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Para minimizar poder econômico, Mangueira muda regras de concurso de samba

Desfile da Mangueira - Bruna Prado/UOL
Desfile da Mangueira
Imagem: Bruna Prado/UOL
Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

do UOL

08/07/2019 15h47

Atual campeã do Carnaval carioca com um samba que explodiu pelos blocos e rodas da cidade, a Estação Primeira de Mangueira promete novidades para a disputa que escolherá o seu hino para 2020. Com o objetivo de combater a excessiva mercantilização que marca estes concursos, a verde e rosa tomou uma série de medidas. Dentre as decisões, estão a contratação de estúdio para todos os sambas a serem gravados e a proibição de torcida na quadra.

As novas regras foram discutidas pelo presidente da escola, Elias Riche, e pelo carnavalesco Leandro Vieira. De acordo com Vieira, as mudanças servirão para privilegiar o talento dos compositores. "O compositor é o agente principal do desfile e tem sido esvaziado por causa do poder do capital. As disputas viraram uma indústria e, para combater essa situação, faremos um concurso em que o poder do dinheiro não terá lugar", afirma o carnavalesco, que se diz assustado com a situação atual na maioria das escolas, onde os compositores chegam a gastar R$ 100 mil para chegar a uma final.

Confira quais são as principais decisões a serem implementadas na disputa de samba da Mangueira:

Inscrição

A escola definiu que apenas quatro compositores poderão estar em cada parceria e poetas de outras escolas poderão participar sem restrições. A inscrição custará R$ 4,8 mil por parceria e, segundo Leandro Vieira, será o único gasto que os compositores terão até o final do concurso. A primeira metade será paga no ato, para custear a gravação dos sambas. A segunda metade será disponibilizada antes da disputa começar, para bancar despesas da quadra, além dos panfletos dos sambas - que serão padronizados e fabricados pela escola. A inscrição poderá ser feita pela internet com a entrega da letra e melodia cifrada, além de áudio com voz e violão ou cavaco, acompanhado de surdo de marcação.

Intérpretes

Estão proibidos cantores de outras escolas. Os integrantes do carro de som da Mangueira cantarão todos os sambas, da gravação à disputa, mediante sorteio. A cada final de semana, será feito um novo sorteio, de modo que haja um revezamento de cantores e sambas.

Gravação

Para dar igualdade de condições aos sambas, a Mangueira contratará um estúdio, onde todos serão gravados com músicos da escola. Os vídeos, por onde os compositores divulgam os sambas pelo YouTube, também serão produzidos pela agremiação. Qualquer gravação que os compositores façam e divulguem será motivo para desclassificação - a única exceção é de vídeos gravados na quadra durante a disputa que podem ser veiculados em redes sociais.

Torcidas

As torcidas estão proibidas, assim como bandeiras, adereços, camisetas e outros acessórios. Cada parceria receberá 30 ingressos por noite de disputa, com horário predeterminado para entrada dos convidados. Qualquer movimentação que denote a formação de torcida é passível de eliminação da disputa. A escola quer medir a real aceitação dos sambas na quadra sem qualquer espécie de aparato.

Palco

Cada samba se apresentará com dois cantores da escola, previamente sorteados, um violonista e um cavaquinista - ambos também dos quadros da Mangueira. Quatro microfones estarão destinados apenas aos compositores.

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