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Juiz nega segredo de Justiça a Antônia Fontenelle em briga com irmãos Neto

Antônia Fontenelle é processada pelos irmãos Neto - Reprodução/Instagram
Antônia Fontenelle é processada pelos irmãos Neto Imagem: Reprodução/Instagram
do UOL

Ana Carolina Silva

Do UOL, em São Paulo

01/07/2020 19h54

Antônia Fontenelle teve um pedido de segredo de Justiça indeferido pela segunda vez no processo movido pelos irmãos Neto, os youtubers Felipe e Luccas. O juiz alegou que a ação repercute na imprensa sem que haja qualquer ato relacionado aos autos, mas ressaltou que nada impede que esta decisão seja modificada futuramente. Ela reagiu dizendo que o magistrado "não leu o que estava assinando".

"Mantenho o indeferimento do item (...). Em que pesem as respeitáveis razões, há de se ressaltar que a alegada repercussão está correlacionada à própria existência da ação e não a nenhum ato propriamente praticado nestes autos", disse o juiz Marcelo Nobre de Almeida em despacho publicado hoje na 7ª Vara Cível da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, ao qual o UOL teve acesso.

"Por evidente, nada impede que a vinda de novos elementos decorrentes da instrução processual exija outro tratamento, até porque ainda se encontra pendente a possibilidade de apresentação da contestação. Por ora, diante da manifestação contrária da parte autora (...) e inexistente qualquer alteração fática significativa, não se vislumbra motivo para afastar a regra apontada na decisão", completou o magistrado.

A reportagem entrou em contato com Antônia, que pediu que sua resposta sobre o tema fosse publicada de forma integral (o que foi feito nos parágrafos abaixo). Ela se manifestou prometendo manter a batalha judicial contra os irmãos e alegando que o juiz estaria interessado em deixar o processo "no aberto e tornar a briga num grande circo".

"Eu já havia dito no meu canal que o juiz que negou o segredo de Justiça não leu sequer o que ele estava assinando, uma vez que a explicação dele não diz 'lé com cré'. De todo modo, quer deixar no aberto e tornar a briga num grande circo, ele que deixe. Tô nem aí, no elenco desse enredo eu sou a dona do circo e vou pôr os palhaços para trabalharem — no caso, os autores do processo [Felipe e Luccas], tão acostumados a fazer suas m... e ficar impunes, inverter o jogo sujo deles e se esconder atrás de processos", disparou ao UOL.

"Felipe Neto cansa de dizer que não tem medo de processo e que ninguém nunca teve coragem de brigar com ele. Eles que lutem, o espetáculo está só começando. Para quem for de pipoca, comam pipoca; quem for de Rivotril, que dobrem as gotas. Estou disposta a mostrar, para quem ainda não entendeu, que focinho de porco não é tomada. Acabou isso de fazer m... e ficar impune. Ele [Felipe] tem razão, internet não é terra de ninguém, e isso vale para ele também", concluiu Antônia.

Entenda a batalha 'Fontenelle x irmãos Neto'

luccas e felipe neto - reprodução/Instagram - reprodução/Instagram
Os irmãos Luccas e Felipe Neto
Imagem: reprodução/Instagram

A apresentadora é processada por Felipe e Luccas Neto e acusada de ter tentado ligar a imagem dos irmãos à "pedofilia" em um post no Instagram. A publicação já foi apagada, e Antônia, que diz que "o espetáculo está só começando", justificou que o vídeo teria sido tirado do ar pela própria rede social; os youtubers pedem indenização de R$ 200 mil (R$ 100 mil para cada).

O vídeo publicado por Antônia mostra Luccas Neto colocando na boca uma garrafa que, segundo os advogados dele, seria um objeto cenográfico feito de açúcar, um doce (motivo pelo qual ele teria colocado o item na boca).

Para comprovar seu ponto de vista sobre as imagens, a apresentadora fez live no YouTube e chegou a colocar uma banana na boca, simulando um ato sexual, e convidou juízes e advogados a opinarem se o gesto seria "correto".

"Eu convido qualquer juiz, advogado e desembargador a interpretar o que vou fazer agora: Oi, eu quero comer essa banana. Eu posso comer essa banana? Pode. Qual é o jeito normal de se comer uma banana? [Antônia morde a banana normalmente] Hum, essa banana é gostosa. Agora olha a diferença [Antônia começa a chupar a banana]. Eu desafio qualquer juiz, qualquer magistrado a achar que isso é normal! Eu desafio! O magistrado que entender que isso é normal é porque não tem Justiça nesse país", disse.

No mesmo dia, ela afirmou que não havia feito qualquer acusação aos irmãos.

"Eu não acusei ninguém. Se vocês não sabem interpretar, eu não posso fazer absolutamente nada. Vocês disseram que eu criei o vídeo. Eu fiquei assustada com as pessoas me mandando esse vídeo e postei. Pasmem, as coisas que eu recebi de pais que já passaram com coisas terríveis de crianças que já assistiram aos vídeos de vocês, que não têm nada a ver com pedofilia... Em momento algum eu disse que vocês dois são pedófilos", relatou.

Em nota enviada ao UOL, Felipe Neto deixou claro que não se pronunciará publicamente sobre o processo que move contra Fontenelle; no último post que fez sobre o assunto, hoje, o youtuber afirmou que espera que Antônia apague as publicações que envolvem ele e o irmão e disse que ela terá de provar tudo judicialmente: "A Justiça há de funcionar".

"Felipe Neto informa que todos aqueles que criarem ou compartilharem material que o relacione ao cometimento de crimes serão responsabilizados judicialmente, em âmbito cível e criminal. Ele reafirma a defesa da liberdade de expressão, desde que obedecidos os limites legais. Todos aqueles que cometerem os crimes de calúnia, injúria e difamação, responderão por seus atos", comunicou o empresário.

"Felipe Neto afirma que não irá se pronunciar publicamente sobre qualquer acusação relacionando sua imagem a crimes, bem como afirmações mentirosas, levianas e irresponsáveis. As medidas tomadas serão realizadas somente através da Justiça, por meio de seus advogados. A internet não é terra sem lei e há de se ter compromisso e responsabilidade com aquilo que se fala e publica", concluiu o estafe de Felipe.

Felipe Neto explica vídeos antigos e reafirma promessa

felipe neto - Pedro Loreto/No Title Mgt/divulgação - Pedro Loreto/No Title Mgt/divulgação
O youtuber Felipe Neto
Imagem: Pedro Loreto/No Title Mgt/divulgação

Anteontem, Felipe Neto reafirmou uma promessa que já fez algumas vezes ao longo dos últimos anos em seu canal do YouTube: evitar que ele e sua equipe produzam conteúdo impróprio para crianças. Segundo o empresário, a divulgação de vídeos antigos dele e do irmão, Luccas, é a "única arma" que "pessoas aliadas ao governo Bolsonaro" possuem.

"A única arma daqueles que querem me atacar ou atacar ao meu irmão é resgatar vídeos do passado. É sempre a mesma história, a gente já lida com isso há anos e já está mais do que acostumado com essa estratégia baixa, sem caráter. Sempre que alguém quer mostrar que, de alguma forma, a gente faria conteúdo impróprio. Eles nunca pegam conteúdo do presente, feitos de dois anos para cá. São sempre vídeos do passado", afirmou.

Felipe fez uma ressalva sobre algo que a reportagem confirmou no YouTube: os vídeos do passado, que contêm palavrão e piadas de conotação sexual, contam com uma classificação indicativa no título. Isto vale para os vídeos antigos da série "Não Faz Sentido", por exemplo, que são listados como impróprios para menores de 13 anos.

felipe neto - reprodução/YouTube - reprodução/YouTube
Felipe Neto usa classificação indicativa de +13 e +18 em vídeos com palavrões e piadas de conotação sexual
Imagem: reprodução/YouTube

O youtuber acredita ser o único de grande alcance no mundo que faz isso. "Os vídeos têm classificação indicativa de idade para as pessoas assistirem. Eu sou, talvez, o único youtuber no mundo que coloca classificação indicativa de idade no título do vídeo todas as vezes que tem qualquer coisa que eu considere que o vídeo não é próprio para menores de 12 anos. Esse é um compromisso que eu vou continuar tendo sempre", afirmou.

Mais de uma vez ao longo dos últimos anos, Felipe reiterou que não tem como controlar quais públicos podem clicar nestes vídeos (o YouTube só impõe bloqueio de idade em canais que produzem conteúdo listado como impróprio para menores de 18), mas ele próprio convida pais e mães a assistirem ao seu trabalho com ou sem os filhos. "Vá lá conferir porque com certeza acredito que vocês vão gostar e compartilhar", pediu o youtuber.

Recentemente, ele completou 10 anos de canal e filmou a si mesmo reagindo a vários vídeos do passado — e censurou todas as palavras impróprias que costumava dizer. Hoje em dia, quando ele ou algum convidado diz palavrões, estes são censurados com sons de coruja. Esta prática foi adotada por Felipe quando Luccas Neto passou a atingir grande público infantil e se tornou influenciador para crianças.

"Sempre que vocês virem alguém, qualquer pessoa, não estou falando de alguém específico, qualquer pessoa divulgando conteúdos antigos nossos, vocês têm de considerar que a gente não tinha conteúdo infantil, a gente não falava com crianças naquela época. E é fundamental que isso seja explicado, principalmente em relação a conteúdos que tenham palavrão e piadas de conotação sexual. Eu não tinha qualquer criança me assistindo", explicou.

"Eu fazia vídeos como o Whindersson faz hoje, com várias piadas de conotação sexual e coisas do gênero. Eu não tinha absolutamente nenhuma criança que era assídua do meu canal, não tinha indicativo disso. Quando eu comecei a perceber que algumas crianças começaram a assistir, eu mudei muito o meu conteúdo, como vocês sabem. Vocês acompanharam a minha história e sabem bem como aconteceu", disse Felipe.

"A estratégia dessa galera, normalmente de pessoas aliadas ao governo Bolsonaro, que tentam de toda forma assassinar a reputação dos opositores, é pegar esses vídeos, tirá-los de contexto e fingir que foram lançados recentemente. Dando a entender que crianças eram o foco quando eu fazia piadas de cunho sexual. Whindersson, Kefera e vários outros youtubers fazem piadas de cunho sexual, falam palavrões", acrescentou.

O empresário afirmou que todos os vídeos considerados impróprios foram deletados do canal de Luccas Neto, que hoje é, exclusivamente, um influenciador infantil. Felipe, por outro lado, ainda tem parte do conteúdo jovem e adolescente, de modo que alguns foram mantidos com a classificação indicativa (de "+13" ou "+18") no título.

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