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Marrocos reabre ruínas de Lixus, grande porto pesqueiro do ocidente romano

2019-04-20T20:38:00

20/04/2019 20h38

Javier Otazu.

Larache (Marrocos), 20 abr (EFE).- O Marrocos restaurou e reabriu neste sábado para o grande público o complexo arqueológico de Lixus, junto à cidade de Larache, que foi no início do século I de nossa era o grande porto pesqueiro do ocidente romano e onde dizem que Hércules realizou um dos seus 12 trabalhos.

Encravada em uma colina sobre o estuário do rio Lukos e em frente à cidade de Larache, Lixus sofreu durante anos com o abandono, mas finalmente conta agora com um circuito turístico de pouco mais de um quilômetro e um centro de interpretação para os visitantes.

"Só escavamos 15% das ruínas de um complexo que em seu momento de esplendor ocupava 60 hectares", disse à Agência Efe o arqueólogo Mohammed Kabiri Alaoui, que insistiu assim no potencial do local, um tanto ofuscado pelo outro grande monumento romano de Marrocos, o de Volubilis, na região de Meknés.

O momento de esplendor de Lixus aconteceu no reinado do imperador Cláudio (41-54 d.C.), quando a cidade era uma grande feitoria de salinizações de peixe e do "garum" romano, uma espécie de caviar feito à base de sangue, fígados, ovas e intestinos de peixes que eram guardados em sal dentro de ânforas e podiam ser consumidos durante anos.

A importância do peixe era tal que apareceram nas ruínas de Lixus, junto a moedas com a efígie dos imperadores, outras com silhuetas de atuns.

No complexo a partir de hoje acessível aos turistas por um preço de 70 dirhams (cerca de R$ 25), podem ser vistas as cisternas onde se salgavam os peixes, as escalinatas de um anfiteatro de 800 metros quadrados único na África e as ruínas do bairro nobre e de um palácio que pode ter sido do rei Juba II e de Ptolomeu.

O que já não se pode ver são os mosaicos de Lixus, salvos para a posteridade em outras escavações e hoje conservados principalmente no Museu de Belas Artes de Tetouan, assim como outras estatuetas em bronze ou mármore guardadas em outro museu em Rabat.

Além disso, diz a lenda que foi em Lixus que estava o Jardim das Hespérides, as filhas de Atlas que cultivavam maçãs de ouro que proporcionavam imortalidade e que estavam guardadas por um dragão de cem cabeças.

Usando a astúcia mais que a força, Hércules convenceu Atlas para que recolhesse as maçãs enquanto ele ficava em seu lugar, sustentando o céu.

Na região de Larache onde se ergue Lixus já não se cultivam maçãs de nenhum tipo, mas principalmente morangos, que transformaram a cidade na capital marroquina das frutas vermelhas.

Por outro lado, como nos tempos de Lixus, o peixe continua sendo outra das fontes de receita da região e, no extenso estuário de águas pantanosas que se estende aos seus pés, são pescadas outras iguarias do século XXI, como os disputados meixões (filhotes de enguias). EFE

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