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TVs católicas, evangélicas e comerciais "passam pires" no governo

Silvio Santos (SBT), Edir Macedo (Record), Marcelo Carvalho e Amilcare Dallevo, da Rede TV!, o grupo Simba - Divulgação
Silvio Santos (SBT), Edir Macedo (Record), Marcelo Carvalho e Amilcare Dallevo, da Rede TV!, o grupo Simba Imagem: Divulgação
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

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Colunista do UOL

06/06/2020 10h17

Foi preciso uma doença mortal e uma crise econômica sem precedentes para "pacificar" a relação midiática entre católicos, evangélicos e laicos.

Em uma verdadeira romaria ecumênica, feita presencialmente ou por telefone, líderes católicos, neopentecostais e até executivos ateus —todos proprietários de emissoras de TV e rádio— estão literalmente "passando a sacolinha" na Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social), em Brasília.

Emissoras evangélicas como rede Gospel, TV Mundial, Internacional da Graça, Universal, Vitória em Cristo, católicas como Rede Vida e as comerciais menores, como RBTV (Rede Brasil) e Gazeta estão indo a Brasília "suplicar" por mais verbas federais em suas programações.

Essas TVs estão sendo abatidas pela pandemia de coronavírus e pela queda impressionante de publicidade causada pela quarentena e o fechamento da economia.

Comerciais também pedem

Mas, as pedintes não são apenas estas menorzinhas: redes comerciais maiores como RedeTV, SBT, Record e Band também estão literalmente com o pires na mão.

No caso dessas, o governo já autorizou a volta dos famigerados sorteios na TV (o antigo 0900 em nova roupagem), mas a conclusão é que só isso não vai adiantar. A implantação da jogatina e o retorno está muito lento.

Pior: no caso de emissoras como RedeTV, que já acionou o sorteio, a interrupção constante de programação normal para fazer os sorteios está derrubando também a audiência.

Segundo a coluna apurou, atender a esses pedidos pode ser uma das causas do "reforço" de R$ 83,9 milhões que o governo federal deu para a Secom investir em propaganda, o que foi divulgado esta semana.

Apoio católico

Segundo o "Estado" publicou neste sábado, João Monteiro de Barros Neto, dono da Rede Vida, e o padre Wellington Silva, da TV Pai Eterno, estão chegando a oferecer apoio explícito ao governo Jair Bolsonaro em troca de apoio publicitário.

Outras emissoras como a Rede Gospel, do casal Hernandes, têm linha direta com o governo e também clamam por mais verbas.

A Gospel está fazendo um enorme corte de pessoal e de gastos desde março, início da pandemia.

O mesmo vale para Valdemiro Santiago, da Mundial do Poder de Deus, que já afirmou que sua igreja poderia "quebrar" por causa do fechamento de cultos. Santiago é um apoiador de Bolsonaro desde o primeiro momento.

No caso das emissoras comerciais, a Record, ligada à Universal, já vem dando apoio claro e palpável ao governo Bolsonaro em seu jornalismo. O mesmo vale para SBT e a RedeTV.

O senso crítico em relação ao governo nessas emissoras simplesmente está passando longe.

As três formam a Simba, uma joint-venture dedicada a lutar por seus direitos comerciais e legais, e reivindicam mais dinheiro de publicidade governamental em suas grades.

A TV brasileira aposta que só o governo federal pode salvar a lavoura.

Com o alto endividamento federal, a explosão do déficit público causado por necessários programas de auxílio à população mas, principalmente, devido à péssima qualidade da programação dessas emissoras (isso, sim afugenta telespectadores e anunciantes), não é preciso ser astrólogo ou vidente para prever:

Essa é uma aposta fadada ao fracasso.,

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