Topo

Cinco momentos em que o ativismo foi tema nos palcos do João Rock 2019

Denilson Santos/AgNews
Baiana System no Palco João Rock Imagem: Denilson Santos/AgNews
Adriana de Barros

Adriana trabalha no UOL desde 2000, passou pelas rádios Mix FM, 97Rock e pela gravadora Sony Music.

do UOL

2019-06-16T16:26:53

16/06/2019 16h26

O interior de São Paulo sediou ontem (15) o João Rock, que neste ano chegou em sua 18ª edição. A exemplo dos grandes festivais, o evento de Ribeirão Preto também apresentou mais vez uma sequência de experiência ao público, que pode desfrutar da tirolesa, exibição de skatistas de renome no half montado no centro da arena e vivências no conforto dos camarotes.

A novidade deste ano foi o João Rock Futebol Clube, que promoveu um campeonato entre atrações, nos moldes do Rock Gol da MTV. O título de campeã foi para a banda brasiliense Tribo da Periferia.

Enquanto nos bastidores o assunto era a performance dos artistas e a contusão sofrida por Marcelo D2 em uma partida, que quase o impediu de fazer o show, no palco temas como racismo, assédio, educação e artes foram citados pelos artistas.

Listei abaixo cinco momentos em que as bandas se pronunciaram:

Plebe Rude pede coerência

Deividi Correa e Denilson Santos/AgNews
Imagem: Deividi Correa e Denilson Santos/AgNews

No Palco Brasil, com uma programação dedicada exclusivamente a cena de Brasília, a Plebe Rude abriu o dia por volta das 3 da tarde, como o próprio guitarrista Clemente observou, tinha "um sol para cada um em Ribeirão". No repertório, músicas compostas nos anos 1980, que ainda refletem a situação do país, como "Proteção", cuja letra diz: "A PM na rua, nosso medo de viver/ um consolo é que eles vão me proteger/a única pergunta é: me proteger do que?/Sou uma minoria mas pelo menos falo o que quero apesar da repressão".

Ao final da apresentação, o vocalista Philippe Seabra pediu "apenas coerência", se referindo aos últimos acontecimentos da política do Brasil.

Djonga pede o fim do racismo

Adriana de Barros/UOL
Imagem: Adriana de Barros/UOL

Como praxe em seus shows, o rapper pediu mais uma vez pelo fim do racismo. Com o recém-lançado álbum, "Ladrão", Djonga fez questão de dizer ao público que no país as palavras ladrão e negro estão associadas às grades. "Eles não estão acostumados a ver as palavras negro e ladrão relacionada a isso", disse ele, em um momento referindo-se à plateia que cantava todas as músicas.

À coluna, o rapper enfatizou a missão de levar a autoestima aos negros por meio de seus versos. "Todos os dias a gente tem que pensar em melhorar nossa visão sobre nós mesmos, principalmente os pretos e pretas".

Zeca Baleiro pede respeito às mulheres, impeachment e queda de ministro

Deividi Correa e Denilson Santos/AgNews
Imagem: Deividi Correa e Denilson Santos/AgNews

Atração do Palco João Rock, onde Pitty - única mulher do line-up do festival se apresentaria mais tarde -, coube a Zeca Baleiro chamar atenção para o machismo. O cantor bradou ao deixar o palco um sonoro "respeita as minas". Durante o show ainda fez homenagens ao Charlie Brown Jr e cantou Raul Seixas em uma apresentação que teve até dicas de meditação. Zeca aproveitou para deixar sua mensagem ao público: "impeachment ao novo presidente e queda do ministro da Justiça".

Baiana System pede arte e educação

Adriana de Barros/UOL
Imagem: Adriana de Barros/UOL

Em uma das melhores performances do palco João Rock, o Baiana System liderado por Russo Passapusso, teve pedido de "barulho" para a arte e para a educação, além de outras críticas ao vazamento da operação Lava Jato.

Com uma participação a conterrânea Pitty, ainda falaram da importância da voz que ecoa do Nordeste do Brasil. "Preciso falar dessa nossa palavra que vem do nordeste", disse Passapusso.

Emicida e Rael pedem fim do racismo e fim de armas nas mãos

Deividi Correa e Denilson Santos / AgNews
Imagem: Deividi Correa e Denilson Santos / AgNews
Logo na abertura do show, o telão apresentou a cena clássica do filme "Ó Pai Ó" protagonizada por Lázaro Ramos e Wagner Moura, com um discurso acalorado sobre o racismo. Dali em diante, a apresentação deu seu recado com músicas e lembranças de quando eles e mais uma turma se apresentava em rinhas de MCs atraindo cerca de apenas 70 pessoas. "Era eu, Rael, Criolo segurando a lâmpada, Rashid, Projota. Não tinha nada disso do que temos aqui hoje. Obrigado por acreditarem no hip hop", disse emocionado.

"Se tiver educação pra que ter arma na mão?", perguntou.

O único tema não debatido nos palcos foi a questão LGBTQ+. Talvez a inclusão de artistas que defendam essa bandeira para a edição 2020 seja um caso a se pensar para o line-up.

Mais Entretenimento