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Conheça o preparador que colocou dois goleiros na seleção de Tite

Luciano Junior, ex-preparador de goleiros do Athletico, trabalhou com Santos (esquerda) e Weverton - Arquivo Pessoal
Luciano Junior, ex-preparador de goleiros do Athletico, trabalhou com Santos (esquerda) e Weverton Imagem: Arquivo Pessoal
do UOL

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL, em Curitiba

21/09/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Weverton (Palmeiras) e Santos (Athletico) foram convocados por Tite para a seleção
  • Dupla trabalhou junta no Athletico até 2018, quando o primeiro foi para o Palmeiras
  • Ambos trabalharam com o preparador de goleiro Luciano Junior, hoje no Vitória
  • "O Weverton é mais emocional, o Santos é mais racional", diz Luciano

O CT do Caju leva esse nome em homenagem à Alfredo Gottardi, o Caju, histórico goleiro do Athletico, primeiro atleta paranaense a ser convocado para a seleção brasileira. Aconteceu no Sul-Americano de 1942. Talvez seja a água do local, mas a convocação de Tite para os amistosos contra Senegal e Nigéria contemplou dois goleiros que ganharam notoriedade por seus trabalhos por lá: Weverton, hoje no Palmeiras, e Santos, novidade da seleção após o título atleticano da Copa do Brasil.

Antes deles, Neto, atualmente no Barcelona, já se destacou no gol do Furacão antes de ser chamado para vestir a Amarelinha. Até mesmo a Rússia se serviu desse trabalho: Guilherme, o brasileiro naturalizado russo que chegou perto de ser convocado para a Copa do Mundo do ano passado, começou no Furacão. Com uma história que ainda conta com goleiros como Raul Plassmann, Roberto Costa, Marolla e Rafael Cammarota, todos com convocação na carreira, o Athletico se destaca por formar ou aprimorar o trabalho dos goleiros.

O preparador de goleiros Luciano Junior, 46, atualmente no Vitória, trabalhou com Weverton e Santos no Athletico entre 2013 e 2018. O primeiro foi formado no Corinthians, mas foi na Arena da Baixada, após boa passagem pela Portuguesa, que ganhou destaque. Chegou em meio à campanha da Série B em 2012, quando Santos era titular. O clube queria um nome mais experiente e o jogador formado no CT do Caju teve de esperar.

"O Athletico sempre teve uma boa escola de goleiros. O Neto foi o primeiro nessa nova etapa, mas lá atrás já tiveram outros", relembrou o profissional. "Nesta fase, em que eu sou contemporâneo, eu credito muito ao trabalho feito na base. Eu costumo dizer que o Athletico tem goleiros pra 20 anos. São profissionais muito qualificados, trabalhados muito no detalhe. O trabalho fez com que os goleiros fossem convocados com mais frequência. Depois do Neto, o Weverton, e agora o Santos".

Férias interrompidas por opção dos goleiros

Em 2017, com Libertadores pela frente, o Athletico viveu uma situação inusitada com seus goleiros. "Eu cheguei em Curitiba uma semana antes do fim das férias, e o Weverton me ligou pra voltar a treinar antes. Liguei pro Santos, falei com ele e na hora topou. A diretoria liberou e a gente voltou a treinar uma semana antes de todo mundo. É difícil isso, por que jogador quer ter as férias até o último minuto. Esses dois não. São muito trabalhadores", contou Luciano.

Santos e Weverton vão se reencontrar na seleção ao lado de Ederson — este, formado no São Paulo. "Eles são amigos, o Weverton ia para a seleção e ficava vendo ele jogar no time, mandava mensagem. O Santos tem 10 anos de clube, já tinha jogado na equipe principal. A relação entre eles era muito boa, um respeito muito grande, eles sabiam do potencial do outro e isso fazia com que os dois crescessem juntos. Quando o Weverton não jogava, ia o Santos."

Com o Palmeiras tendo Weverton na mira, Luciano então defendeu que o Athletico deveria apostar em Santos como reposição. "Eu particularmente entendia que o Santos poderia ser o substituto do Weverton, que jogou 300 jogos pelo clube. Eu sabia que ele ia dar retorno", comentou Luciano.

Preparador vê diferenças na personalidade de ambos

Questionado sobre quais as características de cada um, Luciano definiu Weverton como "emocional" e Santos como "racional". "Weverton é muito forte mentalmente, tem uma personalidade aguçada, é um goleiro arrojado, de muita técnica de enfrentamento no um pra um, aquilo de diminuir o espaço do atacante, dono de uma reposição boa. Trabalhamos muito a saída de gol dele, que era uma das coisas que ele precisava melhorar. Foi um goleiro que foi ganhando corpo, qualidades ao longo do tempo, até porque goleiro que joga muito adquire coisas boas. E passou a ser pegador de pênaltis, que o credenciou na seleção olímpica. Fomos trabalhando isso."

Ele prosseguiu: "Já o Santos tem uma técnica refinada, tem 10 anos de Athletico, com esse selo de qualidade Athletico Paranaense. O jogo com os pés melhorou muito com a chegada do Fernando Diniz, isso a gente tem que falar. Tem frieza, um atleta que passa uma serenidade muito grande para os que estão à sua frente. No raio X, eles terão as mesmas características. Eu gosto que tenham o mesmo perfil de jogo e o mesmo estilo, independentemente de quem esteja jogando. O Weverton é mais emocional, o Santos é mais racional."

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