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Coronavírus: os robôs usados para eliminar vírus em hospitais

Adrienne Murray - Repórter de tecnologia

Da BBC

29/03/2020 09h46

A pandemia de covid-19 elevou a demanda por robôs equipados com poderosas luzes ultravioletas que podem matar micro-organismos. Mas eles são eficazes no combate ao Sars-Cov-2?

"Por favor, saia da sala, feche a porta e inicie uma desinfecção", diz um robô.

"Agora, ele também fala em chinês", diz Simon Ellison, vice-presidente da empresa UVD Robots, enquanto demonstra o funcionamento da máquina.

Através de uma janela de vidro, observamos como o robô navega por uma sala que imita um ambiente hospitalar e mata micro-organismos por meio de luz ultravioleta.

"O negócio já estava crescendo em um ritmo bastante alto, mas o novo coronavírus aumentou a demanda", diz Per Juul Nielsen, executivo-chefe da companhia.

Ele afirma que "caminhões" de robôs foram enviados para a China, em particular a Wuhan, primeiro epicentro da epidemia. As vendas em outros lugares da Ásia e da Europa também estão crescendo.

"A Itália tem gerasdo uma demanda muito forte", acrescenta Nielsen. "Eles realmente estão em uma situação desesperadora. É claro que queremos ajudá-los."

Como a tecnologia funciona

A produção foi acelerada, e a empresa leva agora menos de um dia para fabricar um robô em suas instalações em Odense, a terceira maior cidade da Dinamarca e lar de um crescente centro de robótica.

Brilhando como sabres de luz, oito lâmpadas emitem luz ultravioleta UV-C concentrada. Isso destrói bactérias, vírus e outros micróbios nocivos, danificando seu material genético, para que não consigam se multiplicar.

Também é prejudicial para os seres humanos, por isso esperamos do lado de fora. O trabalho é realizado em 10 a 20 minutos. Depois, fica um cheiro parecido com o de cabelos queimados.

"Existem muitos organismos problemáticos que dão origem a infecções", explica Hans Jørn Kolmos, professor de microbiologia clínica da Universidade do Sul da Dinamarca, que ajudou a desenvolver o robô.

"Se você aplicar uma dose adequada de luz ultravioleta em um período adequado de tempo, poderá ter certeza de que se livrará deles".

Ele acrescenta: "Esse tipo de desinfecção também pode ser aplicado a situações epidêmicas, como a que vivemos agora".

Robôs podem matar o novo coronavírus?

O robô foi lançado no início de 2019, após seis anos de colaboração entre a empresa Blue Ocean Robotics e o Odense University Hospital.

Ao custo de US$ 67 mil (R$ 340 mil) cada, o robô foi projetado para reduzir a probabilidade de infecções hospitalares, que podem ser difíceis de tratar e podem causar mortes.

Embora não tenha sido feito nenhum teste específico para provar a eficácia do robô contra o novo coronavírus, Nielsen está confiante de que funciona.

"Ele é muito semelhante a outros coronavírus, como os de Mers e Sars. E sabemos que eles estão sendo mortos pela luz UV-C", diz.

Lena Ciric, professora associada da University College London e especialista em biologia molecular, concorda que os robôs de desinfecção por UV podem ajudar a combater o coronavírus.

Os robôs de desinfecção não são uma "bala de prata", diz Ciric. Mas ela acrescenta: "Eles (as máquinas) fornecem uma linha extra de defesa".

Para ser totalmente eficaz, o UV precisa incidir diretamente sobre uma superfície. Se as ondas de luz estiverem bloqueadas por sujeira ou obstáculos, essas áreas de sombra não serão desinfetadas. Portanto, primeiro é necessária a limpeza manual.

Robôs nos hospitais

A luz UV é usada há décadas na purificação de água e ar e usada em laboratórios. Mas combiná-las com robôs autônomos é algo recente.

A empresa americana Xenex possui o LightStrike, que deve ser ajustado manualmente e fornece luz UV de alta intensidade a partir de uma lâmpada em forma de U. A empresa teve um aumento nas encomendas da Itália, Japão, Tailândia e Coreia do Sul.

A Xenex diz que estudos mostram que o produto é eficaz na redução de infecções adquiridas em hospitais e no combate às chamadas superbactérias. Em 2014, um hospital texano usou a máquina na limpeza após um caso de ebola.

Mais de 500 unidades de saúde, principalmente nos EUA, possuem a máquina. Na Califórnia e no Nebraska, ele já foi utilizado para desinfetar salas de hospitais onde pacientes com coronavírus receberam tratamento, segundo o fabricante.

Na China, onde o surto começou, houve a adoção de novas tecnologias para ajudar a combater a doença. O país já é o que mais gasta com sistemas de drones e robótica, de acordo com um relatório da empresa de pesquisa global IDC.

Leon Xiao, gerente de pesquisa da consultoria IDC China, diz que os robôs são usados ??para uma série de tarefas, principalmente desinfecção, entrega de medicamentos, dispositivos médicos e remoção de resíduos e verificação de temperatura.

"Acho que isso é um avanço para um maior uso da robótica tanto em hospitais quanto em outros locais públicos", diz Xiao. No entanto, o espaço nos hospitais para implantar robôs e a aceitação pela equipe são desafios, segundo ele.

Novo coronavírus levou a busca por inovações

O novo coronavírus levou as empresas chinesas de robótica a inovar. A YouiBot, com sede em Shenzhen, já estava fabricando robôs autônomos e rapidamente adaptou sua tecnologia para fabricar um dispositivo de desinfecção.

"Estamos tentando fazer algo (para ajudar), como todo mundo aqui na China", diz Keyman Guan, da YouiBot.

A startup adaptou sua base robótica e software existentes, adicionando câmeras térmicas e lâmpadas emissoras de UV-C. "Para nós, tecnicamente, não é tão difícil quanto você imagina... na verdade, é como Lego", diz Guan.

Já foi usado em fábricas, escritórios, aeroporto e hospital em Wuhan. "Ele está atuando agora no armazém de bagagens, verificando a temperatura do corpo durante o dia e matando vírus durante a noite", diz.

No entanto, a eficácia do robô ainda não foi avaliada. E, enquanto isso, o fechamento de fábricas e outras restrições para conter o novo coronavírus dificultam a obtenção de peças.

"A falta de um único componente nos impede de construir", acrescenta Guan, embora ele observe que as coisas melhoraram nas últimas semanas.

"Não há muitas coisas boas a dizer sobre epidemias", diz o professor Kolmus, mas ela forçou a indústria "a encontrar novas soluções".


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