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Café da manhã ou noitada esticada: Céu na Terra reúne foliões de manhãzinha

Lucíola Vilela/UOL
A francesa Claire Lecoca: açaí para começar a maratona carnavalesca. Imagem: Lucíola Vilela/UOL
do UOL

Lola Ferreira

Colaboração para o UOL, no Rio

2019-02-23T10:57:43

23/02/2019 10h57

O bloco Céu na Terra fez o seu primeiro cortejo oficial de Carnaval na manhã deste sábado (23), no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro. O tema do desfile era "Fé menina e fé menino", um ode ao universo feminino. Como é tradição, o cortejo começou às 7h e atraiu público de todas as idades - desde bebês ainda na barriga da mãe até idosos.

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Marcado pela mistura de turmas, o bloco também reúne desde os perdidos procurando um bom after party até aqueles com presença cativa, que tomam café da manhã enquanto aguardam o cortejo sair. Um grupo de amigos contou à reportagem que desde às 22h já havia rodado três bairros da cidade em busca da festa ideal, e esticaram a noitada no Céu na Terra.

Já os foliões que levantaram cedo da cama só para acompanhar o bloco, tiveram um ritual que começou com uma boa noite de sono para chegar com disposição. Costumam acordar bem antes para fazer a maquiagem e para os ajustes finais da fantasia. Caso de Carina Melo, de 33, que ostentava um traje bem elaborada fazendo alusão ao bordão político "serei resistência".

Para conseguir fazer as quatro horas de trajeto, Carina escolheu uma padaria no local de concentração do bloco para tomar o seu café da manhã: um sanduíche de queijo com presunto. "Frequento o bloco há pelo menos 10 anos, e sempre levo a sério: acordo, faço maquiagem. Céu na Terra é coisa séria", contou. 

É o caso também da francesa Claire Lecoca, de 31. Depois de visitar o Brasil pela primeira vez há três anos, ela volta em todo Carnaval. Na manhã deste sábado, ela tomava um açaí como café da manhã para encarar as horas em que estaria na banda do bloco. "Não tem como não se apaixonar por isso aqui. Por isso eu volto sempre", confessou, apaixonada.

O bloco também está no coração da instrumentista Luzia Fonseca, de 68 anos. Mineira, ela explicou que sempre teve relação com os batuques de tambor, mas foi no Rio de Janeiro que resolver aprender a tocar os instrumentos de percussão. "Eu acompanho o Céu na Terra há muito tempo, mas só decidi aprender a tocar tem uns quatro anos. Desde então, não parei mais". 

Lucíola Vilela/UOL
A foliã Tatiana amamenta a filha, Lina, durante a festa do Céu na Terra. Imagem: Lucíola Vilela/UOL

A tradição do Céu na Terra começa cedo para alguns foliões. É o caso da pequena Lina, de 1 ano e três meses. No colo da mãe Tatiana Richard, 39, a pequena não se incomodava com o barulho da bateria e chamava a atenção de quem passava. E quando a filhota reclamava de fome, Tatiana não se fazia de rogada: amamentava no meio do cortejo, bem ao lado da banda. "Venho desde que estava grávida dela, e ela sempre gostou. Fica quietinha", conta a mãe orgulhosa.

Grávida de oito meses, Ana Carolina Marques, 35, acompanha os passos da vizinha de folia. "Vou aproveitar até o último minuto, estou indo dormir para todos os blocos que eu gosto", contou empolgada à reportagem.

Sem registro de grandes confusões, o cortejo atravessou Santa Teresa agradando os moradores, que davam banho de mangueira para refrescar os foliões. 

O próximo desfile do Céu na Terra é no sábado de carnaval (2 de março), com concentração às 6h no Largo dos Guimarães.

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