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Torcedor do Flamengo 'dribla' deportação para ver final da Libertadores

Torcedor do Flamengo, João Pedro Brígido contou com a ajuda de rubro-negros que também foram ver a final para poder entrar no país - Reprodução
Torcedor do Flamengo, João Pedro Brígido contou com a ajuda de rubro-negros que também foram ver a final para poder entrar no país Imagem: Reprodução
do UOL

Alexandre Araújo e Bruno Braz

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

18/11/2019 11h05

Um torcedor do Flamengo contou com uma corrente nas redes sociais, auxílio de familiares e a ajuda de dois desconhecidos para conseguir assistir à final da Libertadores, que acontece em Lima, no Peru, no sábado, entre o time comandado pelo técnico Jorge Jesus e o River Plate, da Argentina.

João Pedro Brígido, de 24 anos, viajou para a capital peruana para acompanhar a partida que pode dar o segundo título da competição sul-americana ao Rubro-Negro. Um descuido, porém, quase fez o sonho ir por água abaixo.

O advogado chegou a Lima no último sábado, quase 24 horas depois de ter embarcado no Rio de Janeiro, em um voo que fez conexão em São Paulo e Santiago, no Chile - local onde seria a final inicialmente. Pouco depois de desembarcar, a decepção. Ele não poderia entrar no país porque o vencimento do passaporte não estava dentro do que rege a lei nacional do Peru e a carteira de habilitação não foi aceita.

"Saí do Rio, fui para São Paulo, passei a noite em São Paulo, de manhã fui para Santiago [Chile] e, de Santiago, peguei uma conexão para Lima [Peru]. Cheguei, no horário local, por volta das 16h de sábado. Na hora de passar na imigração... Eu já tinha vindo ao Peru em 2017, já tinha passado [pela imigração peruana] uma vez. Mas, na hora de passar, deu um problema. Meu passaporte vence em abril, ou seja, mais cinco meses. E, agora, eles têm uma lei recente que, para entrar no Peru, o passaporte tem de ter, no mínimo, seis meses de validade", conta ele, que aponta que, na viagem anterior, chegou a pesquisar sobre o assunto, mas não repetiu o ato desta vez:

"Eu não sabia dessa mudança de lei. Lembro que, quando vim em 2017, eu cheguei a procurar por coisas do tipo porque, no Brasil, não tenho o costume de andar com a [carteira de] identidade, só com a CNH [carteira nacional de habilitação]. Na época, não achei nada. Desta vez, não tive o cuidado de procurar e tinham mudado a lei. Cheguei aqui, dei de cara e não pude entrar".

João seria deportado, porém, pediu que lhe dessem um período para que pudesse pensar em uma solução. Foi quando recorreu às redes sociais.

"Falaram que eu seria deportado, que eu não podia ficar aqui. Eu pedi algumas horas para ver o que eu fazia. Fui enrolando e consegui perder, entre aspas, dois voos de volta, que iriam para São Paulo. Pelo Twitter, consegui acionar um pessoal... Um monte de gente se mobilizou para achar alguém que pudesse trazer a minha identidade para mim. Consegui enrolar e ficar mais tempo aqui em Lima, sem ser deportado", recorda.

Apesar do tempo extra que conseguiu, João lembra que foram momentos de tensão, pois não sabia se o documento chegaria antes de ele ter de embarcar de volta ao país natal.

Gabriel (preto), irmão de João, com Arthur e André, pai e filho que ajudaram - Arquivo Pessoal
Gabriel (preto), irmão de João, com Arthur e André, pai e filho que ajudaram
Imagem: Arquivo Pessoal

"Falei com meu irmão e minha namorada e eles se disponibilizaram a levar a identidade para quem quer que fosse, no aeroporto do Galeão ou no Santos Dumont. Quem quer que estivesse vindo para o Peru e pudesse trazer para mim a tempo, antes de eu ser deportado. E eu não tinha um prazo fixo, então, estava muito tenso porque, de repente, iam trazer minha identidade, mas podia não dar tempo".

Após muita conversa, o rubro-negro ganhou, no fim da noite de sábado, um aval para que pudesse esperar até a manhã seguinte para, a partir daí, a situação ser analisada.

"Fiquei o tempo todo sendo custodiado por seguranças do aeroporto, me trataram super bem, super educados. Não tenho do que reclamar. Fiquei esperando e, por volta das 22h daqui, eles me falaram que tinham conseguido que eu pudesse esperar até 9h30 de domingo. Disseram que eu precisava que alguém levasse a identidade e, depois, veriam a situação, se daria para esperar mais tempo, se fosse preciso, ou se eu seria deportado", afirma.

No Brasil, Juliana Porto e Gabriel Brígido, namorada e irmão de João, respectivamente, conseguiram a ajuda de dois rubro-negros: André Freitas, 53, e Arthur Freitas, 16, pai e filho que viajaram para Lima também para acompanhar a decisão.

"Acabou que minha namorada e meu irmão acharam uma pessoa no aeroporto, vindo para cá. Um pai e um filho, na verdade. Eles trouxeram a minha identidade e me salvaram. Chegaram às 9h. Ainda teve uma tensão na hora porque não estavam liberando meu cartão de reingresso para a imigração. Mas consegui encontrar com eles na fila da imigração e chorei feito uma criança. Agora, estou aqui e rumo ao bi da Libertadores".

"Gostaria de agradecer profundamente à minha família, namorada, amigos e à #FlaTT (rubro-negros no Twitter), além, é óbvio, dos meus anjos da guarda André e Arthur. Não estaria em Lima sem a ajuda deles!"

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