em 2001 - Evelson de Freitas/Folhapress/Digital
Faustino Asprilla treina com o Fluminense em 2001 Imagem: Evelson de Freitas/Folhapress/Digital

Bogotá - AFP

12/11/2019 17h40

O ex-atacante da seleção colombiana, Faustino Asprilla, revelou que um narcotraficante pediu a ele "autorização" para assassinar, em 1997, o então goleiro paraguaio José Luis Chilavert após uma briga entre os dois jogadores em um jogo das duas seleções.

"Mas vocês estão loucos! Como vão acabar com o futebol colombiano? Isso não pode ser. Não, não, não", foi a resposta de Asprilla diante da oferta, segundo ele mesmo conta.

Em uma minissérie documental sobre sua vida, que começou a ser exibida no fim de semana pelo canal regional Telepacífico, o ex-jogador de 50 anos contou detalhes até então desconhecidos para o público sobre o episódio.

Na época os famosos jogadores foram expulsos depois de se agredirem em uma partida das eliminatórias para a Copa do Mundo da França-1998 disputada no estádio Defensores del Chaco, em Assunção, que terminou com uma vitória paraguaia por 2 a 1.

Segundo Asprilla, depois do jogo recebeu um telefonema de Julio Fierro, a quem a polícia identificava como um traficante e cujo cadáver foi encontrado em 2004 após um suposto ajuste de contas.

O homem o convidou a um hotel onde, garante Asprilla, foi em companhia do também ex-atacante Víctor Hugo Aristizábal. Fierro os esperava "com dez homens bêbados" e cercados de mulheres paraguaias.

"Nós estávamos aborrecidos porque havíamos perdido a partida quando ele chega (e diz): 'precisamos que você dê uma autorização para estes dois homens que vão ficar aqui no Paraguai, em Assunção, e que querem matar esse gordo de Chilavert", disse Asprilla.

Foi então que o colombiano garantiu que se negou categoricamente. "No futebol o que acontece em campo, fica no campo. Chilavert me deu um soco e aí tivemos uma briga, nos expulsaram e terminou aí. E esses bandidos diziam 'não patrão, nos dê a ordem".

De acordo com seu depoimento, o paraguaio "nunca soube disso".

Nas décadas de 1980 e 1990 o futebol colombiano caiu nas redes do narcotráfico. Vários clubes, entre eles América, Millonarios e Envigado, receberam dinheiro da máfia e foram sancionados.

Em 1994 o zagueiro da seleção colombiana Andrés Escobar, de 27 anos, foi assassinado em Medellín em um incidente supostamente relacionado a um gol contra que ele marcou na derrota para os Estados Unidos (2-1) e que provocou a eliminação da Colômbia na Copa do Mundo daquele ano.

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