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Rafaela Silva diz que doping foi causado por filha de amiga

Rafaela Silva ganhou a medalha de ouro na categoria leve pela primeira vez no Pan - Wander Roberto/COB
Rafaela Silva ganhou a medalha de ouro na categoria leve pela primeira vez no Pan Imagem: Wander Roberto/COB
do UOL

Do UOL, em São Paulo

20/09/2019 15h28

A judoca Rafaela Silva, principal nome do Brasil na modalidade, concedeu entrevista coletiva hoje (20) para explicar por que foi flagrada em um exame antidoping realizado durante os Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, que aconteceu neste ano. O exame realizado na atleta encontrou a substância Fenoterol, que faz parte de um remédio utilizado para contra asma.

"Meus advogados e eu estamos estudando, avaliando a possibilidade de como chegou ao meu corpo. (...) Não tenho nada a esconder, não tomo remédio, bebida alcoólica, não tomo suplementos, só consumo aquelas barrinhas de gel quando indicadas pela nutricionista. Sempre tive cuidado, não pego garrafa de água de ninguém, sempre escrevo algo na minha e deixo trancada na minha mala para ninguém ter acesso. Estou na mira da Wada (Agência Mundial Antidoping) desde 2009, 2010, quando cheguei na seleção brasileira. Sempre entrei sem nenhuma preocupação (nas competições)", disse a atleta.

Rafaela explicou que a substância pode ter entrado em seu corpo após uma brincadeira realizada com a filha de uma colega do Instituto Reação, clube que ela defende no Rio de Janeiro.

"Não faço uso da substância, não tenho asma, não tenho autorização para fazer uso (do medicamento). Desde quando fiquei sabendo da notícia, minha última competição tinha sido o Gran Prix de Budapeste. De 27 de julho até o Pan, eu fui pensando todos os meus dias o que poderia ter acontecido, e a única coisa que lembro, a única pessoa que fez uso dessa substância foi a Lara, filha da minha amiga que treina no instituto. Eu tenho a mania de dar o nariz pro bebê chupar. Me explicaram que, conforme ela vai chupando meu nariz, eu vou inalando o que ela tá mandando pro meu corpo. Pode ter sido uma das maneiras de chegar ao meu corpo", salientou a atleta, que acrescentou:

"Nenhum atleta se prepara para passar por um momento como esse, sempre tive muito cuidado. Estou aqui para dar minha cara à tapa, não tenho nada a esconder, não faço uso de nada. Fiz testes, vi que estou limpa, continuei competindo, tenho outras competições programadas no calendário. (Agora) É continuar treinando e tentar provar minha inocência."

Advogado explica como defesa atuará

O advogado Bichara Neto, que também participou da coletiva ao lado de Rafaela Silva e Flávio Canto, explicou qual será a linha adotada pela defesa para tentar provar a inocência da atleta. Neto explicou que, por se tratar de uma substância especificada, e não proibida, Rafaela não está suspensa preventivamente. Para usar o remédio que contém a substância, o atleta interessado precisa pedir a AUT (Autorização de Uso Terapêutico) e justificar o motivo à Wada.

"Hoje tivemos uma audiência com a comissão disciplinar do Pan. O procedimento está correndo no âmbito do Pan. Por ser uma substância especificada, a suspensão preventiva não é obrigatória. A gente vai sustentar isso, ela está conseguindo apresentar uma versão que demonstra que ela não usou a substância com intenção de obter vantagem e nem com culpa. O único processo iniciado foi esse perante os Jogos Pan-Americanos. Vamos aguardar que a Federação Internacional abra prazo pra ela apresentar a versão dela", explicou Bichara Neto.

Antes da coletiva de imprensa, o blog Olhar Olímpico apontou que a atleta também terá "total apoio" do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e da Confederação Brasileira de Judô (CBJ) para provar sua inocência.

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