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Muse antecipou a onda de caos e melancolia retrô para os millennials

do UOL

Marco Bezzi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

09/10/2019 23h09

É uma música melancólica. Trata de ficção científica e algoritmos. É o caos de uma Gotham City do Coringa misturado à revolta juvenil de Billie Eilish. Mas nem sempre foi assim. Quando surgiu, no fim dos anos 1990, o Muse era uma banda derivativa de Radiohead e Jeff Buckley. Na virada desta década, o trio se aproximou de temas como Vampiros, anos 80, hackers, lixo virtual.

Antes do show começar, a trilha de "Stanger Things" nas caixas de som. Se a nova geração não tem um gênero musical favorito, o Muse parece querer misturar tudo em sua música pra não deixar ninguém de fora.

O show já há muito tempo é produzido para agradar os millennials, a geração Z. Em paralelo, dá pra pensar no Kings of Leon, que fez o mesmo movimento ao sair do meio independente para as capas de revistas como a finada Capricho.

A apresentação do Muse é toda muito bem ensaiada e visualmente detalhada. Às vezes beira o kitsch e o mau gosto. Pelo menos pra quem passou dos 40 anos.

Prêmio para os fãs

O caos mental é reverberado desde a primeira música, "Algorithm" que emenda em "Preassure". Dançarinas com trompetes se vestem como robôs e o vocalista Matt Bellamy - com mais pinta de jogador da Premier League aposentado do que de rockstar - vem fantasiado de androide, no melhor estilo Daft Punk retrô.

O Ginásio do Ibirapuera, substituto do Allianz Parque, criou uma atmosfera bem mais intimista pra um show produzido para grandes estádios. Passarela, luzes, telão grande. Para os fãs histéricos da banda, que eram facilmente identificado pela camiseta com o logo da banda - e eram muitos -, um prêmio.

Um grande diferencial do Muse é como a guitarra de Bellamy é protagonista nas composições do grupo. Há até solos, que hoje poderiam ser considerados anacrônicos, como em "Plug in Baby" e "Madness". "Uprising", música de uma década atrás, é a primeira que leva o ginásio todo a cantar.

"Hysteria", "Supermassive Black Hole", "Time is Running Out" e "Starlight" esquentam os corações de quem esteve no Ibirapuera. "Propaganda" traz ao palco mais uma vez as dançarinas que enchem o local de fumaça. A formação que preenche o cenário futurista é utilizada outras vezes durante as quase duas horas de show.

É uma apresentação com tudo o de melhor do rock de arena: confetes, serpentinas, músicas para cantar junto, o monstrão do Alien no fundo do palco pra matar de inveja o Iron Maiden. E tudo isso num lugar "pocket". Sorte de quem foi.

Kaiser Chiefs

Perdidos num limbo entre o estouro do britpop e a quase extinção das bandas de rock, os ingleses do Kaiser Chiefs fizeram o show de abertura do dia. Com sucessos como "Everyday I Love You Less and Less", "Ruby", "I Predict a Root" e "Oh My God", o grupo distribuiu um rock pop dançante que às vezes lembra Pulp, às vezes The Jam. É uma banda certa que nasceu na hora errada.

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