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Mirando os anos 1990, Grande Rio lança seu enredo para 2020

O pesquisador Vinicius Natal ao lado dos carnavalesco Leonardo Bora e Gabriel Haddad - Mário Grave
O pesquisador Vinicius Natal ao lado dos carnavalesco Leonardo Bora e Gabriel Haddad Imagem: Mário Grave
Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

do UOL

28/06/2019 16h10

A Acadêmicos do Grande Rio apresentou, ontem, em sua quadra, a sinopse do enredo para o Carnaval 2020. Estreantes no Grupo Especial, os carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad levarão para a Sapucaí a trajetória de um personagem seminal na história da cidade de Caxias - sede da escola - e do candomblé: Joãozinho da Goméia, o pai de santo que marcou época em meados do século passado e influenciou toda a vida cultural e política do país. O título do enredo é "Tata Londirá: O Canto do Caboclo no Quilombo de Caxias".

Vice-campeões pelo Acadêmicos do Cubango no último Carnaval da Série A, Bora e Haddad promoverão uma reconciliação da tricolor com os seus Carnavais dos anos 1990. Nesta década, a Grande Rio surgiu no Grupo Especial escorada em temas de vertente afro-brasileiras e sambas-enredo de grande qualidade - características que a escola abandonou com o passar dos anos. Segundo Bora, a opção do enredo foi intencional: "Além de dar continuidade à marca do trabalho que fizemos no Grupo de Acesso, quisemos reconectar a escola com essa tradição de grandes enredos e trazer questões relevantes para o contexto carnavalesco e carioca. Em momento de intolerância religiosa, esta discussão é muito pertinente".

Nascido na Bahia, mas radicado em Duque de Caxias, o "Rei do Candomblé" Joãozinho da Goméia foi um importante líder religioso e personagem que conviveu em vários mundos. Além de pai de santo, era um grande folião, tendo desfilado como destaque em diversas escolas de samba e participado dos desfiles de fantasias do Theatro Municipal. A seu terreiro, onde personalidades como Dorival Caymmi e Jorge Amado foram ogãs (tocadores de atabaque), diversos artistas acorreram e foi onde o fotógrafo Pierre Verger iniciou o seu trabalho fotográfico tendo o candomblé como tema. Presidentes como Getúlio Vargas e Juscelino Kubitscheck o tinham como conselheiro.

"Joãozinho da Goméia era multifacetado e isso nós apresentaremos ao longo do desfile. Ele era um personagem único, que circulava por vários ambientes e sempre foi respeitado, explica Gabriel Haddad, que também destacará a importância do personagem para a vida da cidade: "Temos a marca de procurar enredos que tenham a ver com a escola. Isso sempre faz a comunidade abraçar o tema, surgirem bons sambas e desfiles leves e animados", acredita.

A escola também informou aos compositores as regras da disputa de samba-enredo. As inscrições acontecerão no dia 12 de agosto. O concurso terá algumas particularidades: compositores de outras escolas poderão participar e intérpretes do Grupo Especial não poderão cantar os sambas - medida tomada para reduzir os custos dos concorrentes. A final de samba-enredo está marcada para o dia 5 de outubro.

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