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São Clemente: Marcelo Adnet conta como entrou na disputa pelo samba-enredo

Estevam Avellar/TV Globo
Imagem: Estevam Avellar/TV Globo
Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

do UOL

07/08/2019 04h00

Cria do Humaitá, bairro vizinho a Botafogo, berço da São Clemente, o humorista Marcelo Adnet embarcou em um novo desafio em sua carreira. Ele inscreveu seu samba-enredo para a disputa de samba da amarela e preta da Zona Sul carioca para o Carnaval.

Ao lado dos parceiros André Carvalho, Pedro Machado, Gustavo Albuquerque, Camilo Jorge, Luiz Carlos França, Gabriel Machado e Rafael Candela, Adnet começa, neste sábado, contra outras 16 parcerias, a pleitear o direito de ter seu samba cantado pela escola na avenida. A São Clemente apresentará o enredo O Conto do Vigário, do carnavalesco Jorge Silveira e promete, com muito bom humor, contar a história dos golpes e trapaças que passam pela história do Brasil desde o princípio. Neste bate-papo, na quadra da escola, Adnet fala sobre suas expectativas para a disputa.

Criado perto de Botafogo, você sempre torceu pela São Clemente?

Sempre torci pela São Clemente e pelo Botafogo. Sou cria do Humaitá e sempre vivi muito a vida da região. O futebol eu acompanho desde sempre e o Carnaval era uma mania quando criança e início da adolescência. Agora voltei com tudo.

Em vários momentos de sua carreira o samba-enredo já apareceu. Era uma paixão esquecida?

Quando eu fazia o espetáculo Zenas Emprovisadas, sempre tinha um samba-enredo nos jogos que fazíamos com o público. Sempre curti. E agora tem a questão de estar fazendo aqui de verdade. O processo de composição foi maravilhoso. Eu era amigo de três dos parceiros e agora somos todos grandes companheiros. Foi muito prazeroso fazer o samba. É muito gostoso chegar aqui, devagarinho, com muita humildade e carinho com os compositores. Hoje me vejo como compositor da São Clemente e espero chegar longe e estar aqui ano que vem de novo.

Qual foi o estalo que te fez ter a vontade de reatar essa paixão com o Carnaval?

A vontade de fazer um samba para a São Clemente. Os amigos me chamaram e eu achei perfeito. E o enredo ajuda. É irreverente, tem crítica e humor, que é a cara da São Clemente. Os astros se alinharam e o samba taí. Fizemos por dois meses e meio em dez reuniões. Fiz de coração. Nosso objetivo era fazer um samba bom e nós fizemos. Que vença o melhor para a escola. O tesão é escrever e participar.

Já desfilou pela escola?

Nunca. Quem sabe esse ano não seja a estreia?

Apesar da São Clemente ter a verve satírica, a linguagem do samba-enredo é bem diferente. Como foi levar o seu estilo de humor para esse gênero musical?

Quem acompanha meu trabalho e acompanha as paródias que faço certamente vai notar as semelhanças no samba. Mas a pegada é outra. O samba-enredo é mais épico, como o desfile pede. Mas estou aqui para aprender e contribuir com minha escola de coração.

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