Topo

Corinthians x Inter: a revolução ofensiva do duelo dos técnicos interinos

Dyego Coelho, técnico interino do Corinthians - Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians
Dyego Coelho, técnico interino do Corinthians Imagem: Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians
do UOL

Samir Carvalho e Marinho Saldanha

Do UOL, em São Paulo e Porto Alegre

17/11/2019 04h00

Corinthians e Inter se enfrentam hoje (17), às 18h (de Brasília), na Arena Corinthians, pela 33ª rodada do Brasileiro. A partida é decisiva para ambos na briga por vaga na próxima Libertadores. E ainda que tenham objetivos latentes neste ano, tanto o Timão quanto o Colorado já estão de olho em 2020, com a perspectiva da chegada de novos treinadores.

No Corinthians, o jogo é encarado como uma decisão, a primeira de Dyego Coelho no comando do time. Isso porque o Inter é concorrente direto por uma vaga no G6, que garante vaga na próxima Libertadores. O tom é o mesmo no Colorado, que vê no jogo a chance de firmar a equipe de Zé Ricardo no caminho das vitórias e acalmar o ambiente tenso que se apresentou desde o vice-campeonato da Copa do Brasil.

Tiago Nunes - Gabriel Machado/AGIF
Tiago Nunes
Imagem: Gabriel Machado/AGIF
Eduardo Coudet - STR/AFP Photo
Eduardo Coudet
Imagem: STR/AFP Photo

Assim como o Inter, o Corinthians joga também com a "cabeça" no próximo ano. Se o time gaúcho espera o início do trabalho de Eduardo Coudet, que ainda não foi anunciado, o Timão já está acertado com Tiago Nunes. O ex-técnico do Athletico já trabalha nos bastidores para montagem do elenco e estará acompanhando o confronto contra o Inter pela televisão.

No clube paulista, diretoria, profissionais e torcedores esperam uma revolução tática. Com o novo técnico, se encerra o "estilo Fábio Carille", que prioriza o sistema defensivo, para começar uma era mais ofensiva.

O processo, no entanto, não aguardará até janeiro. Com Coelho e o auxiliar Mauro da Silva, o elenco já começa a assimilar uma nova postura tática. O time passou a jogar com a "saída de três", esquema em que o volante se posiciona entre os zagueiros para buscar a bola e bola e iniciar a armação do time. Para isso, Coelho sacou o ídolo Ralf e escalou Gabriel na função de primeiro volante. Hoje, o camisa 15 volta ao time, mas por conta da suspensão do titular.

O time agora joga com as linhas altas, marca pressão e chega a jogar com os dez atletas de linha no campo do adversário, bem diferente da "era Carille". Houve um período do jogo contra o Fortaleza, por exemplo, em que o time alcançou 70% de posse de bola.

Outras mudanças podem ser observadas na revolução tática já iniciada por Coelho. O lateral-esquerdo Danilo Avelar fecha como terceiro zagueiro para encaixar entre os atacantes do adversário e evitar que a defesa ficasse exposta em contra-ataques.

Pedrinho, o jogador mais valioso do time, também foi afetado com a nova postura tática. O "prata da casa" enfim deixou o lado direito e a "jogada manjada" de cortar para o meio. Agora ele atua por dentro no esquema 4-1-4-1, mas do lado esquerdo do campo, função que ele exerce na seleção olímpica. Vale lembrar que o jovem meia não atua hoje pois defende a seleção sub-23.

Zé Ricardo, técnico do Inter - Ricardo Duarte/Inter
Zé Ricardo, técnico do Inter
Imagem: Ricardo Duarte/Inter

O processo é semelhante no Internacional. Ao demitir Odair Hellmann, o Colorado entendia que a equipe precisava ser mais agressiva e veloz, jogar mais perto do gol adversário e abandonar a postura reativa orquestrada pelo antigo comandante. Eduardo Coudet é a expectativa de uma transformação na forma de atuar, com intensidade e uma equipe voltada ao ataque.

Ainda que faltem meses para que o treinador argentino deixe o Racing e assuma de vez a equipe do Rio Grande do Sul, a preferência pelo ataque já é vista nas escolhas de Zé Ricardo. O treinador abandonou a formação com três volantes, adotou extremos mais agressivos e D'Alessandro como suporte para Paolo Guerrero.

Desde sua estreia, Zé Ricardo, que vai para o sexto jogo, não conseguiu repetir equipe, mas jamais mudou a ideia de colocar o Inter ao ataque, independente do adversário que tenha pela frente. Com Edenilson e Lindoso como volantes, há liberdade de aproximação e a participação dos laterais Heitor e Uendel no campo de ataque também é frequente.

O principal beneficiado até agora foi William Pottker. Com poucas chances no comando antigo, o atacante ganhou liberdade para utilizar toda sua velocidade e potência no campo de frente e tem se destacado em jogos e treinos.

FICHA TÉCNICA
CORINTHIANS X INTERNACIONAL
Data e hora:
17/11/2019 (Domingo), às 18h (Brasília)
Local: Arena Corinthians, em São Paulo (PS)
Árbitro: Marcelo de Lima Henrique (RJ)
Auxiliares: Rodrigo Figueiredo Henrique Correa e Silbert Faria Sisquim (Ambos do RJ)
Árbitro de vídeo: Rodrigo Nunes de Sa (RJ)
CORINTHIANS: Corinthians: Cássio, Fagner, Manoel, Gil, Danilo Avelar; Ralf, Junior Urso, Sornoza, Mateus Vital (Jadson), Janderson; Mauro Boselli.
Técnico: Dyego Coelho
INTERNACIONAL: Marcelo Lomba; Heitor, Moledo, Cuesta e Uendel; Lindoso, Edenilson, Pottker, D'Alessandro e Patrick; Sobis (Guerrero).
Técnico: Zé Ricardo

Errata: o texto foi atualizado
A ficha técnica informava que o jogo será realizado às 22h, mas o horário correto é 18h. A informação foi corrigida.

Esporte