Topo

Novo diretor de Carnaval da Imperatriz promete escola mais leve e alegre

Marcos Aurélio Fernandes, o Marquinhos, novo diretor de Carnaval da Imperatriz - Divulgação
Marcos Aurélio Fernandes, o Marquinhos, novo diretor de Carnaval da Imperatriz Imagem: Divulgação
Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

do UOL

06/09/2019 21h18

Com menos de um mês de trabalho como diretor de Carnaval da Imperatriz, Marcos Aurélio Fernandes, o Marquinhos, afirma que o grande diferencial da verde, branca e dourada de Ramos, no Carnaval 2020, será um desfile mais alegre e solto. Dividindo o cargo com Wagner Araújo, que está há 30 anos na escola, o dirigente, que já presidiu a Portela e Estácio de Sá, em entrevista exclusiva à coluna, faz um panorama dos preparativos da escola.

Oito vezes vencedora do Carnaval carioca e recém-rebaixada para a Série A, a Imperatriz reeditará o enredo campeão em 1981 (Só dá Lalá, em homenagem a Lamartine Babo) e contratou Leandro Vieira, que se dividirá entre os barracões da Imperatriz e da Mangueira.

Por todo o seu peso e tradição, a Imperatriz é tida como a escola a ser batida na Série A. Como vocês lidam com essa responsabilidade?

Temos essa noção. Por isso, estamos com um time forte, com nível de Grupo Especial. Tanto que mantivemos o cantor, o casal e o mestre de bateria e contratamos o Leandro Vieira. A comissão de frente estará resolvida nos próximos dias. E certos cuidados estão sendo tomados. A Imperatriz tradicionalmente fazia a festa para apresentar as fantasias, mas, desta vez, não a faremos. Vamos deixar a surpresa para a avenida.

Qual tem sido a diretriz desses primeiros dias de trabalho?

No primeiro momento estamos fazendo o resgate da autoestima do componente da Imperatriz, para que ele volte a ter confiança na escola, que já tem tantos títulos e grandes desfiles. Estou renovando a gestão da escola, colocando os jovens para fazer o recadastramento das alas de comunidade, que está acontecendo nas terças e domingos. Estamos tratando as pessoas com alegria, com sorriso no rosto. E, por mais que seja a fama da escola de ser técnica, queremos todos com muita liberdade e felicidade.

E a divisão de tarefas com o Wagner Araújo?

Tem sido bem tranquila. É uma pessoa que entende muito de Carnaval e tem história na Imperatriz. Ele está mais focado no barracão e eu faço essa ponte de barracão com a quadra, lidando diretamente com os componentes. Neste primeiro momento, estamos investindo no diálogo. Quando a escola desce, o baque é grande. O presidente resolveu começar com os ensaios logo em setembro, a quadra encheu no domingo passado e já temos um ótimo número de componentes cadastrados nas alas. No barracão, já estamos trabalhando na parte de ferragens da segunda alegoria. Os protótipos das fantasias já estão sendo fabricados e logo começaremos a fazer as reproduções.

Fazer o Carnaval na Cidade do Samba estando na Série A é mais um desafio, não?

Sem dúvida. Estamos na Série A, mas os preços que nos cobram pelos serviços são os mesmos do Grupo Especial. O barracão tem toda a estrutura, mas também tem seus custos. Mas estamos fazendo um esforço redobrado para economizar o possível, sem que a qualidade do Carnaval caia.

A escola contratou o Leandro Vieira, que trabalhou por muitos anos como assistente. Como está o trabalho com essa dupla jornada dele com a Mangueira?

Ele já era da escola, tem toda uma história aqui. Ele já conhece a Imperatriz e ele é uma pessoa de um astral fora do comum. Estou trabalhando com ele pela primeira vez e estou impressionado com sua inteligência e capacidade. E os barracões são vizinhos, o que só facilita. E a decisão de reeditar "Só dá Lalá" foi de extrema sensibilidade. Tocou os componentes da forma que precisávamos.

Você, que via a Imperatriz de fora e agora trabalha na escola, o que ela precisa fazer para voltar ao Grupo Especial em condições de ser competitiva?

Melhorar o "chão". Precisamos ter uma evolução forte. A comunidade é ótima, mas precisa ser lapidada. Se tudo der certo, será uma escola imbatível. A Imperatriz criou um padrão de desfile técnico, mas ficou para trás. Estamos deixando os componentes mais soltos, sem militarismo. A Imperatriz precisa sorrir e vai voltar a sorrir. Estamos buscando essa aproximação da escola com a comunidade. É um povo carente e a escola precisa estar do lado dele. Estamos conversando com a diretoria de harmonia para que voltemos a ensaiar na rua a partir de dezembro. Estamos em uma escola em que os componentes pediram para o presidente ficar —normalmente, em outras escolas, o povo se junta para pedir que o presidente saia (risos).

Entretenimento