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Opinião: Streaming virou bicho-papão também da TV aberta

Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

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Colunista do UOL

11/08/2020 13h06

Já há alguns anos os serviços de streaming, especialmente a Netflix (maior do mundo), viraram a grande dor de cabeça de operadoras e dos canais por assinatura.

Nos últimos anos, a TV paga amargou uma perda de quase 25% de sua base de assinantes: um em cada 4 clientes viraram ex-clientes.

Além dos problemas crônicos que afetam a TV paga, um dos motivos para que essa sangria se acelerasse foi o surgimento do streaming.

Produto mais barato, com catálogo mais variado, sem problemas crônicos de mau atendimento, a nova plataforma caiu no gosto e no bolso cada vez mais pobre da população mundial.

Com os brasileiros não foi diferente.

No entanto não é só a TV paga que agora se vê ameaçada por esse novo concorrente, mas também a TV aberta.

Dados exclusivos obtidos por esta coluna e publicados nos últimos dias mostram que o ibope e o consumo de streaming (Netflix, Globo Play, HBO etc) já supera não só toda a TV por assinatura como se distancia cada vez mais de canais abertos como SBT e Record.

O streaming, grosso modo, já é o segundo maior ibope do Brasil, só atrás da TV Globo.

Só em São Paulo, no mês passado, seu consumo em aparelhos de TV cresceu 137%, segundo dados exclusivos da Kantar Ibope Media obtidos pela coluna.

O grande temor agora é que, num futuro não muito distante, os serviços de streaming passem a exibir também publicidade.

Não há nada que impeça isso. Inclusive há estudos que permitiriam ao cliente escolher: prefere pagar uma assinatura mais cara e não ver nenhum comercial, ou uma mais barata que exiba comerciais nos intervalos?

Se isso ocorrer de fato será um novo duro golpe nas TVs abertas (e pagas). O streaming se tornará em um terrível novo "bicho-papão" do mercado cada vez mais concentrado da publicidade.

Ricardo Feltrin no Twitter, Facebook, Instagram e site Ooops

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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