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Como Bragantino e Red Bull se ajudam para time brigar pelo acesso

Jogadores do Bragantino posam antes de jogo contra o Sport - Paulo Paiva/AGIF
Jogadores do Bragantino posam antes de jogo contra o Sport Imagem: Paulo Paiva/AGIF
do UOL

João Victor Miranda

Colaboração para o UOL, em Atibaia

21/09/2019 04h00

A parceria entre Bragantino e Red Bull Brasil completa cinco meses no dia 23 de setembro. Em abril, os dois clubes anunciaram o contrato, que previa que a empresa de bebidas energéticas assumiria a gestão do futebol do time de Bragança Paulista a partir do início da Série B. A novidade gerou bastante expectativa, e até aqui tem dado certo para os envolvidos.

De imediato, a parceria ofereceu ao Red Bull Brasil a chance de jogar a Série B do Campeonato Brasileiro -- o clube não disputaria nenhuma divisão da competição nacional nesta temporada. O Bragantino, por sua vez, recebeu grande aporte financeiro, vários eforços e uma nova gestão, seguindo o modelo do clube-empresa.

Mais importante: a parceria é líder do Brasileiro da Série B e registra um sensível aumento na média de público nos jogos no Estádio Nabi Abi Chedid, em Bragança Paulista.

Benefícios em campo

A parceria entre os clubes possibilitou aos gestores a montagem de um novo elenco. Boa parte dos jogadores que participaram da campanha que levou o Red Bull Brasil ao título do Troféu Interior do Campeonato Paulista foi levada ao novo time. Apenas alguns destaques da equipe de Bragança Paulista, que fez campanha modesta no estadual, permaneceram.

Para comandar o time na briga pelo acesso, o escolhido foi Antônio Carlos Zago, elogiado pelo estilo de jogo que levou o Red Bull Brasil à melhor campanha da primeira fase do Paulistão. Marcelo Veiga e sua comissão técnica, que treinaram o Bragantino no estadual, foram dispensados.

Além disso, o aporte financeiro da empresa de bebidas energéticas possibilitou ao Bragantino se reforçar bem. Desde abril, sete jogadores se juntaram ao elenco: Thiago Ribeiro, que veio do Guarani; Ricardo Ryller, do Braga (Portugal); Gabriel Baralhas e Morato, do Ituano; Vitinho, do Palmeiras; Robinho, do Náutico; e Edimar, do São Paulo.

O Bragantino arrancou bem na Série B. Assumiu a liderança na sétima rodada e não largou mais. Ao fim da 22ª rodada, a equipe somou 42 pontos. Na primeira colocação, o Massa Bruta é o time que mais venceu, com 12 triunfos, possui o ataque mais positivo, com 33 gols marcados, e a melhor defesa da competição, com somente 13 sofridos. Hoje, às 16h30 (de Brasília), a equipe recebe o Londrina em partida válida pela 23ª rodada da competição.

Benefícios fora de campo

Com a estratégia de abaixar os preços dos ingressos para a Série B, privilegiando a fidelidade do público, a nova gestão do Bragantino alavancou a participação da torcida no Nabi Abi Chedid.

Logo na estreia em casa, contra o Sport, 8.200 torcedores compareceram ao estádio. Desde então, o clube segue registrando bons públicos. O maior deles foi contra a Ponte Preta, quando 9.577 pessoas foram ao Nabi Abi Chedid. A média é de 6.124 pessoas por partida.

Os números são satisfatórios para os parceiros, que não levavam muitos torcedores aos jogos em Campinas. Nas últimas quatro temporadas, Bragantino e Red Bull Brasil não conseguiram registrar uma média de público superior a cinco mil torcedores nas principais competições que disputaram. A exceção é a média de público do Massa Bruta na Série A2 do Campeonato Paulista de 2016, quando o time fez boa campanha na primeira fase da competição, mas não conseguiu o acesso.

Integração com outras franquias

Logo no primeiro ano da parceria, o clube de Bragança Paulista já pôde experimentar algumas novidades incomuns para a maioria dos times brasileiros. Na pausa para a Copa América, o Bragantino fez intertemporada na Europa, onde foi recebido pelo Red Bull Salzburg, da Áustria e disputou vários amistosos contra equipes da região. A ação é parte do plano de integração com outras franquias geridas pela empresa de energéticos.

Em entrevista ao UOL Esporte, o atacante Matheus Cunha, do RB Leipzig, da Alemanha, e da seleção brasileira sub-23, contou como funciona a integração entre as equipes geridas pela Red Bull

"Nosso antigo treinador e hoje diretor esportivo Ralf Rangnick esteve no Brasil recentemente. Ele é o chefe de desenvolvimento de todo o projeto. Isso mostra a integração e como eles unificam o trabalho. É um projeto excepcional. É mais recente. Mas sem dúvida é muito falado na Alemanha. Existe uma integração muito grande entre as filiais. Todas as filiais procuram estar em conexão para trocarem experiências e também manter o padrão", declarou.

Futuro

As mudanças devem ser ainda maiores nos próximos anos. O Bragantino vai virar Red Bull Bragantino e ganhar um novo escudo, mais alinhado com o novo projeto.

O Red Bull Brasil, que em 2019 continuou operando com nome e escudo próprios nas categorias de base, ainda não tem futuro definido.

Por enquanto, os resultados têm deixado o CEO do projeto, Thiago Scuro, satisfeito. No entanto, ele entende que é cedo para chamar a parceria de case de sucesso, já que os principais objetivos ainda não foram alcançados.

"Espero que o objetivo final esteja muito longe. A expectativa é que nos próximos anos a gente possa construir uma história vencedora, bacana dentro do futebol brasileiro. Entendo que ainda não é um case de sucesso, mas é um modelo que chama a atenção. Para ser um case de sucesso, precisamos confirmar dentro de campo, estar bem estruturado, bem organizado. Agora, sem dúvida, o turno dá um certo otimismo. A equipe fez uma boa campanha. o Antônio Carlos Zago tem feito um bom trabalho, de rendimento muito consistente", disse Thiago Scuro, em entrevista ao Fox Sports.

História

Fundado em 2007, o Red Bull Brasil mandava seus jogos na cidade de Campinas, no estádio Moisés Lucarelli, até fechar a parceria com o Bragantino. Disputou a elite do Paulista pela primeira vez em 2015, ano em que conseguiu vaga na Série D do Brasileiro, algo que se repetiria em 2017. No entanto, a equipe nunca chegou longe as campanhas nacionais.

O Bragantino, por sua vez, foi fundado em 1928. Figura constante na Série B do Campeonato Brasileiro na última década, o Massa Bruta, como é conhecido, viveu seu auge no início da década de 1990, quando conquistou um Paulista (1990) e foi vice-campeão brasileiro (1991). A última vez que o clube disputou a elite do futebol nacional foi em 1998, porém.

Relembre: Presidente diz que Bragantino será campeão mundial antes que o Palmeiras

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