PUBLICIDADE
Topo
Notícias

Notícias

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Demissão de Paulo Guedes seria boa ou ruim para o seu dinheiro?

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

do UOL

23/04/2021 04h00

O que mais se fala nas rodas de conversa entre políticos é que Paulo Guedes, o ministro da Economia, vai ser demitido. E isso seria bom para os seus investimentos!

Mas sempre ouvimos que a economia só não estava pior porque Paulo Guedes ainda trazia credibilidade. Por que a demissão dele faria bem para a economia e para os investimentos? É esse o debate do vídeo a seguir, que vou explicar em três pontos nesse texto:

  • Por que Paulo Guedes está tão "queimado"?
  • Quem entraria no lugar dele?
  • Por que sua demissão seria boa para o seu dinheiro e investimentos?

Por que Paulo Guedes está tão "queimado"?

Havia grande expectativa em torno das reformas prometidas por Paulo Guedes. Com exceção da reforma da Previdência, que foi quase toda encaminhada durante o governo Temer (antes, portanto da gestão Guedes), praticamente nada progrediu.

A reforma tributária, que simplificaria todos os tributos em uma única cobrança sobre transações, já caiu no esquecimento e tampouco sua versão mais enxuta teve sinais de êxito.

As privatizações prometidas também não aconteceram.

Apesar de a pecha de "liberal de Taubaté" ter virado meme nas redes sociais, não foi por fraquejar em seus princípios liberais que Guedes fracassou, mas principalmente por seu jeito "esquentadinho".

Paulo Guedes não tem boa articulação, acumulando desafetos dentro do Legislativo e do Executivo. Ele também acumulou desafetos no mercado financeiro e na academia ao longo da vida.

O episódio do Orçamento foi apenas a gota d'água na relação entre Guedes e seus contatos.

Por conta disso, o Congresso está indisposto e não quer aprovar nenhuma das pautas econômicas simplesmente para não ceder nem sequer um louro de vitória a Guedes.

Quem entraria no lugar de Guedes?

O nome mais cotado é o de Roberto Campos Neto, atual presidente do Banco Central e também com fama de liberal, como Guedes.

Por outro lado, Campos Neto acumula algumas vitórias.

Entusiasta de tecnologia, foi sob sua gestão que foi lançado o popular PIX e está encaminhado o projeto do open banking, uma tecnologia que vai mudar a maneira como você lida com o dinheiro. Se quiser saber mais, já explicamos aqui.

Uma das tarefas oficiais sob sua gestão é "aprimorar o relacionamento do Banco Central com o Congresso Nacional", missão que parece ter sido cumprida com sucesso dada a disposição favorável dentro do Congresso a seu nome para o Ministério da Economia.

Por que a demissão de Guedes seria boa para os investimentos?

A saída de Guedes é parte da solução para destravar as pautas e reformas tão necessárias à recuperação econômica.

A fama de "Posto Ipiranga" que trazia credibilidade vinda do mercado financeiro a Paulo Guedes parece não mais estar ali, e a impressão clara já é de que ele não tem mais força para cumprir sua missão.

Bolsonaro toparia demiti-lo?

Jair Bolsonaro já afirmou em algumas ocasiões que é melhor Guedes estar ali para servir de escudo nos problemas que tangem à economia. Caso contrário, o presidente poderia ser o alvo.

De qualquer forma, a demanda dos políticos por sua saída, a busca por mais cargos para o Centrão em eventual desmembramento do Ministério da Economia em ministérios da Fazenda, da Indústria e do Planejamento, bem como a preocupação com o "Lula x Bolsonaro 2022" podem ser bons argumentos de convencimento.

Outra questão em alta no meio político é a possibilidade de impeachment de Bolsonaro. Será que seria bom ou ruim para o Brasil? Isso é o que discutimos no vídeo a seguir.

O que você acha? Comente abaixo ou nas nossas redes sociais (Instagram ou YouTube).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Notícias