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Caetano Veloso: "Será que o Brasil tem que pagar tanto carma assim?"

Caetano Veloso - Marcelo Justo/UOL
Caetano Veloso Imagem: Marcelo Justo/UOL
do UOL

Do UOL, em São Paulo

18/07/2019 00h01

Preso, exilado e com capas de discos censuradas no passado, Caetano Veloso faz hoje uma avaliação do peso da ditadura não só na sua obra, mas como um "carma" que ameaça a grandeza do país. "Vocês estão vendo como é o negócio... Será que o Brasil tem que pagar tanto carma assim para chegar a dizer o que ele realmente tem a dizer?", questiona ele em entrevista ao podcast Essenciais, da Deezer.

"Se as reações são tão profundas às possibilidades do Brasil é por causa da inevitável grandeza que o país tem que representar no mundo. O Brasil tem originalidade, é um país de dimensões imensas. A gente fala português nas Américas. Tem uma população altamente miscigenada. É muita coisa. Sabem por que fazem tudo para não dar certo? Porque se der certo é muito. Então a reação é muita. E a reação tem sido muita, mas a gente aguenta. Eu vou em frente", afirma o artista.

No programa, Caetano lembra também do tempo em que foi preso, alvo da ditadura militar no Brasil. "Me fez bastante mal. Eu fiquei abalado. Fiquei mais assustado, e meio deprimido", ele conta. Exilado por dois anos e meio em Londres, o cantor e compositor ainda disse como ficava triste na capital londrina, por ser um lugar muito diferente do Brasil.

Caetano ainda aborda a época quando considerou deixar a música. Quando criança pensava em ser filósofo, depois professor e artista plástico, porque gostava de pintar. "A música apareceu, foi uma causalidade. No período do Tropicalismo decidi que ia deixar de fazer música. Tinha uns amigos místicos que diziam que era uma missão, que seria uma coisa grande. Eu não me guio por isso. Eu me reencontro com isso. Quando eu falei do Brasil ter uma vocação, uma possibilidade de grandeza, eu sinto isso."

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