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Modern Love é uma joia da Amazon que vai aquecer o seu coração

Anne Hathaway em cena de Modern Love, da Amazon - Christopher Saunders/Amazon
Anne Hathaway em cena de Modern Love, da Amazon Imagem: Christopher Saunders/Amazon
do UOL

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

23/10/2019 04h00

Como coluna do jornal The New York Times, Modern Love reúne várias histórias sobre o "amor moderno" em suas várias formas - trágicas, engraçadas, fofas e até não-românticas. A série homônima da Amazon, que estreou na última sexta, segue por um caminho semelhante, conseguindo aquecer o coração daquele jeito que só as boas comédias românticas sabem fazer.

Desenvolvida por John Carney (Sing Street), a trama navega por oito histórias distintas, costuradas em oito episódios de meia hora cada. Ela começa com o doce Quando o Porteiro É Seu Melhor Homem, que mostra os laços paternais que se desenvolvem entre uma dupla improvável formada por uma jovem revisora (Cristin Milioti, a mãe de How I Met Your Mother) e o porteiro de seu prédio (Laurentiu Possa).

Catherine Kneer e Dev Patel em cena de Modern Love - Giovanni Rufino/Amazon
Catherine Kneer e Dev Patel em cena de Modern Love
Imagem: Giovanni Rufino/Amazon

O clima açucarado permanece com o episódio seguinte, Quando o Cupido é uma Jornalista Curiosa. Nele, uma experiente jornalista (Catherine Kneer) entrevista o homem por trás de um novo aplicativo de namoro (Dev Patel) e o provoca com uma simples pergunta: "Você já se apaixonou?" O que se segue é uma história redondinha, em flashbacks, sobre amores passados, erros, perdão e novas chances.

O episódio mais singular é Me Aceita como Eu Sou, Quem Quer Que Eu Seja. Ele traz Anne Hathaway na pele de Lexi, uma brilhante advogada que vê a forma como se relaciona com os outros afetada por questões de saúde mental. Alternando entre momentos solares e musicais que lembram La La Land e outros mais sombrios, o episódio é abrilhantado por uma atuação crua e visceral por parte de Hathaway, que provavelmente será lembrada na temporada de premiações do próximo ano.

Modern Love traz ainda o embate de um casal maduro (Tina Fey e John Slattery) que passa por uma crise e tenta se conectar novamente; as desventuras de dois jovens (John Gallagher Jr. e Sofia Boutella) que vão parar no hospital em um encontro; a conexão sincera de um casal gay bem-sucedido (Brandon Kyle Goodman e Andrew Scott) e a mulher (Olivia Cooke) cujo filho eles irão adotar; e um ensaio sobre os riscos e as alegrias de se viver um amor no fim da vida, pela perspectiva de uma mulher interpretada lindamente por Jane Alexander.

O ponto fora da curva é Então Ele Parecia um Pai, e Era Só um Jantar, Não É?. O episódio gira em torno de Madeline (Julia Garner), uma garota que começa a ver um de seus chefes, Peter (Shea Whigham) como o pai que ela perdeu. O roteiro do episódio nunca decola, deixando seus dois protagonistas presos a uma trama estranha que nunca deixa claro a que veio. Garner e Whingham, porém, conseguem dar alguma dignidade aos seus papéis e melhorar a experiência do capítulo.

É o elenco, aliás, o responsável por boa parte do encanto de Modern Love. Distante dos papéis em que nos acostumamos a vê-la, Tina Fey entrega um monólogo que por si só já valeria seu episódio; e é muito fácil de se identificar com Andrew Scott, o padre gato de Fleabag, agora na pele do futuro pai que não sabe ao certo como lidar com a disrupção representada pela mãe de seu filho.

Assim como o amor, Modern Love não é perfeita. Mas ela consegue criar um retrato múltiplo, cativante e otimista desse sentimento tão onipresente no cinema e na TV - e é daquelas séries capazes de fazer sorrir após um dia ruim. O que, convenhamos, nunca é demais.

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