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A Vida Invisível: diretor Karim Ainouz chama governo Bolsonaro de fascista

O diretor brasileiro Karim Ainouz no Festival de Cannes - Oleg Nikishin\TASS via Getty Images
O diretor brasileiro Karim Ainouz no Festival de Cannes Imagem: Oleg Nikishin\TASS via Getty Images
do UOL

Do UOL

14/12/2019 15h37

O Oscar vai divulgar na próxima segunda-feira a lista dos pré-finalistas na categoria de Melhor Filme Internacional e o brasileiro A Vida Invisível é um dos favoritos a entrar na relação. Ao portal norte-americano Indie Wire, o diretor Karim Ainouz criticou a política cultural do governo de Jair Bolsonaro e falou se suas preocupações em relação ao futuro do cinema brasileiro.

"Estamos vendo um desmantelamento da indústria cultural. Durante todo o ano, nunca recebemos um e-mail, carta ou telefonema dizendo: 'Olá, você foi ótimo', ou 'estamos tão orgulhosos de você que você ganhou este prêmio'", disse Ainouz, se referindo ao reconhecimento no Festival de Cannes, quando A Vida Invisível ganhou o principal prêmio da mostra Um Certo Olhar, a segunda de maior importância do festival. "Tudo bem, eu não preciso do reconhecimento de um maldito fascista".

Ao citar Bolsonaro, o site conta que "o líder de extrema direita tentou censurar a mídia" e declarou "guerra contra a indústria cinematográfica do país".

O cancelamento da exibição de A Vida Invisível aos funcionários da Ancine por ordem do governo também foi citado pela reportagem — e o diretor disse à Indie Wire que ainda aguarda explicações sobre o ocorrido.

Cena de A Vida Invisível com Julia Stocker e Carol Duarte - Bruno Machado/Divulgação
Cena de A Vida Invisível com Julia Stocker e Carol Duarte
Imagem: Bruno Machado/Divulgação

"Eles nunca me disseram por que [cancelam a exibição]. Eles não reagendaram. É uma falta de respeito. Todo o setor está parado, muitas pessoas estão mudando de profissão porque o que vai acontecer nos próximos dois anos é essa constante estagnação", lamentou.

Karim Ainouz traçou um paralelo entre a época em que se passa a história de suas protagonistas — Guida e Eurídice Gusmão, interpretadas por Julia Stockler e Carol Duarte — com o atual momento do Brasil.

"Desde a década de 1960 as coisas mudaram muito graças à luta das mulheres e seus apoiadores, mas a ascensão de Bolsonaro criou uma nova situação", acredita. "Existe uma nostalgia por aquela época, algo que comemora os valores da família tradicional. Acho que o filme é interessante porque mostra aquela década e diz: ''Isso que você está celebrando foi forjado através da violência, da crueldade"".

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